PT pede a Motta que PL fique de fora de bloco partidário na Câmara para isolar partido de Flávio Bolsonaro
29 de outubro, 2026
| Por: Agência O Globo
Presidente da Casa não se comprometeu, mas garantiu que consultará todos os partidos caso houver novos pedidos para integrar grupo
Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta no Palácio do Planalto — Foto Mario Agra Câmara dos Deputados
A bancada do PT na Câmara pediu a Hugo Motta (Republicanos-PB) que o PL fique fora do bloco partidário que apoia a recondução do parlamentar à frente da Câmara, num movimento para isolar o partido de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A iniciativa ocorre após o crescimento expressivo da legenda no Congresso, que terá a maior bancada na Câmara (121 deputados) e no Senado (28 senadores).
O pedido foi feito em reunião dos petistas com Motta na terça, que sacramentou o apoio da legenda à recondução do parlamentar. Com a adesão do PT, o bloco —que reúne também parlamentares de União Brasil, PP, PSD, MDB, Republicanos, PSDB, Cidadania, Podemos, Solidariedade, PRD, PDT, PC do B, PSB e PV— terá uma base de 361 deputados, suficiente para reeleger Motta na presidência (são necessários 257 votos de 513). Na prática, no entanto, como a votação é secreta, o apoio desses partidos a Motta não garante uma adesão total, mas o parlamentar sai de largada com uma base robusta.
De acordo com relatos, após o pedido do PT, Motta não garantiu que deixará o PL fora da aliança, mas afirmou que todas as siglas que estão no bloco serão consultadas antes da entrada de outra legenda. Dois petistas afirmam, sob reserva, que o pedido do PT é quase como um veto ao partido de Flávio. Um deles diz ainda que a fuga do candidato derrotado para os Estados Unidos e a divulgação de uma carta de teor golpista, que foi rapidamente rechaçada por partidos —até mesmo siglas que apoiaram o senador na disputa pela Presidência— aumenta as chances de isolar o PL na Casa. Nos bastidores, lideranças de partidos do centro têm apoiado que o PL fique de fora da composição.
O partido de Flávio saiu fortalecido das urnas, enquanto o Centrão perdeu espaço. Desde o resultado das eleições, os partidos passaram a atuar para enfraquecer e diminuir a influência da sigla na Câmara. Na quarta, Motta se reuniu com presidentes de partidos do centro e anunciou um acordo para aprovar uma reforma no sistema eleitoral que diminua a força dos chamados “puxadores de votos”, além de indicar que trabalhará para alterar o Código Eleitoral e incluir uma regulação da propaganda eleitoral nas redes sociais e plataformas.
Um aliado de primeira hora do presidente da Câmara diz ainda que o PL e lideranças da sigla foram injustas com Motta nos últimos dias, e que cabe ao partido buscar o deputado, e não o contrário. Após sair na frente no primeiro turno, Flávio disse a lideranças do Centrão que não apoiaria a recondução de Motta caso ele fosse eleito chefe da República e pediu sugestões de outros nomes do grupo (o que foi rejeitado). Isso porque Motta se aproximou do presidente da República, declarou apoio público a Lula e participou de atos a favor do petista no estado, usando boné vermelho com o nome do presidente e fazendo o gesto do “L”.
Há também queixas no entorno do parlamentar que ficaram contrariados com a ofensiva de lideranças do PL que passaram a buscar pessoalmente deputados do Centrão em busca de apoio para uma candidatura própria e mirando desidratar Motta. O líder do partido na Casa, Sóstenes Cavalcante (RJ), se colocava como candidato, mas recuou após Flávio perder as eleições. O deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), atual vice-presidente da Câmara, é cotado também caso o PL mantenha a intenção de disputar o comando da Casa.
Caso o PL fique de fora do bloco, o partido (que tem a maior bancada) poderia ser prejudicado nas questões internas do dia a dia legislativo —seja no espaço da Mesa Diretora como nas composições das comissões. Além disso, Motta não teria compromisso de privilegiar a sigla na divisão das emendas parlamentares nem na relatoria de propostas de interesse.