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Contenda entre os dois petistas teve início após fala do prefeito de Maricá sobre o caso Marielle e envolve denúncias mútuas apresentadas ao Conselho de Ética do partido

Um dos vice-presidentes nacionais do PT e prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá, afirmou que vai denunciar nesta semana a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, ao Conselho de Ética do partido. O episódio representa um novo capítulo no embate entre os dois petistas. Em janeiro, Anielle também afirmou que denunciaria Quaquá ao mesmo colegiado por declarações do prefeito a respeito do assassinato de sua irmã, a vereadora Marielle Franco. Na época, ela classificou a fala do correligionário como “repugnante e contrária à postura do próprio governo e do partido”.
O dirigente diz ter encontrado indícios de que a correligionária foi responsável pela indicação de um suposto funcionário fantasma em Maricá durante a gestão passada. Anielle, por sua vez, nega qualquer irregularidade.
Quaquá relata ter sido avisado sobre a contratação de um funcionário fantasma a pedido de Anielle. Segundo ele, ao investigar o caso, descobriu que o indicado agia como um “consultor” de um projeto do ministério enquanto era nomeado na cidade.
— Na esquerda e na direita essa gente virou santo de bordel. Isso tem tirado a credibilidade da política. Vou entrar com pedido na Comissão de Ética nesta semana e mostrar ao PT todos os indícios que já tenho — disse Quaquá ao Globo.
O funcionário citado por Quaquá é Alex da Mata Barros, lotado na autarquia Serviços de Obras de Maricá (Somar). Ele foi admitido no cargo no município em 01/06/2021 e deixou a posição de assessor especial no primeiro dia de 2025. O Globo não conseguiu localizar Barros para comentar a denúncia.
Quaquá afirma que o servidor prestou serviços para o ministério de Anielle no período em que atuava na secretaria municipal. Ele foi contratado como consultor do Projeto Gente Negra “Reconstrução e Desenvolvimento” em maio de 2024.
Procurada, a pasta pontuou que a vaga de consultor foi oferecida pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (Banco CAF). “Esclarecemos que a ministra Anielle Franco não realizou indicações nem para a prefeitura, nem para a vaga de consultor oferecida pelo CAF”, destaca a nota.
Ainda de acordo com o ministério, “o edital de seleção foi elaborado seguindo os critérios e padrões internacionais informados pelo banco”. “O edital foi devidamente divulgado pelo site do Ministério da Igualdade Racial para conhecimento público e foram analisados currículos e propostas de candidatos que se inscreveram”, prossegue o texto, acrescentando que “os selecionados têm experiência e capacidade técnica compatíveis com o cargo e prestam serviços conforme suas expertise e currículos”.
Em janeiro, Anielle disse que acionaria o Conselho de Ética do PT contra Quaquá após uma postagem do prefeito ao lado de familiares de Domingos e Chiquinho Brazão. Os dois políticos foram presos no ano passado acusados de serem os mandantes da execução de Marielle e do motorista Anderson Gomes.
Na ocasião, também em seus perfis nas redes sociais, a ministra da Igualdade Racial havia pedido para Quaquá “tirar o nome” da irmã “da boca”. Anielle ainda classificou como “inacreditável” ver pessoas “se aproveitarem e usarem” o caso Marielle “sem qualquer responsabilidade”.
Na segunda-feira, Quaquá voltou a tratar do tema. Ele disse que defende “não apenas a inocência dos irmãos Brazão”, mas que acredita que o “processo é absurdo e sem provas”.
— Para surfar na onda da irmã assassinada, como sempre fez, ela quis me denunciar, pedindo absurdamente uma Comissão de Ética por crime de opinião — disparou Quaquá.

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