
Lula chega ao G7 e se reúne com presidente da Suíça para debater minerais críticos e inteligência artificial
Chefe do Executivo já tem encontros previstos com Macron e a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi

Nova composição privilegia alimentos frescos, mais sujeitos à variação de safra e clima, enquanto a desoneração tributária só começa a valer em 2027

Em 2024, o governo federal estabeleceu uma nova composição para a cesta básica. O objetivo da atualização da lista de alimentos considerados essenciais era orientar políticas públicas para garantir a saúde dos brasileiros, como a regulamentação, no ano seguinte, do “Imposto zero” para a cesta. A medida, no entanto, previa um período para as empresas se adaptarem e começa a valer em 2027.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, a nova lei vai zerar os impostos de itens essenciais como arroz, feijão, carnes, farinha de mandioca, farinha de trigo, açúcar, macarrão, pão comum, leite e diversos tipos de queijo. Além desses, também foram incluídos na lista: café, óleo de babaçu, frutas, legumes, verduras e ovos.
Mas a diminuição da carga tributária será gradual, até 2033, quando o novo IVA Dual (composto pelo IBS e CBS) será isento nos itens da cesta básica. Isso porque a Reforma Tributária o criou a fim de substituir, aos poucos, os atuais tributos ISS, ICMS, IPI, PIS e Cofins. Mas a extinção deles não acontecerá ao mesmo tempo.
— Mesmo que comece a vigorar agora em janeiro de 2027, não significa que os consumidores vão ter um abatimento muito grande no preço final dos produtos, porque nesse primeiro momento da Reforma Tributária, a maior parte da alíquota que vai compor ainda os bens de cesta básica são do ICMS e ISS — explica Rafael Barros Barbosa, pesquisador do FGV Ibre.
Segundo Barbosa, ainda não há estimativas de quanto serão barateados os produtos no próximo ano e ao fim da aplicação da medida.
A mudança na própria lista de alimentos que compõe a cesta básica, definida em 2024, pode ser outro fator de pressão sobre os preços. Para Ricardo Hammoud, economista e professor da FGV, a nova cesta passou a privilegiar produtos in natura e minimamente processados — como feijões, leguminosas e frutas — em detrimento dos ultraprocessados, e é justamente nesse ponto que mora um risco de alta.
— Nessa nova composição há uma maior presença de alimentos não ultraprocessados, que têm maior volatilidade e tendem a ter um aumento de preço maior. Com menos alimentos ultraprocessados e mais alimentos in natura, isso vai fazer com que o preço dessa cesta suba — afirma Hammoud.
Segundo o economista, os alimentos frescos dependem de uma cadeia de fatores que escapam ao controle do varejo: o preço do diesel e da gasolina, a logística de transporte, a safra e até as condições climáticas. Já os ultraprocessados permitem ganhos de escala e novas técnicas de produção, com um incremento de custo menor. Por isso, dar mais peso aos itens in natura empurraria a conta para cima — embora ainda não seja possível cravar o quanto.
— A gente não sabe ainda quanto vai subir, porque não foi passado ainda no peso — pondera, em referência à definição do peso de cada produto dentro da cesta, ainda em aberto.
A Reforma Tributária prevê outros mecanismos voltados às famílias de baixa renda. O principal é o cashback, sistema de devolução de parte dos impostos pagos em itens essenciais, como o gás de cozinha. Segundo o MDS, a medida deve alcançar 94 milhões de pessoas e 41 milhões de famílias inscritas no Cadastro Único.
A reforma também isenta de tributos a agricultura familiar: produtores rurais, cooperativas e associações com faturamento anual inferior a R$ 3,6 milhões ficam dispensados do novo IVA, além da desoneração de itens como sementes, biofertilizantes e bioinsumos.
Se de um lado a reforma zera tributos sobre os essenciais, de outro cria o Imposto Seletivo — apelidado de Imposto do Pecado —, que incide sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. No setor de alimentos e bebidas, a principal mira são as bebidas açucaradas, como refrigerantes e energéticos.
Para Leandro Rosadas, especialista em gestão de supermercados, o efeito sobre o varejo deve ser significativo.
— O primeiro efeito é o aumento do preço desses produtos, o que pode reduzir o volume consumido por parte da população. O segundo ocorre dentro da própria operação do supermercado, que precisará revisar precificação, promoções, estoque e mix de produtos — afirma.
O encarecimento, observa Rosadas, atinge um segmento em que os refrigerantes ainda têm peso relevante no faturamento. Ao mesmo tempo, ele enxerga uma oportunidade: a medida pode acelerar a procura por opções com menos açúcar e itens percebidos como mais saudáveis. Na ponta, quem sente o efeito é o consumidor.
— Quem mantiver os mesmos hábitos de consumo deverá gastar mais para adquirir os mesmos produtos — diz.
Em um orçamento já pressionado, segundo ele, a tendência é o consumidor migrar para marcas mais econômicas, reduzir quantidades ou buscar substitutos — comportamento que, no fim, redesenha o carrinho de compras.
BS20260614073018.1 – https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/06/reforma-tributaria-cesta-basica-tera-imposto-zero-mas-pode-ficar-mais-cara-aponta-especialista.ghtml

Chefe do Executivo já tem encontros previstos com Macron e a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi

Recomendação é que itens fabricados em janeiro e fevereiro ainda não sejam usados até que a agência de manifeste sobre análises feitas por laboratórios

Convidado pela França, brasileiro deve marcar posição contra novo tarifaço, mas não houve pedido de reunião com presidente dos Estados Unidos

Expectativa de inflação subiu pela 14ª semana seguida, para 5,3%
