POLÍTICA

Planalto e campanha de Lula silenciam sobre contrato enviado por amiga de Lulinha à ex-chefe de gabinete de presidente

19 de agosto, 2026 | Por: Agência O Globo

Investigação da PF aponta relação entre Marcola e empresária amiga de filho de Lula

Presidente Lula –  Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A campanha de Lula e o Palácio do Planalto preferiram não se manifestar sobre os desdobramentos da investigação da Polícia Federal (PF) envolvendo o ex-chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Conforme revelou o GLOBO, mensagens obtidas pela PF mostram que ele recebeu um modelo de contrato para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, com dispensa de licitação. O documento foi enviado pela empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Procurados para comentar o caso, tanto o Palácio do Planalto, quanto a comunicação da campanha de Lula não responderam aos contatos da reportagem.

As investigações da PF em relação às fraudes no INSS avançam em meio ao início da corrida eleitoral de Lula. A associação de Marcola e Lulinha ao caso se tornou um ponto de vulnerabilidade para a campanha à reeleição.

Mensagens de Whatsapp obtidas pelas autoridades mostram que o ex-chefe de gabinete recebeu o contrato na época que a empresária Roberta Luchsinger tentava fazer negócio com a pasta, o que não ocorreu, em meio à eclosão do escândalo dos descontos indevidos na Previdência.

Marcola confirmou a interlocutores que recebeu o material, mas disse que não o encaminhou. A defesa da empresária afirmou que o processo está sob sigilo e não vai se manifestar.

Devido à proximidade com integrantes do governo, Roberta foi contratada por Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, preso pela PF sob a suspeita de desviar recursos de aposentadorias e pensões do INSS. A empresária recebeu R$ 1,5 milhão do Careca do INSS em cinco parcelas de R$ 300 mil, de acordo com a investigação.

O trabalho dela previa viabilizar a venda de canabidiol ao Ministério da Saúde, para que fosse disponibilizado no SUS. Interlocutores de Marcola afirmam que ele reconheceu que o recebimento do documento foi “inadequado”, mas que não houve favorecimento no caso.

A mensagem enviada por Roberta a Marcola consta em uma das investigações envolvendo a empresária e o filho do presidente que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Lulinha é investigado em três inquéritos por suspeita de tráfico de influência no governo.

A relação de Marcola com Roberta também está na mira das investigações, e é citada em inquérito pelo fato de ela ter repassado dinheiro, pago boletos e comprado presentes que seriam dados por Marcola — entre eles, duas joias que ele pediu para presentear familiares no Dia das Mães de 2024, conforme revelou o colunista Lauro Jardim.


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