DESTAQUE

Outubro Rosa: Câncer do colo do útero: prevenção e diagnóstico precoce podem salvar vidas

27 de outubro, 2026 | Por: Gabriel Silveira-Agência Saúde

Avanço na forma de rastreamento, teste molecular DNA-HPV passou a ser oferecido na rede pública de saúde do DF em março de 2026

A campanha Outubro Rosa projeta o olhar para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama e do câncer de colo do útero. O câncer de mama é o mais incidente na população feminina mundial e brasileira (excetuando-se os casos de câncer de pele não melanoma). Já o de colo de útero é prevenível na quase totalidade dos casos, pois está relacionada à diminuição do risco de contágio pelo Papilomavírus Humano (HPV). 

A realização de exames periódicos em pessoas que não apresentam sintomas é um dos pilares da estratégia de enfrentamento, com o objetivo de identificar o tumor em estágio inicial ou detectar lesões pré-cancerígenas. Recentemente, um avanço na forma de rastreamento do câncer de colo de útero foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) por meio do teste molecular para detecção de HPV oncogênico (DNA-HPV).
 

Realização de exames periódicos em pessoas que não apresentam sintomas é essencial enfrentamento ao cânceres de mama e de colo do útero. Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

 Na rede pública de saúde do Distrito Federal, o exame passou a ser oferecido de maneira progressiva em março de 2026. Hoje, todas as 59 Unidades Básicas de Saúde (UBS) das Regiões de Saúde Oeste e Sudoeste dispõem da novidade. Até setembro, mais de 9,2 mil procedimentos haviam sido realizados, principalmente, em mulheres entre 25 e 64 anos, a faixa etária padrão para esse rastreamento.

Maior proteção

O teste molecular de DNA-HPV é mais completo e efetivo, capaz de detectar 14 genótipos do HPV associados ao alto risco oncogênico. A tecnologia que permite identificar a eventual manifestação do tumor de forma antecipada, contribui para ampliação do tempo de tratamento e, assim, para maior expectativa de cura.

“O exame Papanicolau identifica a célula já em modificação, ou seja, quando o câncer já está instalado na célula do colo do útero. Enquanto o DNA-HPV é capaz de identificar o vírus causador da doença, antes que ela esteja manifestada”, explica a médica de Família e Comunidade da UBS 11 de Samambaia, Aline Dias.
 

Teste molecular de DNA-HPV é mais completo e efetivo, capaz de detectar 14 genótipos do HPV. Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

Aos poucos, o exame citopatológico Papanicolau passará a ser realizado apenas para confirmação de casos em que o teste DNA-HPV der positivo. “A coleta permanece sendo feita da mesma forma – é igual em ambos os exames. O que muda nesta nova tecnologia é a análise no laboratório”, destaca a médica.

A usuária do serviço de saúde na UBS 11 de Samambaia, Maria José Gomes, 59 anos, superou o medo que sentia do exame a partir do cuidado oferecido pelos profissionais da equipe de Saúde da Família. “Tinha muitos anos que eu não fazia exame de prevenção. O povo faz muito medo na gente; e, com o passar do tempo, a idade foi avançando e eu fiquei com vergonha”, relata a aposentada.
 

“Eu aconselho às mulheres que venham ao ‘posto de saúde’ fazer os exames de prevenção. É tão bom! Hoje eu me senti bem”, atestou Maria José Gomes. Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

Durante o evento em alusão ao Outubro Rosa, oferecido à população local juntamente com oferta de testes rápidos e imunizantes, a morada de Samambaia participou de palestra e realizou exame preventivo. “Eu aconselho às mulheres, àqueles que também tinham medo como eu, que venham ao ‘posto de saúde’ fazer os exames de prevenção. É tão bom! Hoje me senti bem”, atestou.

Prevenção

A transmissão da infecção pelo HPV ocorre por via sexual, por meio de lesões microscópicas na mucosa ou na pele da região anogenital. O uso de preservativos durante a relação sexual, portanto, protege apenas parcialmente do contágio pelo HPV.

Vacinar-se é a medida mais eficaz de prevenção. O imunizante é distribuído gratuitamente pelo SUS e, no DF, está disponível, de forma ampliada, até 31 de dezembro, para adolescentes de 15 a 19 anos que nunca receberam a vacina contra o HPV.
 

Transmissão da infecção pelo HPV ocorre por via sexual. Vacinar-se é a medida mais eficaz de prevenção. Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

Normalmente destinada a meninos e meninas de 9 a 14 anos, a dose está disponível em mais de 100 salas de vacinação da rede pública do DF. Atualmente, a taxa de cobertura da vacina no DF é de 85% e 70,8% da população feminina e masculina, respectivamente. A meta é alcançar 90% dos jovens ainda não vacinados.

Artigos Relacionados