ECONOMIA

Setor de serviços fica estagnado em junho, mas cresce 0,4% no trimestre

12 de agosto, 2026 | Por: Agência O Globo

Atividade ainda está próxima ao recorde histórico alcançado em outubro

Serviços prestados às famílias tem peso relevante no setor de serviços — Foto: Fernando Brazão/Agência Brasil

Oscilando desde novembro do ano passado, após alcançar recorde histórico em outubro, o volume de serviços prestados no país ficou estável no mês de junho. O setor registrou variação nula ante maio, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quarta-feira. O resultado de junho veio ligeiramente acima do esperado pelos analistas, que estimavam recuo de 0,2%, segundo mediana de projeções do Valor Data.

Para Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa, o resultado de junho não reflete uma perda de fôlego intensa que sinalize uma mudança de trajetória, mas sim uma acomodação após recorde da série.

— O setor opera 0,3% abaixo do pico de outubro, muito próximo do seu ponto mais alto, mas de forma acomodada. Não mostra indícios nem de uma escalada de maneira a superar esse ápice, nem uma trajetória claramente descendente. Temos uma acomodação — explica.

A comparação trimestral reforça esse movimento de estabilidade. O setor teve uma expansão de 0,4% no segundo trimestre, ante o primeiro, quando recuou 0,5%. No ano passado, o setor cresceu 0,1% no primeiro trimestre; 1,2% no segundo trimestre; 0,9% no terceiro trimestre e 0,7% no quarto trimestre.

Na comparação com junho de 2025, o volume de serviços cresceu 2%. No primeiro semestre, o setor também acumulou alta de 2% em relação a igual período do ano passado.

Juros elevados e diesel mais caro afetam segmentos de peso

Por trás do número geral, Lobo explica que o setor passou, nos últimos oito meses, por movimentos distintos que resultam nesse cenário atual de acomodação. Enquanto os serviços de informação e comunicação mostram dinamismo, tanto pelo desempenho dos serviços de tecnologia da informação (TI) quando de telecomunicação – de grande peso na pesquisa -, o transporte de passageiros e de cargas puxam para baixo.

— Já as outras atividades flutuam. Tem esse cenário que mostra um certo desequilíbrio entre os setores.

O gerente da pesquisa do IBGE elenca os juros altos como um fator que tem ajudado a reduzir o ímpeto de certas atividades. Outro aspecto importante nos últimos meses foi o aumento do custo do óleo diesel, que gerou uma pressão negativa sobre o transporte rodoviário de cargas, atividade de peso importante na pesquisa.

Apesar da estabilidade no resultado geral, quatro dos cinco grandes segmentos pesquisados pelo IBGE registraram queda em junho. O principal impacto negativo veio dos serviços profissionais, administrativos e complementares, que recuaram 1,4% e devolveram parte do avanço observado nos dois meses anteriores.

Também houve queda de 2,2% em outros serviços – que inclui desde atividades imobiliárias até limpeza urbana e serviços financeiros auxiliares – e retração de 1,2% nos serviços prestados às famílias, enquanto os transportes tiveram recuo de 0,1%. O único segmento no campo positivo foi informação e comunicação, com alta de 1,8%.

Pela comparação regional, 16 das 17 unidades da federação registraram queda em junho. Alagoas, São Paulo e Rio de Janeiro tiveram as principais contribuições positivas.

Na comparação com junho do ano passado, três dos cinco segmentos tiveram crescimento. O principal destaque foi justamente informação e comunicação, com alta de 6,8%, puxada por atividades como telecomunicações, TI, hospedagem na internet e desenvolvimento de softwares.

Os serviços profissionais, administrativos e complementares cresceram 2,4%, enquanto os serviços prestados às famílias avançaram 2%. Já os transportes recuaram 1,2% e foram o único segmento a exercer impacto negativo sobre o resultado anual.

Atividades turísticas recuam pelo segundo mês seguido

O índice de atividades turísticas caiu 3,4% em junho, na comparação com maio, no segundo resultado negativo consecutivo. Com isso, o segmento acumula perda de 3,8% nos últimos dois meses.

Mesmo com a queda recente, o turismo ainda opera 6,6% acima de fevereiro de 2020. Em relação ao pico da série histórica, registrado em dezembro de 2024, porém, o indicador está 6,2% abaixo.


BS20260812120049.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/08/12/setor-de-servicos-fica-estagnado-em-junho-aponta-ibge.ghtml

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