
Juros médios para as famílias sobem e atingem 64,1% ao ano, aponta Banco Central
Endividamento alcançou 49,8% em maio

Especialista explica que o dinheiro se junta ao saldo já existente do Fundo de Garantia na conta e pode ser usado para quitar, reduzir parcelas ou abater o parcelas pendentes da casa própria

A Caixa Econômica Federal deverá fazer o depósito de parte do lucro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) nas contas dos trabalhadores até a semana que vem. O valor pode ser usado para amortizar, diminuir as próximas prestações e até liquidar as parcelas finais do financiamento de imóveis. Confira como funciona e quando vale a pena usar esse recurso.
A instituição financeira aguarda apenas a publicação no Diário Oficial da União da resolução do Conselho Curador que aprovou a distribuição de R$ 13,042 bilhões do resultado auferido pelo Fundo em 2025 entre os cotistas para liberar o crédito aos trabalhadores.
O prazo para o depósito nas contas vinculadas ao FGTS termina em 31 de agosto, mas a Caixa deve antecipar o pagamento, que é automático. O valor a ser rateado representa 89% do lucro apresentado pelo FGTS no ano passado, que foi de R$ 14,7 bilhões.
Com a distribuição do lucro, o rendimento total do FGTS em 2025 chega a 6,90% — acima da inflação medida pelo IPCA, que fechou o ano em 4,26%. Descontada a inflação, o ganho real fica em torno de 2,53%.
— O Fundo de Garantia é remunerado por uma taxa fixa de 3% ao ano mais a variação da TR. Em 2025, somando os 3% com a TR, isso dá 5,03%. Com a distribuição do lucro, que gira em torno de 1,87% sobre os saldos, essa remuneração passa para 6,90% — explica Danilo Jusan, reitor do Ibmec-RJ e especialista em Finanças.
O ponto mais importante, segundo Danilo Jusan, é entender que o lucro não é um recurso separado, disponível para qualquer finalidade. Ele se soma ao saldo que o trabalhador já tem na conta vinculada e só pode ser usado nas hipóteses previstas em lei para o FGTS.
— O lucro se junta com o saldo. Se o trabalhador tem um saldo pequeno, o impacto do lucro é maior proporcionalmente. Mas normalmente, na hora de usar, a Caixa usa o saldo e o lucro juntos — explica o especialista.
Segundo Danilo Jusan, quem já tem um financiamento pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) — modalidade que usa recursos do próprio FGTS, como os financiamentos feitos pela Caixa — pode usar o saldo do Fundo de três formas:
Nesse caso, o trabalhador usa o saldo para pagar as prestações mais distantes, diminuindo a quantidade de parcelas restantes. O valor cobrado mensalmente não muda, mas o contrato termina antes.
— Quando você paga as últimas parcelas, você paga menos juros e reduz o prazo do financiamento. — explica Danilo Jusan.
Para amortizar as próximas 12 prestações, é possível repetir a operação no final desse período.
— Quando chegar no final de um ano, se você quiser fazer essa mesma operação, pode fazer de novo, porque entraram 12 novos depósitos — diz.
Essa opção permite que o trabalhador use o saldo para reduzir em até 80% o valor pago mensalmente ao longo de um ano, sem alterar nem o número de parcelas. Para esse uso, é necessário respeitar o intervalo mínimo de dois anos entre utilizações
— Imagina quem comprou um imóvel, gastou todo o dinheiro e não tem como quitar as próximas prestações. Essa pesso pode usar o saldo do Fundo de Garantia para amortizar as 12 próximas parcelas e dar um alívio financeiro nesse momento da sua vida — explica Danilo Jusan.
Nessa modalidade, o trabalhador usa o valor para reduzir o total que ainda deve ao banco. Nesse caso, mantém-se o número de parcelas restantes, mas o valor de todas as parcelas cai. Isso porque o banco recalcula a dívida com base no novo saldo. O intervalo mínimo de dois anos entre utilizações também é aplicado nesse caso.
Para utilizar o FGTS em uma nova compra de imóvel residencial, é necessário atender alguns requisitos de localização da propriedade e limites de compras anteriores
— O imóvel precisa estar localizado no mesmo município de residência, trabalho ou onde o contrato de trabalho está registrado. — diz o especialista.
O trabalhador também não pode ter outro financiamento imobiliário ativo dentro desse mesma cidade ou em um raio de até 100 km.
De acordo com o especialista, o imóvel tamém precisa ter finalidade residencial:
— É permitido comprar para alugar depois, mas não é permitido usar o FGTS para adquirir imóvel comercial.
Já os requisitos de renda para aprovação do crédito são definidos pelo banco.
