Preocupação com corrupção avança pela segunda pesquisa Quaest consecutiva após crise do Supremo e caso Master
14 de setembro, 2026
| Por: Agência O Globo
22% da população cita o tema como principal temor sobre o país
A estátua da Justiça, na sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasília — Foto: Antonio Augusto/STF
Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira mostra que a preocupação do eleitorado com a corrupção avançou no país pela segundo levantamento consecutivo após a crise do Supremo Tribunal Federal (STF) e os desdobramentos mais recentes do caso Master.
Na pesquisa desta semana, 22% da população classificou a corrupção como a maior preocupação sobre o Brasil. Em 7 de setembro eram 20%. Já na pesquisa de 2 de setembro, era a resposta de 14% do eleitorado.
O levantamento é contratado pelo Grupo Globo. A pesquisa foi cadastrada junto à Justiça Eleitoral com o código BR-03607/2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, e a taxa de confiança é de 95%.
Crise no STF
O plenário do STF inicia na próxima terça-feira, em sessão pública, julgamento para decidir se abre ou não uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Os ministros estarão reunidos para se debruçar sobre o documento o relatório da Polícia Federal (PF) enviado incialmente ao ministro André Mendonça que lista um conjunto de 52 mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes.
Os diálogos foram registrados nas semanas que antecederam a primeira prisão do banqueiro e a liquidação da instituição financeira, duas medidas que Vorcaro tentou a todo custo impedir, acionando autoridades dos três Poderes da República.
Os dez ministros da Corte (um posto continua vago) irão avaliar se essas informações configuram indícios mínimos para instaurar uma apuração contra o colega de toga. Caso o pedido seja aprovado, será a primeira vez na história que um integrante do STF será alvo de investigação.
As conversas em questão mostram Vorcaro pedindo ajuda a Moraes para “bloquear” e “desarmar” ações contra ele e orientações sobre se deveria ou não deixar o país. Não é possível saber o que o ministro do STF respondeu a ele, porque Moraes utilizava mensagens de visualização única (que se apagam após serem lidas). Se for instaurada, a apuração tende a esclarecer essa lacuna com o depoimento de testemunhas, cruzamento de informações e outras diligências.
Queda de sigilos
Em meio à crise entre ministros do STF, o presidente da Corte, Edson Fachin determinou a retirada do sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master, ordem acatada por Mendonça. Entre os casos que já foram liberados, estão apurações sobre Flávio Bolsonaro com a produtora do filme sobre Jair Bolsonaro “Dark Horse”, Ciro Nogueira, Jaques Wagner e Cláudio Castro. Essas decisões, porém, resguardam o sigilo de diligências em andamento e peças processuais cuja publicidade possa, eventualmente, atrapalhar as investigações.
Em outra frente, o ministro Flávio Dino ordenou no domingo a retirada do sigilo de outro processo do caso Dark Horse, relacionado ao suposto mau uso de emendas parlamentares para financiar o longa.
Veja abaixo o que foi liberado:
Outros desdobramentos: procedimentos envolvendo personagens ligados ao entorno do caso, como Thiago Miranda, além de apurações derivadas das operações financeiras investigadas.
Dark Horse: processo sob relatoria de Flávio Dino trata sobre investigação iniciada pela Polícia Civil de São Paulo sobre o destino de emendas indicadas pelo deputado Mário Frias (PL-SP) a intitutos ligados a Karina Gama, produtora da cinebiografia de Jair Bolsonaro.
BRB e Banco Master: tentativa de compra do Master pelo BRB, suspeitas de fraudes em carteiras de crédito, operações com a Tirreno, atuação de dirigentes e bloqueios de bens e imóveis relacionados às transações.
Operação Compliance Zero e Daniel Vorcaro: inquérito central, prisões e outras medidas cautelares, sequestro de patrimônio, delação, pedidos da defesa e documentos extraídos do celular do banqueiro.
“A Turma”, Sicário e hackers: investigações sobre pessoas e grupos ligados a Vorcaro, com quebras de sigilo, prisões e outras diligências, além das apurações envolvendo Sicário.
Banco Central: procedimentos sobre a atuação do BC no caso Master, incluindo apurações e sindicâncias envolvendo dirigentes da instituição.
Fundos de Previdência: investigações sobre operações envolvendo o RioPrevidência e o regime próprio de Previdência de Maceió.
Will Bank: desdobramentos da liquidação da instituição e suas relações com o grupo Master.
Políticos: diferentes procedimentos envolvendo Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira, Jaques Wagner e Cláudio Castro, incluindo o núcleo da produtora Dark Horse no caso de Flávio, em caso ora relatado André Mendonça.