
PL aciona o TSE pela segunda vez para tentar barrar pesquisa presidencial
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Aliados do presidenciável ainda não conseguiram emplacar imagem de ‘conciliador’ do pré-candidato

A campanha do presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, demonstrou preocupação com o revés sofrido entre eleitores da direita não identificados com o bolsonarismo. Pesquisas mostram uma redução significativa do apoio desse grupo e também uma queda entre eleitores considerados independentes.
Apesar disso, interlocutores da campanha do pré-candidato do PL avaliam que não haverá mudanças nas principais frentes de atuação. Eles dizem, por exemplo, que a previsão é que a estratégia de enfrentamento ao Supremo Tribunal Federal (STF) continuará a ser usada.
Depois que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a proibição de que Flávio visite o ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador passou a recuar de uma postura mais conciliatória que vinha adotando nos últimos meses e aumentou as críticas a Moraes e ao Supremo como um todo.
Aliados de Flávio dizem que a postura combativa é importante para tentar emplacar um discurso político de que o bolsonarismo está sendo perseguido pelo Poder Judiciário. Também falam que não faria sentido deixar de criticar medidas tomadas pelo STF que restringem a atuação da campanha de Flávio.
Por outro lado, aliados do senador avaliam que isso não significa que o presidenciável vai abrir mão de um estilo conciliador, que ele tentou imprimir nos primeiros meses quando foi lançado como pré-candidato.
A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira, mostra que Flávio perdeu boa parte do apoio da direita não bolsonarista. Em maio, 74% dos identificados com esse campo político apoiavam o filho “zero um”; agora, são 54%.
A ideia tem sido centrar as críticas em Moraes, mas ao mesmo tempo apelar para uma tentativa de diálogo institucional com a Corte quando necessário, como quando o senador se reuniu em maio com o presidente do STF Edson Fachin.
Também há uma preocupação em atrair a centro-direita e a campanha ainda mira em alianças com partidos desse espectro político. Ainda que o Republicanos tenha sinalizado uma neutralidade, aliados de Flávio buscam acordo para atrair a sigla e sinalizar que a candidatura irá além do bolsonarismo.
Flávio também aposta em propostas para mulheres e em medidas contra o endividamento para atrair uma parcela da população que não está vinculada ideologicamente com o bolsonarismo.
— Flavio é bolsonarista, de direita, mas é um bom articulador no Senado e de diálogo. Não fugirá do seu perfil. Sabe ouvir, mas sabe defender suas posições. Aceita sugestões e pergunta interagindo — disse o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), que vai concorrer à reeleição e dará palanque para Flávio no Rio.
Há também uma aposta em uma proximidade com a cúpula do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que tem os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, ambos indicados por Jair Bolsonaro, como presidente e vice, para tentar institucionalmente fazer uma contraparte ao STF.
Isso aconteceu, por exemplo, com a sugestão de Nunes Marques de criar uma taxa de acertos de pesquisa de intenção de voto.
A pesquisa também mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente na corrida pelo Planalto entre os eleitores independentes. Na simulação de primeiro turno, o petista aparece com 30% das intenções de voto no segmento, contra 15% de Flávio. A margem de erro é de 4 pontos percentuais.
Apesar da preocupação, outra parte dos aliados de Flávio minimizam e tentam descredibilizar o levantamento. O próprio senador compartilhou uma postagem nas redes sociais criticando a pesquisa.
BS20260716030011.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/16/queda-de-flavio-na-direita-nao-bolsonarista-causa-apreensao-mas-campanha-nao-abre-de-ofensiva-contra-o-stf.ghtml

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