ECONOMIA

Prévia da inflação fica em 0,32% em outubro, puxada por alta dos alimentos

23 de outubro, 2026 | Por: Agência O Globo

Resultado é uma desaceleração em relação ao mês anterior. Energia foi o principal item que conteve a alta do indicador, pois houve mudança da bandeira amarela para verde

Preço dos alimentos puxa resultado da prévia da inflação em outubro – Foto: Valter Campanato/ABr

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, subiu 0,32% em outubro. O resultado foi puxado principalmente pela alta no preço dos alimentos. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira IBGE.

O resultado é uma desaceleração em relação a setembro, quando o indicador subiu 0,70%. Com isso, o IPCA-15 acumula alta de 4,15% no ano e de 4,62% em 12 meses, acima do teto da meta de inflação. O número veio abaixo da expectativa do mercado financeiro. Trinta casas ouvidas pelo Valor Data estimavam alta de 0,44% para o índice.

O avanço de 0,88% no grupo de Alimentação e bebidas contribuiu com a alta no índice. Contribuíram para a alta o aumento no preço do tomate (24,5%), da cebola (13,6%), da batata inglesa (10,9%) e do arroz (5,8%). Os preços da alimentação fora do domicílio também subiram, alta de 0,56% ante setembro.

Já o grupo de transportes ficou praticamente estável, em ligeiro avanço de 0,05%, apesar do forte recuo das passagens aéreas. O preço do voo caiu 9,24% no mês, em detrimento da valorização dos combustíveis: o óleo diesel subiu 3,7%; o etanol avançou 2,73% e a gasolina subiu 0,92%.

Por outro lado, o grupo Habitação apresentou queda de 0,1%, especialmente no item energia elétrica, que havia registrado alta de 7,42% em setembro. Neste mês, a energia caiu 0,89%, com a mudança da tarifa amarela para verde. Nesta última, não há cobrança adicional para os clientes na conta de luz, como ocorre nas bandeiras amarela e vermelha.

Setembro foi um mês muito chuvoso, o que permitiu recompor os níveis de hidrelétricas. Isso evita que o Operador Nacional do Sistema (ONS) acione térmicas, cuja produção de energia é mais cara.

O grupo de despesas pessoais, que subiu 0,55%, foi impulsionado pela alta de 4,3% nos ingressos de cinema, teatro e concertos, pela alta de 2,18% em pacotes turísticos e ligeiro avanço de 0,62% no custo de empregado doméstico.

Na avaliação de Claudia Moreno, economista do C6 Bank, as chuvas que contribuíram para a redução da conta de luz ajudou a pressionar o custo dos alimentos. A irregularidade impactou as lavouras e, para ela, contribuiu para o avanço “maior do que a habitual para esta época do ano” na categoria.

Na avaliação de Matheus Pizzani, economista do PicPay, o comportamento da inflação ainda segue desafiador diante do comportamento incerto do câmbio e da intensidade do El Niño. Para ele, o dólar tende a seguir volátil diante da recepção do resultado do processo eleitoral e de fatores internacionais, como o comportamento dos juros nas principais economias, enquanto o fenômeno climático deve contribuir com um processo inflacionário natural na classe dos alimentos, como o sazonal aumento da demanda e o ciclo do boi.

Na avaliação de Basiliki Litvac, economista da XP, “a combinação de demanda doméstica resiliente e condições ainda apertadas do mercado de trabalho segue pressionando os componentes mais inerciais da cesta”. A casa tem previsão para a inflação de 5,1% neste ano, sob uma Taxa Selic em dezembro de 13,25%.

Nos dois meses anteriores, o acumulado em 12 meses do IPCA-15 havia ficado abaixo do teto da meta: em agostoi foi de 4,24% e, em setembro, 4,47%. O BC trabalha com uma meta contínua de inflação, com alvo em 3% e intervalo de tolerância de 1,5 ponto para mais ou menos (entre 1,5% a 4,5%).

BS20261023124102.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/10/23/previa-da-inflacao-fica-em-032percent-em-outubro-puxada-por-alta-dos-alimentos.ghtml

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