ECONOMIA

Retomada de tarifaço de Trump atingiria 35,2% das exportações do Brasil para os EUA, estima CNI

15 de junho, 2026 | Por: Agência O Globo

Levantamento considerou a balança comercial de 2024 e as sobretaxas sugeridas por investigações comerciais do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR)

Área de movimentação de contêineres – Foto: Fejuz / Unsplash

Se o governo Donald Trump for mesmo adiante na retomada das sobretaxas sobre as exportações do Brasil para os EUA, como resultado de investigações comerciais com base na seção 301 da Lei de Comércio, 35,2% das vendas, em valor, de produtores brasileiros para importadores americanos seriam afetadas, estima um estudo divulgado nesta segunda-feira pela CNI.

No início do mês, o escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) divulgou seu relatório sobre uma investigação administrativa sobre as práticas comerciais do Brasil, aberta em julho de 2025 — por causa de supostas práticas injustas, como favorecimento ao Pix em detrimento da prestação de serviços de multinacionais americanas de meio de pagamento ou a taxação das importações de etanol.

Esse relatório sugere a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre os produtos enviados do Brasil, embora com uma longa lista de exceções. O relatório é parte do processo de investigação — atualmente, corre um período de consultas públicas e ainda haverá uma audiência, em Washington. Só depois disso a Casa Branca decide se acata a sugestão do USTR.

Em paralelo, corre outra investigação com base na seção 301, sobre uso de trabalho forçado na indústria. Esse processo atinge a todos os países, não apenas o Brasil.

Hoje, boa parte das exportações brasileiras para os EUA está sujeita a uma tarifa mínima de 10%, imposta em fevereiro, com base numa nova fundamentação jurídica, após a Suprema Corte americana considerar inconstitucional uma parcela relevante do tarifaço.

Conforme uma lista de exceções, há bens isentos. Outra parte, como aço e seus derivados, tem tarifa de 25%, conforme outro dispositivo da Lei de Comércio, a seção 232.

Para estimar o impacto de possível nova taxação de 25%, com base nas investigações comerciais, a CNI considerou os dados da balança comercial de 2024. No ano retrasado, antes Trump voltar ao poder, a relação comercial resultava num superávit para os EUA, mas as exportações brasileiras também iam bem, na comparação com a série histórica.

Já em 2025, as vendas do Brasil para o mercado americano foram atingidas em cheio pelo tarifaço. A decisão da Suprema Corte e a retomada da taxação mínima de apenas 10% foi, portanto, um alívio para os exportadores nesta ano, na comparação com o ano passado.

Considerando o cenário de 2024, 31,6% do total de exportações (cerca de US$ 13 bilhões), em valor, estariam sujeitos a sobretaxas das duas investigações comerciais. Uma parcela menor, de 3,6% (US$ 1 bilhão) do valor total, estaria sujeita apenas a sobretaxas da investigação sobre trabalho forçado.

Com esses dois grupos, as exportações brasileiras de 2024 sujeitas a sobretaxa subiria 54,1% do total.

Isso porque 18,9% (ou US$ 8 bilhões) seguem sujeitos à tarifa adicional de 25% sobre os setores de aço e alumínio — aço e seus derivados são um item importante da pauta de exportações do Brasil para os EUA, com multinacionais da indústria siderúrgica utilizando operações combinadas, em que as unidades brasileiras mandam materiais para serem finalizados em fábricas americanas.

Os mais impactados

Tanto que os produtos de exportação mais atingidos, com uma sobretaxa de 37,5%, seriam, conforme a pauta de 2024:

Ferro gusa não ligado;

Açúcar de cana em forma sólida;

Sebo não comestível;

Álcool etílico não desnaturado;

Molduras de madeira padrão de pinho.

Os produtos de exportação mais atingidos, com uma sobretaxa de 12,5%, seriam, conforme a pauta de 2024:

Minério de ferro e concentrados, pelotas aglomeradas;

Lajes de quartzito;

Óleos essenciais de frutas cítricas de laranja;

Silício;

Pasta de madeira química, sulfato ou soda, graus para dissolução.

Segundo o levantamento da CNI, considerando as duas investigações comerciais, a taxação setorial sobre aço e alumínio, 45,9% do valor das exportações de 2024 (em torno de US$ 19 bilhões) seguiriam sem tarifas adicionais.


BS20260615140915.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/06/15/retomada-de-tarifaco-de-trump-atingiria-352percent-das-exportacoes-do-brasil-para-os-eua-estima-cni.ghtml

Artigos Relacionados