POLÍTICA

‘Não virei feministo’, ironiza Flávio Bolsonaro ao lançar programa de governo dedicado às mulheres

17 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Durante o anúncio, senador também afirmou que defender o público feminino é uma ‘bandeira da direita’; projeto ‘Brasil Por Elas’ possui 12 propostas

Flávio Bolsonaro e Danielle Marques em live de anúncio do projeto ‘Brasil Por Elas’ — Foto: Reprodução

Ao lançar seu programa de governo voltado às mulheres, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, ironizou que as medidas não fazem com que ele se torne um “feministo”. Apesar disso, durante o anúncio, o parlamentar também afirmou que defendê-las é uma “bandeira da direita”. O senador busca superar o desgaste com o público feminino em sua pré-campanha gerado após o desentendimento com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que, devido a discordâncias eleitorais, alegou ter sido “desrespeitada e maltratada” pelo enteado.

— Quando eu comecei a falar sobre isso, muitos aqui vieram e falaram: “você virou feministo”. Eu não virei “feministo”, eu só acredito que a gente não pode entender que essa bandeira não é nossa. Essa bandeira é nossa, da direita — afirmou Flávio, durante a live de lançamento.

Intitulado “Brasil Por Elas”, o projeto foi anunciado ao lado da economista Danielle Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e uma das principais conselheiras do senador na área econômica. O plano prevê 12 ações voltadas para a proteção das mulheres, com foco em capacitação e combate à violência de gênero.

Entenda

Como mostrou o GLOBO, entre as 12 medidas previstas no plano, estão a oferta de internet para 70 milhões de mulheres, a criação de uma inteligência artificial (IA) chamada Maria (fala-se Mariá, com acento no “a” final), a plataforma digital “Central da Mulher” e propostas como zerar filas de creches nas cidades.

– Nossa proposta de governo se baseia exatamente em garantir o acesso à internet a, pelo menos, 70 milhões de mulheres que vão ter uma maior plataforma à sua disposição para resolver tudo o que estiver ao seu alcance, que vai englobar proteção, segurança, cuidado, mobilidade social e também se desenvolver para ganhar a sua autonomia financeira – disse Flávio.

Flávio exibiu um vídeo em que apresentou a IA batizada de Maria. As cenas mostravam o recurso digital ajudando mulheres em situações como lidar com uma agressão, agendar uma mamografia ou tentar encontrar uma creche para os filhos.

– Estou sonhando com isso. Seja para se defender, seja para empreender, seja para evoluir, seja para procurar uma creche, procurar um emprego. Então, assim, tem muitas funcionalidades que vão estar onde? Na palma da mão de mais 70 milhões de mulheres que vão ter acesso à internet garantido. Esse futuro está próximo – disse Flávio Bolsonaro.

Já a plataforma “Central das mulheres” seria uma maneira de acessar serviços pelo celular em um mesmo ambiente digital, principalmente nas áreas de segurança e finanças pessoais.

— Vai dar para fazer a denúncia sem que o agressor saiba. Vai chegar direto para a delegacia mais próxima. E vai ter uma esteira de serviço para se qualificar, abrir o próprio negócio, acesso ao microcrédito — disse Flávio, que afirmou já estar em contato com as operadoras de telefonia para elaborar o plano.

Além desses temas, outras propostas serão criar um benefício, como um “vale”, para mães que não conseguirem vaga para os filhos em razão da falta de estrutura dos municípios, além de ampliar políticas de cuidado voltadas aos idosos e incentivar o empreendedorismo feminino como instrumento de mobilidade social e geração de renda.

Ao longo da transmissão, Marques, cotada para ministra da Fazenda em um eventual governo Flávio, fez uma série de observações de cunho político-ideológico, como dizer que “a esquerda defende o direito do estuprador e do bandido” e “a mulher da bíblia não é submissa”.

Além dos programas, Flávio afirmou que seu eventual governo vai levar a Caixa Econômica Federal para as favelas do Brasil. Uma série de anúncios desta quinta envolveu a Caixa, que auxiliaria de diferentes maneiras no funcionamento dos projetos.

– A Caixa vai ser o Itaú da periferia do Rio de Janeiro, o Itaú da favela. Por quê? Porque a gente tem que dar um serviço de qualidade, um banco top, um banco premium para aquelas pessoas que são mais humildes, que são da periferia, que são da favela e vão poder contar com a Caixa em todos os lugares. E também sair da dívida, renegociar suas dívidas e também poder, enfim, abrir o próprio negócio, ter acesso a microcrédito – disse o pré-candidato.

(Colaborou Sérgio Quintella)


BS20260717121120.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/17/nao-virei-feministo-ironiza-flavio-bolsonaro-ao-lancar-programa-de-governo-dedicado-as-mulheres.ghtml

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