Para Danilo Jusan, a conta principal que deve ser feita é de comparação do rendimento do FGTS com o custo do financiamento. Hoje, segundo ele, o Fundo rende cerca de 6,9% ao ano, enquanto financiamentos imobiliários dificilmente saem por menos de 9% a 10% ao ano na Caixa. Já em bancos privados podem chegar a 15% ao ano.
— Se o dinheiro está rendendo 6% e o financiamento custa 9%, faz sentido usar o FGTS para amortizar, porque o trabalhador está pagando uma dívida mais cara com um recurso que rende menos — diz o especialista.
A exceção fica por conta de financiamentos antigos com taxas de juros muito baixas — abaixo do próprio rendimento do FGTS —, casos em que a conta pode não compensar.
Outro ponto de atenção, segundo Jusan, é lembrar que o FGTS também funciona como uma reserva de emergência do trabalhador, usada em casos de demissão sem justa causa ou aposentadoria. Por isso, o economista recomenda não usar a totalidade do saldo de uma só vez e, se possível, manter algum dinheiro guardado em uma aplicação líquida, que pode ser resgatada rapidamente em caso de necessidade.
— Minha recomendação é nunca usar todo o recurso. É importante manter uma reserva estratégica para situações mais complexas, como uma demissão — orienta.
Quem está desempregado e tem saldos retidos em contas de empregos anteriores também pode usar o FGTS normalmente para amortizar ou quitar financiamento. Nesse caso, segundo o especialista, a operação costuma valer ainda mais a pena, já que esse dinheiro só poderia ser resgatado integralmente ao se aposentar.
A parcela do lucro creditada na conta é incorporada ao saldo e só poderá ser retirado nas modalidades previstas em lei, como demissões sem justa causa, compra da casa própria, aposentadoria ou casos de doenças graves.
Todos os trabalhadores que tinham saldo no Fundo de Garantia em 31 de dezembro de 2025 vão receber uma fatia do lucro do FGTS. O valor será proporcional ao saldo existente nesta data. Assim, por exemplo, quem tinha R$ 10 mil em 31 de dezembro de 2025, vai ganhar agora R$ 186,83.
A consulta do saldo pode ser feita pelo site da Caixa ou pelo aplicativo do FGTS no celular. Veja como fazer:
Passo 1: Baixe o aplicativo FGTS, para iOS ou Android
Passo 2: Selecione a opção “Cadastre-se” se for seu primeiro acesso
Passo 3: Preencha com o CPF e os demais dados solicitados, como nome completo, data de nascimento e e-mail. Cadastre uma senha de acesso, que deve conter apenas números. Para finalizar, clique no botão “não sou um robô”.Em seguida, você vai receber um e-mail para confirmar o cadastro
Passo 4: Após finalizar o cadastro, abra o aplicativo e informe o CPF e a senha cadastrada. Após o login, aparecerão algumas perguntas adicionais. Basta responder. Por fim, leia e aceite as condições de uso do aplicativo, clicando em concordar. Em seguida, basta acessar o saldo.
Passo 5: Para saber o valor do seu saldo em 31 de dezembro de 2025, data de referência para o repasse do lucro que será feito este mês, clique em “confira suas contas”. Em seguida, “ver extrato” e cheque o valor do saldo em dezembro de 2025.
Não. O dinheiro será depositado na sua conta do Fundo e só poderá ser retirado nas condições previstas:
para comprar casa própria;
para se tratar de doença grave;
se for demitido sem justa causa;
se tiver aderido ao saque-aniversário.
Esses recursos vão engordar seu saldo, o que significa que, na próxima vez que o trabalhador fizer um resgate autorizado pela lei, ele terá um valor maior à sua disposição.
Em 2024, o STF decidiu que as contas do FGTS não podem ser corrigidas somente pela Taxa Referencial (TR). Com a decisão, o saldo deve ser corrigido conforme a inflação medida pelo IPCA.
Segundo a decisão do STF, nos anos em que a correção do fundo não acompanhar a inflação caberá ao Conselho Curador determinar a forma de compensação. Em 2021, por exemplo, a correção das contas foi de 5,83% – a fórmula de cálculo resultou em 3%, mais a distribuição dos resultados. Naquele ano o IPCA ficou em 10,06%.
BS20260729213304.1 – https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/07/saiba-como-usar-o-lucro-do-fgts-para-diminuir-divida-de-financiamento-de-imovel.ghtml

Endividamento alcançou 49,8% em maio

Dado considera pagamentos em atraso de famílias e empresas

Usuários dos planos Free e Go terão de ver publicidade nas pesquisas, mas é possível aumentar a privacidade

Plataforma reúne certidões e comprovantes de diferentes áreas, como Cadastro Único, da Justiça Eleitoral e relacionados à saúde
