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O poço Morpho está localizado a cerca de 175 km da costa do estado do Amapá, em profundidade de 2.886 metros

A Petrobras informou nesta sexta-feira que identificou a presença de hidrocarbonetos em poço exploratório em perfuração no bloco FZA-M-59, em águas profundas do Amapá, na bacia da Foz do Amazonas, na margem equatorial brasileira. A presença de hidrocarbonetos significa que foram encontrados indícios de petróleo ou gás natural.
O poço Morpho (1-BRSA-1405-APS) está localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do estado do Amapá, em uma profundidade de 2.886 metros. A licença para perfurar esse primeiro poço foi dada pelo Ibama em outubro do ano passado, após anos de espera.
— Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje. Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país– disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
Além desse primeiro poço, a Petrobras ainda aguarda a licença para mais três poços, segundo Magda, durante entrevista coletiva de resultados no início do mês. Na ocasião, a executiva disse que o resultado do primeiro poço é apenas o primeiro passo para ampliar o conhecimento sobre a região.
— Dando descoberta ou não, a conclusão é a mesma: a área é gigantesca e precisa de perfuração. O pontapé inicial é um poço pioneiro e mais três contingentes — afirmou Magda na ocasião.
Segundo a estatal, o intervalo portador de hidrocarbonetos foi constatado através de perfis elétricos e indicativos em rocha. “As operações de perfuração permanecem em curso, visando a continuidade da avaliação exploratória, de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas”, informou a empresa.
A Petrobras disse que a perfuração no bloco da Bacia da Foz do Amazonas está alinhada à estratégia da companhia de recomposição das reservas de petróleo e gás por meio da exploração em áreas de fronteira, visando ao atendimento à demanda nacional de energia durante a transição energética justa.
A Petrobras é a operadora do bloco e detém 100% de participação na área. O bloco foi adquirido na 11ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013, sob o regime de concessão.
O avanço da exploração de petróleo na Margem Equatorial, uma área de alta sensibilidade ambiental que vai do litoral do Amapá ao Rio Grande do Norte, é crucial para que a Petrobras consiga manter o seu nível de reservas. Segundo a estatal e especialistas, a expectativa é que a produção do pré-sal na Bacia de Santos entre gradualmente em declínio nos anos 2030. Atualmente, o pré-sal responde também por cerca de 80% das reservas provadas do país.
Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), lembrou que busca por novas áreas precisa acontecer imediatamente. Para ele, sem repor reservas, o Brasil corre o risco de voltar à posição de país importador de petróleo até o fim da próxima década.
— É uma notícia muito importante. É claro que ela é uma primeira notícia sobre a presença de petróleo e gás na Bacia Foz do Amazonas. Então, essa é a relevância da notícia. E isso prova a teoria geológica de que ali há hidrocarbonetos e permite que você, então, continue todo o trabalho exploratório.
Ardenghy destacou que ainda é preciso fazer ainda todo o trabalho de avaliação dessa descoberta, como o tamanho do reservatório, as características, a porosidade, a qualidade do óleo, a relação petróleo-gás.
— Então, são elementos que vão direcionar o plano de desenvolvimento dessa reserva. E isso, muitas vezes, você é obrigado a fazer, inclusive, mais perfurações. Uma perfuração não vai te dar o tamanho do reservatório.
Pedro Rodrigues, sócio da consultoria CBIE, lembra que o anúncio vem depois de mais de dez anos para obter a licença de perfuração do primeiro poço em águas ultraprofundas na região. Segundo ele, a companhia conseguiu comprovar que existe petróleo na região. Mas ele também pondera é que é preciso perfurar mais poços para determinar qual é o volume e como é o campo.
Rodrigues afirma, no entanto, que ainda há um longo caminho tanto do ponto de vista ambiental como para determinar o volume da área até o início da produção.
O apetite pela Bacia da Foz do Amazonas começou a ganhar força após Guiana e Suriname, países vizinhos do Brasil e contíguos à Margem Equatorial, terem feito descobertas de grandes reservas de petróleo, o que reforçou nos últimos anos a expectativa de depósitos petrolíferos relevantes também no lado brasileiro.
No Brasil, se forem confirmadas as projeções da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), o petróleo da região pode ampliar em mais de 50% as reservas provadas do país. A Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, é uma das cinco bacias que integram a Margem Equatorial no Brasil. Apenas uma dessas cinco bacias, a Potiguar, já tem exploração de petróleo.
O pedido de licenciamento foi iniciado em 2014. Em 2020, a Petrobras assumiu o bloco todo ao comprar a participação da BP, que desistiu do projeto por não conseguir o aval do órgão ambiental.
Por ser uma área ambientalmente sensível, a licença do Ibama para a Bacia da Foz do Amazonas só foi concedida após o cumprimento de várias exigências, como a construção de centros de reabilitação e despetrolização de fauna, estruturas dedicadas ao resgate e ao tratamento de animais marinhos em caso de incidentes.
BS20260814215026.1 – https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2026/08/14/petrobras-descobre-petroleo-na-bacia-da-foz-do-amazonas.ghtml

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