Proximidade com Mario Frias, moradora da periferia, filme sobre Bolsonaro: quem é Karina Gama, alvo de operação policial em SP
2 de junho, 2026
| Por: Agência O Globo
Operação deflagrada nesta segunda mira suspeitas de irregularidades em contratação do Instituto Conhecer Brasil para instalar pontos de Wi-Fi na cidade
Karina Gama e o deputado Mario Frias, durante diplomação no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), em dezembro de 2022 — Foto: Reprodução/Instagram
Moradora da Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, Karina Ferreira da Gama, de 47 anos, nunca havia produzido um filme antes de “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Sua experiência principal era no terceiro setor, mas nos últimos anos ela passou a firmar contratos de cifras altas com a prefeitura de São Paulo, diversificou os negócios e abriu uma holding em Aracaju. Tudo isso coincide com uma aproximação com o deputado federal Mário Frias (PL-SP).
Foi Frias quem emplacou a Go Up Entertainment como a produtora do filme sobre o ex-presidente. Em 2022, Karina prestou serviços de assessoria de imprensa para a campanha do deputado, pelo valor de R$ 54 mil. Na diplomação do deputado, esteve ao seu lado e de sua família, e os dois chegaram a posar juntos para fotos.
A parceria dos dois, que se conheceram em 2020, quando ele era secretário de Cultura de Bolsonaro, se refletiu também nas emendas do parlamentar, que enviou R$ 2 milhões para o Instituto Conhecer Brasil. Uma das emendas destinou-se à capacitação de adultos e adolescentes em “letramento digital” para o ensino digital a alunos de 4º e 5º anos de escolas públicas municipais, e a outra para implementação do projeto de artes marciais “Lutando pela Vida”, em São Paulo.
Nesta segunda-feira (1º), o endereço residencial de Karina e a sede de sua ONG Instituto Conhecer Brasil e da produtora Go Up foram alvos de busca e apreensão no âmbito de uma operação deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo, que apura suspeitas de irregularidades na contratação da ONG pela gestão Ricardo Nunes (MDB). Frias reagiu à operação contra a aliada, disse que ela “não ficará sozinha” e disse que ela é “humilde, honesta e trabalhadora”. “Confiamos irrestritamente nela. Karina está sendo usada politicamente. Tudo será amplamente explicado”, disse à coluna Bela Megale.
Em fevereiro deste ano, Karina também abriu uma holding, a Gama Participações LTDA, em Aracaju (SE), com capital social de R$ 100 mil, que tem ela como única sócia. Ela também virou sócia da Upcon Serviços Especializados LTDA, uma construtora, que tem sede em Salvador (BA).
Com a sua ONG Instituto Conhecer Brasil, ela conseguiu firmar um contrato de R$ 108 milhões com a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT), em 2024, para instalar 5 mil pontos de Wi-Fi em vias públicas da cidade. Não foi o único contrato público que ela angariou: a mesma entidade firmou um convênio de R$ 300 mil com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos para fazer projetos de ensino profissionalizante de maquiagem para mulheres de baixa renda da Zona Leste da capital, em 2024.
O GLOBO procurou Karina para comentar sobre a operação desta segunda, e não recebeu resposta. A Prefeitura de São Paulo, por sua vez, nega irregularidades na contratação da ONG para implementação de pontos de Wi-Fi e disse que está colaborando com as investigações.