Troféu Câmara Legislativa garante espaço ao cinema brasiliense no Festival de Brasília
9 de setembro, 2026
| Por: Marco Túlio Alencar - Agência CLDF
Consolidação da Mostra Brasília, exclusiva para produções cinematográficas do Distrito Federal, na programação oficial do festival foi possibilitada pela premiação da CLDF, criada em 1996
Troféu Câmara Legislativa impulsionou a produção da sétima arte no Distrito Federal/ Foto: Divulgação/CLDF
“Criado pelos deputados distritais, em 1996, o Troféu Câmara Legislativa foi, desde o início, uma das maiores premiações do Festival de Brasília”. A constatação do jornalista e cineasta Sérgio Moriconi, em livro — Apontamentos para uma história — que documenta o cinema brasiliense desde a fundação da cidade, dá a medida da importância da premiação da CLDF para os filmes do Distrito Federal, a qual acompanha o desenvolvimento da produção local — movimento iniciado na década de 1990.
Naquele período, um cenário favorável ao surgimento de novos realizadores e obras cinematográficas que iam além do Plano Piloto, além de intensa mobilização do setor, terminou por exigir uma presença mais efetiva dos títulos brasilienses no festival. “Como a pressão por mais espaços para a exibição das produções da cidade continuava, os organizadores do certame criaram a Mostra Brasília”, relembra Moriconi.
Antes, de acordo com os primeiros regulamentos, todo filme do Distrito Federal que fosse exibido na competição principal ou mesmo em mostras paralelas do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, automaticamente, concorria ao Troféu Câmara Legislativa. O aumento significativo do número de títulos, no entanto, fez surgir a necessidade de se criar uma comissão de seleção própria e um júri oficial específico para julgar os concorrentes à premiação da CLDF.
“Exibir seus filmes durante o festival no Cine Brasília continuava sendo uma glória para os realizadores da cidade”, escreveu Sérgio Moriconi, que, em 1998, levou o Troféu Câmara Legislativa, na terceira edição do prêmio, com o curta-metragem Athos, no qual retrata o multiartista Athos Bulcão (1918-2008), cuja trajetória nas artes visuais se confunde com a história da Nova Capital.
A Mostra Brasília — que se consolidou como espaço exclusivo para títulos que disputam o Troféu Câmara Legislativa — passou a ter lugar permanente na programação oficial “e se transformaria num verdadeiro evento entre os frequentadores do Festival de Brasília”, atesta Moriconi. Em 2026, a mostra será realizada de 14 a 18 de setembro, com início às 18h e entrada franca, no Cine Brasília.
Vencedor do Troféu CLDF em 1998, Sérgio Moriconi desta importância da premiação (Arquivo Pessoal)
Outros filmes do DF
Além dos 15 títulos — quatro longas e onze curtas-metragens — que disputarão o 28º Troféu Câmara Legislativa, o 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (de 11 a 19 de setembro) apresentará mais filmes do Distrito Federal ou que têm relação com Brasília. A competição nacional de longas exibirá Sabes de Mim, Agora Esqueça, de Denise Vieira, e a de curtas trará Gastronomia do Olho, dirigido por Nicolau.
Sessões especiais programam os seguintes filmes: Histórias de Terror e Delicadeza, de Jimi Figueiredo e Sérgio Sartório; A Última Diária, de Marcelo Pelúcio e Zefel Coff; e Música Secular, de Emanuel Lavor. O diretor Jimi Figueiredo foi o vencedor do 14º Troféu Câmara Legislativa, na categoria curta-metragem, com Verdadeiro ou Falso (2009), e da 16ª edição, com o longa Cru (2011).
Na sessão “História(s) Do Cinema Brasileiro — Clássicos”, encontra-se Brasília Segundo Feldman, de Vladimir Carvalho, além de outros filmes do documentarista, nascido na Paraíba, que se tornou um dos principais nomes do cinema brasiliense. O diretor venceu, na categoria longa-metragem, a 5ª (Barra 68 – Sem Perder a Ternura) e a 11ª edição do Troféu Câmara Legislativa (O Engenho de Zé Lins). Na edição de número 21, levou o prêmio de direção e roteiro por Cícero Dias: o Compadre de Picasso. A despedida de Vladimir Carvalho, morto em 2024, é tema de Adeus, Brasília, de Moacir Macedo, na sessão “História(s) Do Cinema Brasileiro – Contemporâneos”.
No festival de 2026, o projeto Preservação do Acervo Filmográfico do Arquivo Público do Distrito Federal: Pesquisa, Tratamento e Digitalização apresentará imagens clássicas do Parque Rogério Pithon Farias (atual Parque da Cidade Sarah Kubitschek) e trechos de registros amadores e cinejornais. E a sessão “Premiere DF” exibirá Brasifilia, de Francenilton Klava, e Jornada nas Estrelas, de Angelo Pignaton.
O filme O Verão da Lata, dirigido pelo cineasta Santiago Dellape — integrante do júri do 28º Troféu Câmara Legislativa –, passará na solenidade de encerramento do 59º Festival de Brasília, que será aberto, nesta sexta-feira (11), com o curta Brasília – Planejamento Urbano, documentário de 1964, dirigido por Fernando Coni Campos (1933-1988), e o longa A Pele Morta, codirigido pelos irmãos Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres.