ECONOMIA

Operadora Brisanet, que atua no Nordeste, fecha acordo para oferecer banda larga via satélite em todo o país

23 de outubro, 2026 | Por: Agência O Globo

Parceira na operação será a americana AST SpaceMobile, que tem satélites de baixa órbita

Brisanet, que oferece banda larga no Nordeste, fecha acordo com empresa americana para expandir operações — Foto: Divulgação

A operadora de telecomunicações Brisanet, que atua em cerca de 340 cidades do Nordeste, informou em fato relevante que assinou acordo comercial com a americana AST SpaceMobile para fornecer o serviço de banda larga celular móvel via satélite em todo o país. A parceria foi firmada conjuntamente com outras duas operadoras móveis regionais, a Unifique e a Iez! Telecom. A Brisanet tem ações negociadas na B3.

A tecnologia Direct-to-Device (D2D), que será utilizada, viabiliza chamadas de voz, tráfego de dados e streaming de vídeo diretamente em smartphones via satélite. Diferente dos modelos tradicionais de internet via satélite, a tecnologia da AST SpaceMobile dispensa o uso de antenas parabólicas específicas, aparelhos customizados ou a instalação de aplicativos adicionais por parte do consumidor.

Os satélites da AST (chamados BlueBirds) funcionam como “torres de celular no espaço”. Eles operam em órbita terrestre baixa (a poucas centenas de quilômetros de altura, variando entre 160 km e 2.000 km) facilitando a conexão com os celulares. Para isso, são equipados com antenas de comunicação grandes, que medem entre 64 m² e até 220 m² quando abertas no espaço.

“A parceria com a AST SpaceMobile complementa a nossa rede e nos permite levar conectividade para além do alcance da nossa infraestrutura terrestre, oferecendo aos clientes acesso a voz e banda larga móvel em mais lugares, com os smartphones que eles já possuem, garantindo à Brisanet um lugar no futuro da conectividade”, disse em nota José Roberto Nogueira, fundador e CEO da Brisanet.

O comunicado prevê que no modelo de negócios acordado, a Brisanet e suas parceiras disponibilizarão as radiofrequências da faixa de 700 MHz de que são detentoras após os leilões de 5G da Anatel. Em contrapartida, as teles brasileiras ficam encarregadas de realizar os investimentos em infraestrutura terrestre para interligar as suas redes móveis aos satélites de baixa órbita da AST.

Acordo ainda depende da Anatel

Os valores totais dos aportes financeiros, o cronograma definitivo de implantação e a divisão de custos operacionais entre as empresas envolvidas não foram revelados, já que os detalhes finais do contrato ainda seguem em negociação. A operação ainda está condicionada à obtenção de licenças e autorizações regulatórias da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), agência que fiscaliza e controla os serviços de telecomunicações no BrasilAnatel. Por isso, as companhias também não divulgaram preços, os formatos dos planos ou os pacotes comerciais que serão disponibilizados ao público em caso de aprovação.

De acordo com especialistas, com esse acordo, as operadoras regionais vão poder concorrer com empresas como Claro, Vivo e TIM, na oferta de banda larga nacionalmente, além de rivalizarem indiretamente com provedores de órbita baixa tradicionais como a Starlink. Especialistas avaliam que a vantagem da tecnologia Direct-to-Device é preencher os “vazios” de sinal das redes móveis terrestres.

Para a Brisanet, que oferece serviço de internet fixa por fibra óptica e telefonia móvel (4G e 5G), o satélite permitirá chegar a clientes de áreas rurais, e regiões mais remotas do país onde a empresa não possui torres físicas instaladas, expandindo sua cobertura.

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