‘Quem tem que prestar contas não sou eu’, diz Flávio Bolsonaro sobre filme Dark Horse
25 de agosto, 2026
| Por: Agência O Globo
Em compromisso de campanha na Fiesp, Flávio afirma que já prestou contas sobre o filme e fez acusações sobre as relações de Daniel Vorcaro com o governo Lula
Flávio Bolsonaro – Foto Lula Marques/ Agência Brasil
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira, em evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que a prestação de contas sobre os gastos do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, já teria sido feita nos autos da investigação. A fala ocorreu no mesmo dia em que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino autorizou a Polícia Federal (PF) a acessar dados de uma operação da Polícia Civil de São Paulo contra a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo longa.
Questionado sobre informações de que sua campanha teria decidido deixar a divulgação detalhada dos gastos a cargo da própria produtora, recuo em relação à promessa feita em maio, quando Flávio disse que a prestação de contas sairia em até 30 dias, o candidato negou qualquer mudança de posição:
— Não teve recuo de nada. Eu vi a prestação de contas na imprensa, dizendo que a produtora gastou mais até do que recebeu de investimento. A prestação de contas foi feita dentro da investigação que está acontecendo em São Paulo, e a própria imprensa vazou. Vocês publicaram, não fui eu.
Jair Bolsonaro é interpretado por Jim Caviezel em ‘Dark Horse’ — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil — Reprodução
Ele não apresentou novos documentos sobre a origem dos recursos do filme e devolveu a cobrança ao governo Lula, sem detalhar as acusações que fez em seguida.
— Quem tem que prestar contas não sou eu, é o Lula que tem que prestar contas. Ele que tem que prestar contas porque está fazendo uma reunião escondidinha com Augusto Lima e Vorcaro, prometendo que ia facilitar a vida dele e do Banco Master — afirmou o candidato.
A decisão de Dino permite à PF usar material apreendido em junho pela Polícia Civil paulista em operação contra Karina Ferreira da Gama, sócia da Go Up e presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização sob suspeita de fraude em contrato com a Prefeitura de São Paulo.
Dino é relator, no STF, de um inquérito que apura se emendas parlamentares, entre elas R$ 2 milhões destinados pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP), roteirista de “Dark Horse”, ao ICB, teriam sido usadas para financiar indiretamente a produção. O caso corre em paralelo a outro inquérito, aberto em julho pelo ministro André Mendonça, que apura os repasses do banqueiro Daniel Vorcaro para custear o filme.
Voto direto no primeiro turno
Flávio também comentou a ausência no primeiro debate presidencial da campanha, promovido por Band e Estadão neste domingo. O candidato disse que não assistiu o programa, afirmou não considerar Caiado, Zema, Renan Santos e Cury adversários e pediu que eleitores desses candidatos migrem o voto para ele já no primeiro turno.
— Eu não entendo que eles são meus adversários. Inclusive, eu quero pedir a todos aqueles que estão votando neles hoje que levem em consideração votar já no Flávio Bolsonaro no primeiro turno, porque tenho certeza de que todo mundo que está escolhendo esses candidatos, o Zema, o Caiado, o Renan, o Augusto Cury, ninguém aguenta mais o PT. Então eu peço a todos que considerem: votem naquele que tem capacidade de derrotar o Lula.
O candidato foi perguntado se sua equipe teria procurado a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), propondo uma espécie de pacto pela reeleição em troca de maior engajamento dele na candidatura presidencial. Flávio negou. disse ter confiança na vitória já no primeiro turno e afirmou contar com o apoio de Tarcísio, de vereadores aliados e de candidatos a deputado federal de partidos da base aliada.
— Não, não aconteceu. Da minha parte, pelo menos, não. Falo com o governador a qualquer momento, ele me liga a qualquer momento também. Eu tenho um pacto com ele, sim, que é de resgatar o nosso Brasil.