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Apesar de transferências rápidas, rede americana é mais limitada que serviço brasileiro

O Zelle, sistema privado de pagamentos instantâneos nos Estados Unidos, foi comparado pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro ao Pix, sistema brasileiro de transferências instantâneas de dinheiro. Em entrevista a uma rádio brasileira, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que os sistemas são semelhantes. Mas será mesmo que eles possuem as mesmas características?
O Pix está nas manchetes desde a última terça-feira, quando o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) fez acusações contra o sistema de transações instantâneas brasileiro.
Segundo o documento, que propôs taxação de 25% sobre produtos brasileiros, o BC favorece o Pix em detrimento de empresas de serviços de pagamento americanas, como operadoras de cartão de crédito, ou a de que há um conflito de interesse na atuação simultânea do BC como regulador do setor e operador do sistema.
Ambos os sistemas possuem limitações de operação no exterior e só funcionam nos próprios países e entre contas nacionais.
A grande diferença de ambos é a integração: enquanto o Pix funciona em qualquer banco, fintech, cooperativas de crédito e instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central, o Zelle — que se pronuncia “Zéu” — está, segundo o site, restrito às instituições participantes do sistema, hoje com 2,4 mil instituições.
Enquanto a operação do Pix no Brasil é pública, operada e gerenciada pelo Banco Central desde sua estreia, em 2020, toda a infraestrutura do Zelle é gerida por instituições privadas.
O consórcio Early Warnign Services é quem administra as operações do sistema de transferências americano inaugurado em 2017. Essa companhia é controlada por grandes bancos dos EUA, como Bank Of America, JPMorgan e Wells Fargo.
O Zelle afirma que “tipicamente, não há taxas para quem recebe ou envia dinheiro” através do serviço, mas recomenda checar com a instituição a qual possui conta para verificar se há ou não cobrança de taxas.
O tempo entre as transações também é uma diferença entre os dois sistemas. O Pix tem a proposta de ser instantâneo, enquanto as transferências pelo sistema americano pode demorar “minutos”, segundo o portal do Zelle.
O Zelle também é limitado a pessoas físicas e transações entre pequenas empresas. Já o Pix também é utilizado no Brasil para recolhimento de impostos e contribuições pelo Tesouro Nacional e cobranças de faturas.
Transparente, o BC também divulga as informações de volume de transações mensais do sistema. Em maio, por exemplo, 170,8 milhões de brasileiros utilizaram o Pix, movimentando 2,95 trilhões de reais através de 7,1 bilhões de transações.
O cancelamento também é restrito. Enquanto aqui há o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que já está em sua segunda fase e que ajuda vítimas de fraude, o cancelamento das transferências via Zelle só é possível se o destinatário não tiver conta na rede cadastrada. Se houver, não há como cancelar.
Aqui, apesar de haver a possibilidade de tentar reaver o dinheiro enviado erroneamente, nada é garantido. Pelo MED, o estorno depende da existência de saldo na conta do recebedor. Nos aplicativos das instituições cadastradas já há mecanismos que permitem quem recebeu algum valor por engano a informar a instituição que não reconhece aquele valor.
BS20260605120013.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/06/05/o-que-e-o-zelle-entenda-as-diferencas-do-sistema-americano-em-relacao-ao-pix.ghtml

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