POLÍTICA

PT considera inviável trio de esquerda ao Senado em SP e confia em Lula para evitar racha no PSB

11 de junho, 2026 | Por: Agência O Globo

Disputa por vagas entre ex-ministros Simone Tebet e Márcio França causa desconforto no partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, e ala já defende resolver impasse na convenção estadual da sigla

O presidente Lula e o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo – Foto: Marcelo Camargo/ABr

Enfraquecido por recados internos do presidente Lula de que prefere tê-lo como candidato a vice-governador na chapa do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), o ex-ministro do Empreendedorismo Márcio França (PSB) dobrou a aposta na candidatura a senador por São Paulo. Aliados dizem que ele pode levar a decisão para voto no prazo das convenções partidárias — cenário que favoreceria o político, com trânsito no interior, contra a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB), novata no partido e na política paulista.

O PT, contudo, ainda acredita numa resolução pacífica ao “bom problema”, nas palavras de Haddad, mas que na prática causa desconforto do grupo de França com uma ala mais jovem do PSB, notadamente a deputada federal paulista Tabata Amaral. Há alguns dias, a parlamentar declarou em público que o adiamento da definição prejudica a campanha. Ela foi uma das principais articuladoras da vinda de Tebet para a sigla, com direcionamento claro ao Senado. Outra opção para a disputa é Marina Silva (Rede), ex-ministra do Meio Ambiente.

Neste ano, os eleitores renovam duas cadeiras em cada estado. Existe uma percepção geral de que, para ser competitiva, a chapa precisa apresentar apenas dois nomes, e não três, de modo a não pulverizar os votos. Na direita, há três pré-candidatos bolsonaristas correndo justamente esse risco: os deputados federais Guilherme Derrite (PP) e Ricardo Salles (Novo) e o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL). Destes, apenas Derrite e Prado contam com apoio declarado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Articuladores do PT têm dito nos bastidores que não acreditam na possibilidade de alguém investir numa “carreira solo” em São Paulo, apresentando-se como candidato ao Senado à revelia de Lula e assim congestionando o campo da esquerda. A previsão é compartilhada inclusive por Haddad, segundo apurou O GLOBO com pessoas próximas do ex-prefeito da capital paulista. Eles depositam a confiança no presidente para encaixar as peças. Um político influente brinca que, após essa etapa, todos devem aparecer de mãos dadas ao lado dele, e com entusiasmo.

Tebet trocou de partido (do MDB para o PSB) e de domicílio eleitoral (do Mato Grosso do Sul para São Paulo), segundo ela, a pedido do próprio Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), para concorrer especificamente ao Senado. Até poucas semanas atrás, era considerada a candidata mais consolidada do campo, o que resultou em uma espécie de rali interno entre Márcio França e o grupo de Marina Silva (Rede), que, por sua vez, investe no discurso de pluralidade na distribuição das vagas; pois contemplaria também o PSOL e tem apoio do PDT.

Recentemente, porém, França passou a colocar em dúvida o plano original de Tebet. Em entrevistas, afirmou que o presidente Lula não pediu a Tebet para ser candidata a senadora, e sim para “colaborar com o grupo”. O objetivo é redirecioná-la para vice de Haddad. Numa demonstração de força, o tesoureiro do partido, com direito a R$ 152 milhões do fundo eleitoral este ano, o ex-governador alinhou, no último dia 27, diretriz da executiva nacional do PSB que apresenta sua candidatura ao Senado como prioritária, assim como a da ex-ministra.

A posição teria sido levada a Lula pelo presidente do PSB, João Campos, marido de Tabata. E alimentou rumores sobre a possibilidade de a sigla manter uma dupla independente ao Senado, mesmo coligada ao PT na corrida ao governo de São Paulo. O tal “voo solo”.

O entorno de França também passou, nos últimos dias, a propagar a tese de que a chapa Haddad-Tebet já sai do papel com bons slogans, entre eles a dupla que “fez a economia voltar a crescer”, “sentou o IR para quem ganha até R$ 5 mil” e “cobrou mais dos mais ricos”. Há um certo apego ainda a declarações anteriores de Haddad de que preferiria uma mulher para candidata a vice. Mas isso esconde o fato de que, se a escolha fosse mesmo a de Tebet, seria considerada mais uma frustração do que uma conquista política.

— O fiel da balança significa o projeto de reeleição do presidente Lula nessa ampla concertação de uma frente ampla em que o colégio eleitoral que vai decidir a eleição nacional é São Paulo. E eu, Marina e Márcio temos essa consciência — declarou Tebet, em entrevista ao “Direto ao Ponto”, da Jovem Pan. A ex-ministra espera que a definição ocorra em 10 dias, mas admitiu que o processo “pode se arrastar”.

Haddad entende que a esquerda ter três nomes ao Senado é “legalmente possível, mas não politicamente desejável”. Isso porque, de acordo com integrantes do PT, a interpretação da Justiça Eleitoral deve entender que uma coligação ao governo do estado não constitui barreira para os demais cargos. Ou seja, na avaliação do partido, o petista deve ter acesso ao tempo de propaganda em rádio e TV e a outros recursos eleitorais do PSB, como eventual apoio financeiro e material de campanha conjunto, de qualquer modo.

Aliados de Marina aumentaram a confiança na consolidação da ex-candidata à Presidência ao Senado em São Paulo após Lula expressar internamente ter simpatia pela ideia de França como vice-governador. “Alguém do PSB vai ser vice do Haddad”, aposta um quadro do PSOL.


BS20260611030057.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/11/pt-considera-inviavel-trio-de-esquerda-ao-senado-em-sp-e-confia-em-lula-para-evitar-racha-no-psb.ghtml

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