
Move Brasil: como pedir financiamento de carro para motorista de aplicativo e táxi? Veja passo a passo
Confira as taxas de juros, as condições de crédito para motorista de app, como entrar no gov.br e tire suas dúvidas sobre o programa

Programa oferece juros mais baixos na compra de veículos novos

Começa nesta sexta-feira a fase mais esperada do Move Brasil: a contratação do financiamento de carros novos por motoristas de aplicativo e taxistas. A partir de hoje, os profissionais que já tiveram o cadastro aprovado pelo governo federal podem procurar concessionárias e bancos para pedir o crédito, com taxas de juros menores do que as praticadas no mercado.
As condições foram definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e confirmadas pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ( BNDES), Aloizio Mercadante: os juros são de 12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres. As duas taxas ficam abaixo da Selic, a taxa básica de juros, hoje em 14,25% ao ano.
Isso é possível porque o presidente Lula assinou uma medida provisória que autoriza o Ministério da Fazenda a repassar R$ 30 bilhões ao BNDES para bancar essas operações. O programa é voltado a taxistas e a motoristas de plataformas como Uber e 99 que tenham feito ao menos 100 corridas no período de um ano — o equivalente a cerca de duas corridas por semana.
O ponto de corte é uma tentativa do governo de restringir o crédito a quem realmente trabalha na atividade, e não a interessados apenas em pegar um empréstimo mais barato.
O C6 Bank confirmou que vai operar a linha e informou que começa a receber pedidos em 26 de junho. As taxas serão as do teto do programa — 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres —, e a exigência de entrada e de documentos vai depender da análise de crédito de cada cliente.
“Feita de forma on-line, a análise de crédito, na maior parte dos casos, ocorre em até um minuto”, disse o banco em nota.
O Santander também vai operar o crédito, por meio da Santander Financiamentos, e deve começar a receber propostas na próxima semana, seguindo o calendário do programa. As condições serão apresentadas na simulação. Já a contratação ficará sujeita à elegibilidade do cliente e do veículo, à análise de crédito e ao envio da documentação exigida.
“As condições serão apresentadas durante a simulação, e a contratação estará sujeita à elegibilidade do cliente e do veículo, à análise de crédito e ao envio da documentação exigida na jornada, incluindo documentos pessoais, comprovação de elegibilidade ao programa e documentação do veículo”, esclareceu o Santander em nota.
O Itaú Unibanco informou que não vai aderir a esta linha. O banco alegou questões de cronograma operacional e afirmou que seu teto de garantias no FGI já está integralmente alocado e consumido pelo fluxo de outras modalidades de crédito — como o Renova Frota, o FGI Capital de Giro, o Pronampe e o Desenrola.
“Em relação à nova linha voltada a motoristas de aplicativo e taxistas, o banco optou por não aderir a este desenho específico por questões de cronograma operacional e pelo fato de seu teto de garantias do FGI já estar integralmente alocado e consumido pelo fluxo atual de outras modalidades”, afirmou a instituição financeira
O Bradesco preferiu não se manifestar. Procurados, Nubank, BTG Pactual, Banco Inter, Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal não responderam até o fechamento desta reportagem.
Motorista de aplicativo há dez anos e dono de um salão de festas, Carlos Coutinho, de 39 anos, é um dos que pretendem aproveitar o programa logo na largada. Morador de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, ele usa os aplicativos como complemento de renda e hoje roda com uma Chevrolet Spin 2015, de sete lugares. A ideia é trocá-la por um elétrico.
— Com esse programa do governo, estou vendo a possibilidade de trocar o meu carro por um veículo elétrico, que é o BYD Dolphin — conta.
Carlos já fez o cadastro e foi aprovado pelo governo em poucos dias. A aprovação do governo, porém, é só a primeira etapa. Falta a parte mais incerta: a análise de crédito do banco.
Carlos tem o nome negativado e conta com o fundo garantidor para conseguir o financiamento mesmo assim.
— Tenho negativação no meu nome, mas não é nada muito grave, alguns cartões de crédito. Não regularizei porque existe uma luz no fim do túnel: muita gente falando que vai liberar para negativado — afirma. — A esperança é a última que morre.
Para tentar reduzir o valor financiado, ele e três amigos do bairro vão juntos a uma concessionária de carros elétricos nesta sexta. Dos quatro, diz ele, só um está com o nome limpo.
— A gente vai ver se consegue dar os nossos carros de entrada para financiar um valor menor — explica.
O que pesa na escolha pelo elétrico é a economia, segundo Carlos:
— A gente gasta de R$ 3 mil a R$ 3.500 por mês com combustível, fora a manutenção. Com o elétrico, fica em torno de R$ 800 a R$ 1.000 de recarga, e a manutenção é menor — compara.
