SAÚDE

‘Setembro Verde’: doação de órgãos tem 45% de recusa familiar no Brasil; entenda como funciona a fila de transplantes

2 de setembro, 2026 | Por: Agência O Globo

Mês de conscientização sobre a doação de órgãos reforça a importância de falar sobre o desejo de doar; quase 50 mil pessoas aguardam um órgão no país

‘Operação transplante’ acompanha a saga de quem aguarda na fila para um órgão — Foto: Divulgação

Não há dúvidas que o transplante de órgãos salva vidas. Entretanto, a doação ainda é o principal entrave para aumentar o número de transplantes realizados no país. Embora o Brasil tenha batido o recorde de transplantes de órgãos e tecidos em 2025, cerca de 45% das famílias não autorizam a doação, um entrave para reduzir as longas filas. O dado marca a chegada do Setembro Verde, mês de conscientização sobre a doação de órgãos.

Para a médica Patrícia Almeida, hepatologista pela Sociedade Brasileira de Hepatologia e doutora pela Universidade de São Paulo (USP), conversar sobre o desejo de ser doador e explicar como os transplantes são organizados são passos importantes para ampliar o conhecimento da população.

No Brasil, a retirada de órgãos após o falecimento depende exclusivamente da autorização dos familiares (até o segundo grau), independente de a pessoa ter deixado essa vontade formalizada em algum documento, por exemplo. Por isso, é fundamental falar abertamente sobre o assunto com a família. O diálogo aumenta a chance de que o desejo do doador seja atendido.

Como funciona a fila do transplante

De acordo com dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), 49.489 pessoas esperam por um órgão no Brasil. A maioria aguarda por um rim, em seguida está a espera por um transplante de fígado, coração, pâncreas e rim, pulmão, pâncreas e multivisceral.

A chamada “fila do transplante” não funciona como uma sequência fixa em que quem chegou primeiro será necessariamente o primeiro a receber um órgão. A distribuição de órgãos de doadores falecidos segue regras do Sistema Nacional de Transplantes, com atuação das centrais de transplantes e critérios específicos para cada órgão.

O paciente é inscrito por uma equipe médica autorizada. Quando surge um doador, a seleção considera fatores como compatibilidade, gravidade, urgência e tempo de espera, conforme as regras aplicáveis. Isso significa que a prioridade pode mudar de acordo com a condição clínica do paciente e as características do órgão disponível. Os pacientes também podem acompanhar sua situação pelos canais oficiais.

No transplante de fígado, por exemplo, a gravidade tem papel central.

“O grau de gravidade de cada paciente determina sua ordem na lista de transplante hepático”, explica Patrícia.

Essa avaliação considera exames e regras para situações especiais, dentro de um processo regulado por critérios técnicos.

BS20260902030114.1 – https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/09/02/setembro-verde-doacao-de-orgaos-tem-45percent-de-recusa-familiar-no-brasil-entenda-como-funciona-a-fila-de-transplantes.ghtml

Artigos Relacionados