POLÍTICA

Número dois da PF defende Andrei Rodrigues após Mendonça determinar afastamento: ‘Não nos deixaremos abalar por ataques’

8 de setembro, 2026 | Por: Agência O Globo

William Murad, que assume posto com a saída do atual chefe, diz que momento exige ‘serenidade’

O diretor-executivo da Polícia Federal, William Murad
O diretor-executivo da Polícia Federal, William Murad — Foto: Reprodução

O diretor-executivo da Polícia Federal, William Murad, discursou nesta terça-feira em apoio ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afastado do cargo por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Andrei soube da decisão quando já estava em um evento de agentes da PF, na Academia de Polícia, em Brasília, e desistiu de discursar. Murad, que assume o comando com a saída do atual chefe, falou em seu lugar.

— Não nos deixaremos abalar por ataques, venham de onde vierem. Reafirmamos, aqui, nossa total confiança na direção-geral da Polícia Federal, no diretor-geral Andrei Rodrigues. O momento exige serenidade, e saberemos atravessar esta tempestade, como tantas vezes fizemos no passado — disse Murad.

O delegado pontuou, ainda, que os policiais possuem o dever de proteger a instituição contra ataques e tentativas de usurpação de funções.

— O respeito às atribuições de cada instituição no âmbito do sistema de justiça criminal garante a legalidade e a integridade das investigações e dos processos judiciais — afirmou.

A decisão de Mendonça afastando Andrei Rodrigues foi analisada em sessão do plenário virtual da Segunda Turma da Corte nesta terça-feira. Mendonça e os ministros Luiz Fux e Nunes Marques votaram para manter o afastamento, mas o ministro Gilmar Mendes pediu vista, ou seja, mais tempo para análise. Ele tem até 90 dias para devolver o caso.

A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) emitiu uma nota pedindo que o afastamento seja avaliado pelo plenário do STF, e não pela Segunda Turma, como está sendo. A organização ressaltou que o afastamento do chefe de uma instituição de Estado “é medida de excepcional gravidade e deve fundamentar-se em indícios concretos e verificáveis, submetidos, ainda que em momento posterior, ao devido contraditório”.

“A análise do colegiado é fundamental para a legitimidade dos atos relacionados ao processo em questão, justamente por tratar de decisões com repercussão direta sobre a governança da segurança pública e o equilíbrio entre os Poderes”, frisou.

A cronologia da crise no STF

A crise no Supremo Tribunal Federal escalou na quinta-feira com um pedido apresentado por Alexandre Moraes para que André Mendonça seja investigado pelo que classificou como “indícios de crimes” cometidos pelo colega de Corte na condução de inquéritos sob sua relatoria, em especial o relativo ao escândalo do Master.

O despacho surgiu dois dias após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou mensagens de Daniel Vorcaro, dono do banco, ao próprio Moraes.

Ao demandar a PF, Moraes determinou o envio de documentos que citassem integrantes da Corte em razão de “diversas informações sobre condutas de autoridades tendentes a afastar a independência” dos magistrados.

Diante do conflito, Fachin disse sexta-feira em evento no Palácio do Planalto que a resposta será “firme e rigorosa”, mas sem “precipitação”. Ele afirmou que a “gravidade” dos fatos não “autoriza atalhos”.

— As instituições precisam ser preservadas, sobretudo nos momentos de maior tensão. Nenhuma autoridade está acima da Constituição. Nenhum Poder está acima da lei. Nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado democrático de direito — afirmou o presidente do STF.

Fachin abriu prazo para que Moraes e Mendonça se manifestem. Também vão prestar esclarecimentos o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ambos citados em mensagens de Vorcaro.

BS20260908135417.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/09/08/numero-dois-da-pf-defende-andrei-rodrigues-apos-mendonca-determinar-afastamento-nao-nos-deixaremos-abalar-por-ataques.ghtml

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