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Série documental do Globoplay relembra a vida pessoal e profissional de Preta Gil

Produção da Conspiração para o Globoplay, o primeiro episódio de “Meu nome é Preta” estreou nesta segunda-feira para relembrar e honrar Preta Gil, que morreu há exato um ano em decorrência de um câncer. Os próximos três episódios chegam à plataforma nas segundas subsequentes; a última parte fica disponível no dia 8 de agosto, quando Preta completaria 52 anos.
Dirigida por Mini Kerti, que conheceu Preta desde muito jovem e trabalhou com ela em produção e direção de videoclipes e comerciais publicitários, a obra ouviu 52 pessoas, entre familiares e amigos. Estão lá Sandra Gadelha e Maria Gil, mãe e irmã da artista; Gil e Flora; pai e madrastra; Francisco Gil e Otávio Muller, único filho e primeiro marido, respectivamente; além da atriz Alice Carvalho e o cantor Kanalha, que mantiveram relacionamentos amorosos com Preta em seus últimos anos de vida.
Abaixo, os melhores momentos do primeiro episódio de “Meu nome é Preta”, focado na infância e adolescência da artista.
Logo no início, ao contar o nascimento de Preta, em 1974, quando Gilberto Gil e Sandra Gadelha já estavam de volta ao Brasil depois do exílio em Londres, o músico assiste a uma entrevista antiga em que ele diz ter passado “oito dias chorando” após a chegada da filha ao mundo. “Depois, numa meditação mais profunda, numa análise mais calma, eu entendi que foi exatamente por causa das circunstâncias. Ou seja, ela era filha daquele tempo”.
“Concordo com tudo isso ainda hoje”, diz Gil, na sala de casa.
Na série, Gil dá entrevista sozinho, com Flora e também com Caetano Veloso, parceiro musical e grande amigo. Tio de Preta (Dedé, sua primeira esposa, era irmã de Sandra Gadelha), ele analisa por que ela foi o “tropicalismo encarnado”.
“Essa espontaneidade, a falta de preconceito, a atenção contra a autocensura… Isso era o tropicalismo encarnado”, diz Caetano.
Filha de Gil, sobrinha de Caetano e afilhada de Gal Costa. O primeiro episódio é repleto de imagens da cantora e a pequena Preta, inclusive com trechos de uma festinha de aniversário em que Gal passa o tempo todo com a criança no colo.
“Ela era muito amiga. Não tinha outra pessoa para chamar para ser madrinha a não ser a Gal”, diz Sandra.
A série mostra a caderneta escolar de Preta, que, segundo as irmãs, detestava estudar. Maria Gil, ao lado da mãe, lê as anotações, tipo “a aluna não compareceu ao teste de georgrafia por motivo de doença”.
“Você também passava a mão né, mãe, na cabeça?”, diz Maria.
Preta deu entrevistas ao longo da vida explicando que “detestava” a música “Drão”, feita pelo pai para a mãe dela na época em que se separaram. Mas, depois que virou cantora, passou a enxergar a beleza da canção, e imagens do primeira vez em que a ela canta “Drão” com o pai são um dos pontos altos do episódio.

A última vez que pai e filha cantam juntos também é destaque. Maria Gil e Sandra contam detalhes da aparição de Preta no Allianz Parque, no show dele de abril de 2025, meses antes de morrer.
“Ela estava cheia de dor. Fez questão de participar, mesmo com dor, saiu do hospital, basicamente, e foi. Acho que ela sabia que ia ser uma despedida”, diz Maria.
O racismo sofrido por Preta e pelos irmãos é tema de uma conversa entre as filhas de Gil e entre Maria e Sandra. Um episódio é contado entremeando a entrevista da mãe de Preta com o relato da própria, de anos atrás. Na época de escola, uma mãe impediu Maria de entrar no transporte escolar por causa da cor da menina. Sandra ficou sabendo e foi tomar satisfação. Preta viu a mãe chegando e diz ter pensado: “deu ruim”.
“Aí pronto, foi um Deus nos acuda. Eu peguei ela de porrada (risos)”, diz a mãe das meninas.
A diretora de “Quem ama cuida”, Amora Mautner, amiga de infância e colega de escola de Preta, contou sobre o momento em que a filha de Gil se apaixonou por uma menina e enfrentou uma professora que destilou homofobia em sala de aula ao dizer que “essa coisa (homossexualidade) era doença”.
“A Preta levantou a mãozinha e a professora: ‘Fala, Preta”, relembra Amora. “Ela logo deu uma explicação muito clara, que não me lembro exatamente, sobre o quanto aquela pessoa estava equivocada em ensinar algo tão louco. E ela disse: ‘o meu pai namora o pai da Amora, a minha mãe namora a mãe da Amora, e a gente namora’. Ela fala: ‘me dá um beijo’. E eu olho para ela e a gente dá um beijo. E no dia seguinte fomos expulsas da escola”.
BS20260721030105.1 – https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2026/07/21/oito-dias-chorando-festa-com-gal-costa-expulsao-da-escola-os-melhores-momentos-do-primeiro-episodio-de-meu-nome-e-preta.ghtml

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