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Expectativa recorde, em pesquisa da Anbima, de dependência da Previdência Social esbarra na realidade da folha de pagamento. Em junho, 69,1% dos benefícios pagos foram de um salário mínimo

A aposentadoria paga pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) nunca esteve tão no centro do planejamento financeiro do brasileiro. Uma pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) revela que 60% dos brasileiros ainda não aposentados esperam se manter na velhice com o benefício da Previdência Social.
Segundo o levantamento, 15% afirmam que seguirão trabalhando e viverão do próprio salário. Já 13% pretendem contar com aplicações financeiras e outros 11% não sabem de onde virá o dinheiro.
A previdência privada — justamente o produto desenhado para complementar o INSS — foi citada por apenas 5% dos respondentes.
O atual patamar (60%) dos que esperam se manter com aposentadoria é o maior porcentual já registrado na pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro, da Anbima. O aumento foi de três pontos percentuais na comparação à edição do ano passado.
Neste ano, a Anbima entrevistou 5.832 pessoas nas cinco regiões do país entre os dias 4 e 21 de novembro do ano passado.
Mesmo com a alta na expectativa de dependência no INSS, os números do INSS, confirmados ao EXTRA, mostram que a maior parte dos beneficiários recebem um salário mínimo, hoje em R$ 1.621.
Em junho deste ano, o instituto pagou 42,1 milhões de benefícios. Desse total, 29,1 milhões — 69,1% do total — foram depositados com o valor do piso nacional. Já o grupo que recebe o teto previdenciário, de R$ 8.475,55, é formado por 13.642 beneficiários, menos de 0,04% do total. O valor médio dos depósitos foi de R$ 2.124,72.
Vale frisar que, segundo a pesquisa da Anbima, 93% dos que já se aposentaram afirmam que o dinheiro para o sustento vem do INSS.
O outro lado dessa conta é de quem não consegue poupar para a velhice. O levantamento da Anbima revela que apenas 16% das pessoas que ainda não se aposentaram já começaram a formar uma reserva.
Na prática, 84% não começaram a guardar nada. Desse grupo, 57% dizem que ainda pretende começar a fazer a reservas financeiras. Outros 27% afirmam que não começaram nem pretendem começar.
A fragilidade aparece também no curto prazo. Um em cada três brasileiros (31%) não tem nenhuma reserva de emergência.
Entre os que têm algum dinheiro guardado, o fôlego financeiro costuma ser curto. Cerca de 20% disseram que conseguiriam se manter por no máximo um mês. Para 43%, os recursos se esgotariam em até seis meses. Apenas 26% aguentariam mais de seis meses com o que possuem de reserva.
O recorte por geração mostra que a intenção de poupar é alta entre os mais jovens, mas ainda não virou hábito. Na geração Z, formada pelos brasileiros de 16 a 29 anos, 66% dizem que ainda não começaram a formar reserva, mas pretendem começar. Apenas 12% das pessoas nessa faixa de idade já começaram a guardar dinheiro.
No extremo oposto estão os boomers, de 65 anos ou mais, que ainda não se aposentaram. Nesse grupo, 56% afirmam que não começaram e não pretendem começar a poupar para a aposentadoria.
Entre os millennials, que têm de 30 a 44 anos, 18% já iniciaram a reserva e 58% pretendem começar. Na geração X, faixa dos 45 aos 64 anos, os números são de 18% e 49%.
As faixas etárias são as adotadas pela própria Anbima na pesquisa, com as idades consideradas em 2025.
BS20260728100022.1 – https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/07/pesquisa-aponta-que-seis-em-cada-dez-brasileiros-esperam-se-manter-com-a-aposentadoria-do-inss-na-velhice.ghtml

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