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Em entrevista ao videocast ‘Conversa vai, conversa vem’, jornalista diz que é ‘meio certinha mesmo’ e revela que detesta perder o controle das coisas: ‘Bebida tem isso. O que vem quando perco o controle? Não estou disposta a saber’

Fátima Bernardes contou que jamais ficou bêbada. Em entrevista à jornalista Maria Fortuna no videocast ‘Conversa vai, conversa vem’, no ar no Youtube e no Spotify, a apresentadora revela que detesta perder o controle das coisas e que esse aspecto de sua personalidade tem a ver com ansiedade. Leia um trecho:
Nunca fiquei bêbada. Tem a ver com ansiedade. Detesto coisas das quais não tenho controle e não posso resolver. A bebida tem isso. O que vem quando perco o controle? Não estou disposta a saber. Sou meio certinha mesmo. Minhas transgressões são outras, no trabalho.
Por dois anos, tomei medicação. Justo no período em que estava elaborando a vontade de sair do JN para fazer outro programa. Aquilo aumentou minha ansiedade. Faço terapia. Entendi que não vou ser zen. Falar me ajuda. A primeira vez que tive uma crise de ansiedade estava no avião.
Era a primeira viagem sem os meninos. Na volta, tomei remédio para dormir e fez efeito rebote. William capotou e eu suava. Meu maior medo era notarem. Fiquei dois anos sem entrar no avião. Hoje é mais tranquilo. Decolagem é sofrido.
Ao contrário. Comecei a querer sair e não tinha coragem de dizer. Achava que ia ficar tarde para experimentar outras coisas. Sempre gostei de mudar. Na Globo, mudei muito até chegar ao JN. Fiquei 14 anos e falei: “Vou me aposentar aqui.” Me deu agonia. Como dizer isso? Depois de muita análise, percebi que pensava que, se tivesse problema de saúde e não pudesse mais fazer o JN, seria mais fácil. Passei a passar mal todo dia. Cheguei a fazer jornal com enfermeiros no andar de baixo porque passava mal. Um dia, não consegui encerrar o jornal. Aí, meu clínico falou: “Com três filhos e depois de ter acordado às seis, talvez, não esteja bem para apresentar o jornal às oito da noite.” Aquilo parecia música para mim. Comecei a tomar remédio, fiquei bem e tive coragem de dizer que queria mudar. Não precisei mais de remédio, e fui fazendo outras mudanças com naturalidade
O jornalismo da Globo sempre teve preocupação em não fazer nada apelativo. Se uma reportagem já estava muito pesada, será que o choro precisava ir até aquele limite? Sempre tive cuidado. Só de olhar para aquilo de forma esquemática e objetiva ajudava. Quando um VT era muito forte, William dizia: “Melhor passar para a Fátima porque não vou conseguir ler, não”.
Maravilhoso. Em 1992, cobri o furacão Andrew. Nos jornais locais, vi o âncora dizendo ao repórter: “Sua vizinha ligou dizendo que está cuidando dos gatos.” Foi um choque de realidade. Mostrou que quem estava levando informação era como todos. Nos aproximamos de um jornalismo de carne e osso. Não acho errado chorar. Fiz o Fantástico na morte do Senna. Só não queria chorar mais que a família. Ouvi dizerem que notícias duras ficavam mais suaves quando eu falava. Me penalizava, mas não chegava ao ponto de desabar. Não acho errado chorar. Acho ótimo essa válvula de escape.
BS20260730100039.1 – https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2026/07/30/nunca-fiquei-bebada-diz-fatima-bernardes.ghtml

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