POLÍTICA

Possível nomeação de Pacheco ao STF será o primeiro teste da dobradinha entre o governo Lula e o Centrão

28 de outubro, 2026 | Por: Agência O Globo

Lula precisa fechar acordo com Davi Alcolumbre, que defende ex-senador na Corte, antes da chegada de nova bancada

Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco no Senado Federal — Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Nas próximas semanas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi reeleito, já terá que enfrentar um desafio no Congresso. O petista vai precisar fechar um acordo sobre a vaga que está aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) desde o fim do ano passado, com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

Após ter visto o seu indicado, o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, ser rejeitado pelo Senado em março deste ano e diante de um cenário de crescimento da bancada do PL, que terá mais de um terço das cadeiras da Casa a partir do ano que vem, Lula vai precisar correr contra o tempo para chegar a um acordo com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que deseja emplacar o ex-presidente do Senado e atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Rodrigo Pacheco, na vaga.

Um dos principais defensores do nome de Pacheco no Supremo é o ministro do STF Gilmar Mendes, que já fez inclusive deferências públicas à indicação. Além do decano, ministros avaliam em conversas reservadas que a indicação do parlamentar passou a ser uma possibilidade mais concreta. Para eles, a escolha representaria também um importante aceno de Lula ao Senado, especialmente ao presidente Davi Alcolumbre.

A avaliação é que a indicação de Pacheco poderia ajudar o governo a reconstruir pontes com o Congresso em um momento de dificuldades na relação entre os Poderes. O ex-presidente do Senado mantém boa interlocução com ministros do Supremo e com diferentes grupos políticos no Legislativo.

Lula ainda não sinalizou a Alcolumbre quem vai indicar para o cargo. A articulação pela indicação de Pacheco também conta com o apoio de senadores governistas do MDB e do PSD, mas parlamentares do PT aguardam a orientação do presidente Lula.

— Tudo zerado sobre esses temas. Em breve (terá alguma decisão sobre a vaga), mas o tempo é do presidente — afirmou a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE).

Segundo análise de aliados de partidos de centro de Lula, o presidente dificilmente conseguirá repetir o que fez com as escolhas de Flávio Dino e Cristiano Zanin e emplacar aliados próximos na Corte e que vai ter que dar mais peso nas indicações a aliados fora do PT.

Indicação até fevereiro

Esses mesmos aliados dizem que Lula deve aproveitar o cenário atual, em que o PL ainda não tem os 28 senadores que vai possuir a partir de fevereiro, para tentar um acordo por Pacheco.

O nome do ex-presidente do Senado é visto como o que mais tem capacidade de reunir apoios das bancadas de esquerda, centro-direita e setores da direita.

O líder do PSB no Senado, Cid Gomes (CE), que foi colega de partido de Pacheco, avalia que ele tem preparo para o cargo:

— Eu considero o Rodrigo um nome com todas as credenciais para o STF.

A avaliação de integrantes da Corte é a de que as chances do ex-senador e atual ministro do TCU aumentaram significativamente nos últimos dias, em meio às articulações para a escolha do próximo ministro.

Se confirmado, Pacheco se somaria à ala pró-Alexandre de Moraes dentro do tribunal. Moraes tem sido alvo de questionamentos internos dentro da Corte por conta do caso Master, movimento capitaneado pelo ministro André Mendonça, aliado do bolsonarismo.

Mesmo assim, o acordo para o ex-senador não é simples. Além de Lula ser convencido a abrir mão de indicar um nome de seu entorno próximo, Alcolumbre também vai ter que convencer a oposição.

Ainda que tenha sido derrotado na eleição presidencial para Lula, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e outros aliados dele na Casa Legislativa têm criticado Alexandre de Moraes e resistem a ver aprovado o nome de Pacheco, que fortaleceria o ministro do STF, considerado inimigo político pelo bolsonarismo por acumular relatorias de casos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados.

Além de persuadir o PT, o presidente do Senado vai precisar convencer PL e setores oposicionistas do União Brasil, PP, e Republicanos para garantir o aliado na Corte. Por outro lado, o chefe da Casa Legislativa terá como forma de tentar convencer uma parte desses grupos que resistem ao nome de Pacheco para o cargo de ministro do STF mostrar que uma cadeira do TCU ficará vaga caso o ex-senador vá para o Supremo.

A expectativa nos bastidores é a de que a escolha seja anunciada em breve, mas ainda há dúvidas sobre quem será o indicado.

BS20261028090906.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/10/28/pacheco-no-stf-e-primeiro-teste-da-dobradinha-governo-centrao.ghtml

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