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Quase metade dos usuários de canetas emagrecedoras diz ter ingerido menos bebidas alcoólicas durante o tratamento

4 de novembro, 2026 | Por: Agência O Globo

Pesquisadores alertam para o risco de conclusões precipitadas sobre a inclusão desses medicamentos entre os já aprovados para tratar o transtorno por uso de álcool

Descoberta surgiu a partir de uma pesquisa sobre a subutilização de medicamentos indicados para tratar o transtorno por uso de álcool
Descoberta surgiu a partir de uma pesquisa sobre a subutilização de medicamentos indicados para tratar o transtorno por uso de álcool — Foto: Reprodução/ Magnific

Um estudo da Universidade de Harvard mostrou que quase metade dos consumidores de bebidas alcoólicas que utilizaram medicamentos da classe GLP-1 — aqueles desenvolvidos para tratar diabetes e obesidade — relataram uma redução no consumo de álcool. Publicado na revista JAMA Psychiatry, o trabalho surgiu a partir de uma pesquisa sobre a subutilização de medicamentos indicados para tratar o transtorno por uso de álcool.

Segundo o site Medical Press, durante a pesquisa começaram a surgir relatos sobre a redução da vontade de beber entre pacientes que utilizavam o medicamento. À medida que se multiplicavam e o efeito sobre os indivíduos se tornava mais claro, os professores Haiden Huskamp e Alisa Busch, quiseram compreender melhor o fenômeno em nível populacional.

“Queríamos realmente entender a percepção dos pacientes sobre esse assunto, e uma grande parcela das pessoas que tomam GLP-1s dizem que estão bebendo menos”, afirmou Huskamp.

O estudo entrevistou o American Life Panel da RAND – um grupo de adultos dos Estados Unidos que respondem a questionários pela internet – entre março e abril de 2026. Dos 2.009 participantes da pesquisa, 368 relataram uso atual ou passado de GLP-1s e 242 afirmaram que consumiam bebidas alcoólicas quando começaram a tomar o medicamento.

Dos que relataram consumir álcool enquanto estavam em tratamento com o medicamento, 44,2% (106 pessoas), disseram que consumiram menos. Os demais não relataram nenhuma mudança e três afirmaram que beberam mais.

De acordo com o site, a pesquisa também incluiu uma pergunta de triagem para o consumo nocivo de álcool: se em algum momento do ano passado o entrevistado havia ingerido quantidade suficiente para ser considerada consumo excessivo de álcool – considerando quatro doses para mulheres e cinco para homens, de acordo com os Institutos Nacionais de Saúde.

Os autores definiram esse grupo como usuários de GLP-1 com risco de consumo excessivo de álcool e descobriram que 54,1% deles relataram beber menos, 40,2% disseram que não houve mudança e 5,7% (três pessoas) estavam bebendo mais.

“Como todas as evidências eram anedóticas quando começamos este estudo, era difícil saber o que esperar. Mas descobrir que cerca de metade dos usuários de GLP-1 que bebem relataram redução no consumo de álcool após iniciarem a medicação é bastante impressionante”, revelou Huskamp.

Os pesquisadores também alertaram para o risco de conclusões precipitadas sobre a inclusão desses medicamentos entre os já aprovados para tratar o transtorno por uso de álcool. Isso porque o estudo avaliou o consumo potencialmente prejudicial de bebidas alcoólicas, e não o diagnóstico do transtorno. Além disso, a análise não apresentou dados sobre a intensidade da redução no consumo de álcool.

“Não estávamos testando a eficácia dos GLP-1 na redução do consumo de álcool. Precisaríamos de um ensaio clínico randomizado para isso. Estávamos tentando entender, em uma população com maior risco de consumo nocivo de álcool, se há diferença na experiência de consumo de álcool em comparação com indivíduos que apresentam resultado negativo no teste”, disse Busch.

Outra descoberta relevante, segundo o Medical Press, foi o baixo nível de conhecimento sobre a possível relação entre o uso de medicamentos GLP-1 e a redução do consumo de álcool. Apenas 10% dos entrevistados afirmaram já ter ouvido falar que esses medicamentos podem diminuir a ingestão de bebidas alcoólicas. Questões mais profundas sobre a potencial utilidade dos medicamentos para reduzir o consumo de álcool aguardam os resultados de ensaios clínicos — alguns dos quais já começaram — concebidos para responder a essas questões.

“As provas ainda não existem, mas será muito interessante acompanhar o desenrolar dos acontecimentos nos próximos dois anos. Há julgamentos em andamento. Não espero que demore muito para que mais evidências comecem a surgir”, disse Huskamp.

BS20261104160126.1 – https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/11/04/quase-metade-dos-usuarios-de-canetas-emagrecedoras-diz-ter-ingerido-menos-bebidas-alcoolicas-durante-o-tratamento.ghtml

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