Com o BYD, ele também poderia rodar na categoria Black da Uber, a mais bem paga — mas já sabe que, para esse modelo, o acesso à categoria vai até o fim de 2027.
— Todo mundo foi pego de surpresa com essa informação que a Uber soltou, um dia antes de todo mundo comprar o carro — diz.
A aprovação no cadastro do governo é apenas a primeira etapa e não garante o financiamento. A análise de crédito é feita pelo banco, caso a caso, depois do pedido — e cada instituição decide se aprova ou recusa, segundo suas próprias regras.
Para ampliar as chances de quem tem renda informal e pouca garantia a oferecer, a medida provisória incluiu taxistas e motoristas de aplicativo no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI-PEAC), do BNDES, que pode cobrir até 80% do risco de cada operação. Na prática, o fundo protege o banco em caso de calote — o que torna o crédito mais acessível —, mas a dívida continua sendo do motorista.
Para quem vive de renda variável, o maior risco não é o juro, e sim o tamanho da parcela. É o que avalia Rodolfo Takashi, CEO da Gooroo Crédito, fintech especializada em crédito para o trabalhador.
— Para um motorista sem renda fixa, a pergunta principal não deveria ser “quanto o banco aprova?”, mas sim “qual carro o meu faturamento consegue sustentar, mesmo nos meses mais difíceis?” — afirma.
Takashi lista alguns cuidados. O primeiro é fazer a conta pela pior semana, não pela melhor: se a renda líquida oscila entre R$ 3.500 e R$ 7.000 por mês, a parcela precisa caber confortavelmente no cenário de R$ 3.500. Como regra geral, ele recomenda que a prestação não passe de 15% a 20% da renda líquida média.
O segundo é não financiar o valor máximo só porque ele está disponível. O programa permite financiar veículos de até R$ 150 mil, mas, segundo o especialista, um carro de R$ 100 mil pode render praticamente o mesmo nos aplicativos.
— Um veículo de R$ 100 mil pode gerar praticamente a mesma receita em aplicativos como Uber e 99 do que um veículo de R$ 150 mil. O custo adicional não necessariamente se traduz em maior rentabilidade — diz.
Takashi orienta ainda a encarar a prestação como um aluguel, um custo fixo da atividade, e a não confundir faturamento com renda: é possível faturar R$ 10 mil por mês e ter renda líquida bem menor depois de descontar combustível, manutenção, lavagem e seguro.
— O risco está em assumir uma parcela baseada nos meses de maior faturamento e descobrir, nos meses mais fracos, que o carro pertence mais ao banco do que ao motorista — resume.
Para ele, o Move Brasil pode valer a pena sobretudo para quem hoje gasta muito com aluguel de veículo, desde que a escolha seja pelo carro mais econômico capaz de gerar a mesma receita.
O governo não respondeu ao pedido da reportagem sobre o número atualizado de cadastrados e de aprovados no programa.
O dado mais recente divulgado é do dia 3 de junho, quando o presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirmou que as inscrições no Move Brasil já chegavam a 600 mil.
As contratações precisam ocorrer até 22 de julho de 2026, data final de vigência da medida provisória que sustenta o programa. Procurados, MDIC e BNDES não esclareceram o que acontece com o motorista que pedir o financiamento dentro do prazo, mas tiver a análise de crédito concluída pelo banco depois dessa data.
Confira abaixo o passo a passo:
A primeira etapa é acessar a plataforma gov.br/movebrasil e rolar até encontrar a opção de fazer o cadastro a partir do Gov.br.
Insira seu CPF e depois sua senha gov.br
Ao abrir a próxima página, clique em “Solicitar adesão”.
Informe se é taxista, motorista 99 ou motorista Uber. Depois é só ler e aceitar o termo de consentimento e clicar em “Solicitar adesão”.
Com isso, seu perfil já ficará em análise. O governo federal irá validar consultar a plataforma para validar seu cadastro.
Em seguida, é necessário esperar até 5 dias úteis para ser informado se está apto ou não a participar do programa Move Brasil. O motorista receberá a resposta via caixa postal do gov.br e via mensagem de WhatsApp.
No caso de motoristas de aplicativo, o governo irá checar quem está apto diretamente com a plataforma.
No caso de motorista de táxi, o governo irá chegar por meio da Receita Federal. Eles devem autorizar que o órgão envie às instituições financeiras a confirmação do registro como taxista e autorize a instituição financeira a praticar as condições de financiamento do programa.
Por fim, os motoristas que receberam a confirmação de participação no programa podem procurar as concessionárias e instituições financeiras participantes do programa para análises de crédito e de avaliação de viabilidade de concessão do financiamento.
BS20260619030010.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/06/19/move-brasil-comeca-hoje-veja-quais-bancos-vao-financiar-carros-para-motoristas-de-aplicativo-e-taxistas.ghtml

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