
Projeção para 2027 indica que o Brasil pode registrar 860 mil casos prováveis de dengue
Previsão é de especialistas de diferentes países reunidos em webinário

Com 55 casos confirmados em outubro, Rio vive aumento na doença; em âmbito nacional, país registrou 665 infecções, uma tendência de queda em relação aos anos anteriores

O Ministério da Saúde autorizou a compra de até 20 mil doses da vacina contra a mpox por meio do Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) após uma reunião sobre o tema realizada nesta quarta-feira. Segundo a pasta, a medida busca reforçar o estoque estratégico do imunizante e garantir a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS), “de acordo com as necessidades identificadas no monitoramento epidemiológico e nas ações de prevenção e controle da doença”.
Nesta semana, o ministério já havia dito que ia reforçar a vacinação no Rio de Janeiro em meio a alta de casos na região. Na quarta-feira, foram enviadas mais 2 mil doses do imunizante para o estado, que é o responsável por distribuir as unidades aos municípios. Com isso, o total de doses destinadas ao Rio neste ano chega a 3,5 mil, e novos envios poderão ser realizados “conforme a necessidade identificada”, complementa a pasta da Saúde.
Mesmo com o reforço, devido ao número limitado de doses disponíveis mundialmente para aquisição, a vacinação é restrita a públicos específicos em maior risco de exposição ou de agravamento da mpox. No Brasil, a estratégia contempla pessoas vivendo com HIV/Aids com imunossupressão (com contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células/mm³). O imunizante é aplicado em duas doses, com um intervalo de 28 dias entre elas.
Quando há sobra de doses, a vacinação também pode ser estendida para pessoas que vivem com HIV/Aids com CD4 inferior a 200 células/mm³, usuários da profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP), profissionais de laboratório que trabalham com Orthopoxvírus e indivíduos que tiveram contato direto de médio ou alto risco com um caso suspeito ou confirmado de mpox, após avaliação da vigilância em saúde.
Segundo o ministério, em 2026, foram notificados 665 casos de mpox no Brasil até outubro, 218 deles, mais de um terço, no estado do Rio de Janeiro. O número, porém, representa uma redução de 94% em relação aos 10.821 casos notificados no país em 2022, ano em que o vírus passou a se disseminar globalmente. No estado fluminense, a diminuição é de 84,2% em comparação com os 1.381 casos registrados naquele ano.
Em comparação com o ano passado, o país também vive uma tendência de diminuição. De acordo com o painel epidemiológico do Ministério da Saúde, foram confirmados 1.074 diagnósticos em 2025, o que, por sua vez, foi também uma queda em relação aos 1.989 de 2024.
“Apesar da redução, a ocorrência de casos mantém a necessidade de vigilância e de disponibilidade de imunizantes para atender às demandas identificadas nos estados. Nesse contexto, a aquisição de novas doses tem caráter preventivo e estratégico, permitindo recompor estoques e assegurar a capacidade de resposta do SUS diante da evolução do cenário epidemiológico”, diz o Ministério da Saúde.
Segundo os dados mais atualizados do painel epidemiológico do estado do Rio de Janeiro, já subiu para 269 o número de casos confirmados de mpox em 2026, uma alta de 126% em relação a todos os 119 registros do ano passado.
Na capital, os números da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) mostram que foram 55 casos apenas em outubro, o maior número para um mês desde outubro de 2022, quando o surto global do vírus estava em queda.
Em setembro, já haviam sido confirmados 47 casos, 261,5% a mais que o registrado em agosto, quando foram 13 infecções, o que acendeu um alerta das autoridades de saúde. Desde 2024, a cidade não tinha um mês com mais de 20 infecções.
Ainda assim, em nota, a SMS diz que os casos registrados nos últimos meses “seguem dentro da oscilação esperada desde a introdução da doença em 2022”, lembrando que, naquele ano, a cidade chegou a registrar 351 casos em um único mês.
A secretaria reconhece que, em setembro, “houve uma elevação da curva da doença”, mas diz que o “cenário epidemiológico hoje é outro”. A pasta explica que, desde 2022, há períodos com maior número de casos, como em dezembro de 2023, quando foram 46 notificações de mpox, mas “com redução da curva nos meses seguintes”.
“A Superintendência de Vigilância em Saúde mantém monitoramento contínuo da situação epidemiológica, com investigação oportuna dos casos e acompanhamento clínico dos pacientes, além de promover medidas de prevenção em controle em conjunto com demais áreas técnicas da SMS”, complementa.
O Distrito Federal também relatou um aumento recente de casos. Segundo a Secretaria de Saúde do DF, foram 23 infecções por mpox em 2026 até a primeira semana de novembro de 2026, oito deles (35%) apenas em outubro.
A mpox é uma doença infecciosa causada pelo vírus de mesmo nome, do gênero Orthopoxvirus. É considerada uma doença zoonótica por originalmente circular entre animais em determinadas regiões do continente africano, mas ter se adaptado nos últimos anos e passado a se disseminar de forma sustentada entre humanos.
Segundo o Ministério da Saúde, a maioria dos casos apresenta evolução leve a moderada. A transmissão ocorre principalmente por contato direto com:
O período de incubação, que é o tempo entre a exposição ao vírus e o início dos sintomas, costuma variar de 3 a 16 dias, podendo chegar a 21 dias. Os sinais mais comuns são:
As lesões podem ser planas ou elevadas, com líquido claro ou amarelado, evoluindo para crostas que secam e caem. Podem surgir no rosto, mãos, pés, boca, genitais, ânus e outras partes do corpo. O Ministério da Saúde orienta procurar uma unidade de saúde se:
“Pessoas com sintomas compatíveis com mpox, como lesões ou erupções na pele, devem procurar um serviço de saúde para avaliação. Durante o atendimento, os profissionais investigam possíveis exposições, orientam sobre os cuidados necessários e, quando indicado, realizam a coleta de amostras para diagnóstico laboratorial. Quem teve contato próximo com pessoas com suspeita ou confirmação da doença também deve procurar um serviço de saúde para avaliação do risco de exposição e receber orientações sobre o monitoramento de sinais e sintomas, como lesões na pele, febre e aumento dos linfonodos”, diz o Ministério da Saúde.
O diagnóstico é realizado por meio de exame feito com amostras coletadas, preferencialmente, a partir da secreção das lesões. A maioria dos casos evolui para melhora entre 2 e 4 semanas. Não há tratamento específico aprovado para mpox. Por isso, o manejo consiste no alívio dos sintomas, na prevenção e tratamento de complicações e em cuidados clínicos de suporte, caso o quadro evolua para um estágio mais grave, enquanto o próprio sistema imunológico combate o vírus.
Além da vacinação nos grupos elegíveis, o Ministério da Saúde afirma que a principal forma de prevenção é evitar contato direto com pessoas com suspeita ou confirmação da doença. Por isso, recomenda-se:
Não compartilhar objetos pessoais
Higienizar as mãos com água e sabão ou álcool em gel
Lavar roupas, toalhas e lençóis com água e detergente
Limpar e desinfetar superfícies
Cumprir isolamento até o fim do período de transmissão
BS20261105164722.1 – https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/11/05/mpox-ministerio-da-saude-autoriza-a-compra-de-20-mil-doses-de-vacina.ghtml

Previsão é de especialistas de diferentes países reunidos em webinário

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