ECONOMIA

Representante de exportadores de café fala em audiência nos EUA sobre tarifas: ‘otimismo com moderação’

7 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Entidade defendeu a inclusão do café solúvel na lista de exceções às tarifas e afirma que integrantes do USTR demonstraram maior compreensão dos impactos sobre a indústria americana

Representantes do governo brasileiro, de entidades empresariais e da sociedade civil participaram nesta segunda-feira de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) para discutir a proposta de aplicação de tarifas e outras medidas comerciais contra o Brasil.

A audiência faz parte da investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento da legislação americana que permite ao governo dos EUA retaliar países cujas políticas sejam consideradas injustificadas, discriminatórias ou prejudiciais ao comércio americano.

Prédio do Capitólio em Washington — Foto: Magnific

Nesta etapa, o USTR ouve empresas, especialistas e associações antes de elaborar sua recomendação final sobre a adoção das medidas propostas.

O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, avalia que a audiência pública sobre a investigação da Seção 301 teve um ambiente mais técnico e favorável ao Brasil do que o observado em setembro do ano passado. Segundo ele, representantes de áreas como agricultura, comércio, Tesouro, trabalho e saúde participaram da sessão, elevando o nível das discussões.

— O ambiente foi muito diferente daquele que enfrentamos em setembro do ano passado. As perguntas foram mais técnicas, mais específicas e mais aprofundadas — afirmou.

Matos diz que o Brasil foi amplamente defendido por entidades nacionais e por representantes da indústria americana, resultado do trabalho realizado ao longo dos últimos meses para aproximar os dois setores.

Na audiência, o Cecafé defendeu a manutenção da isenção tarifária para o café verde e para o café torrado e moído, além da inclusão do café solúvel na lista de exceções. A entidade argumentou que o produto é um insumo importante para a indústria americana, que o utiliza na fabricação de bebidas prontas para consumo e outros produtos de maior valor agregado.

— A gente mostrou que o café solúvel brasileiro gera valor para a indústria americana, ajuda a manter a estabilidade de preços ao consumidor e beneficia diferentes segmentos do mercado nos Estados Unidos.

Na avaliação de Matos, a postura dos integrantes do USTR indicou maior abertura para compreender os impactos econômicos das medidas propostas, especialmente sobre a cadeia produtiva americana.

— Existe uma janela de oportunidade. É um otimismo com moderação, mas hoje há um contexto que não existia no ano passado.

Após a audiência, as entidades terão cinco dias para enviar documentos complementares, caso considerem necessário reforçar algum ponto apresentado. Em seguida, o USTR dará sequência à elaboração da recomendação final da investigação da Seção 301


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