POLÍTICA

TSE analisa decisão de Nunes Marques que alegou ‘indução de entrevistados’ e suspendeu pesquisa após pedido de Flávio Bolsonaro

9 de junho, 2026 | Por: Agência O Globo

Resultado será acompanhado por campanhas e deve indicar caminho da Corte ao longo do processo eleitoral

Ministro Nunes Marques – Foto: Luiz Roberto/TSE

O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga nesta terça-feira a decisão do presidente da Corte, Kássio Nunes Marques, que retirou de circulação a pesquisa AtlasIntel que apontou desgaste do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a divulgação das cobranças feitas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiamento do filme Dark Horse. A tendência é que a medida seja mantida, segundo interlocutores do TSE ouvidos pelo GLOBO.

A atual composição do tribunal deve fazer com o que o placar seja favorável à manutenção da decisão de Nunes Marques. Hoje, além do atual presidente e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), também integram a Corte os ministros André Mendonça, Dias Toffoli, Antônio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cuêva, Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha.

Nos bastidores, a análise do plenário da medida liminar dada por Nunes Marques nesta segunda-feira é vista como uma possível amostra de como será a atuação do TSE durante o período eleitoral. Interlocutores do STF e do TSE avaliam que o julgamento deverá ser acompanhado com atenção por integrantes de todas as futuras campanhas.

Na decisão desta segunda-feira, ele acolheu os argumentos da defesa do partido de Flávio Bolsonaro e identificou “possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”.

Um dos pontos reclamados pelo PL foi a inclusão do áudio em que Flávio trata dos repasses ao filme do pai. O presidente do TSE chegou a destacar que outras 27 pesquisas da Atlas registradas na Corte não utilizaram peça semelhante. Na ocasião, o CEO da Atlas, Andrei Roman, afirmou que a exibição ocorreu após a submissão do questionário principal, não influenciando a resposta sobre intenção de voto dos pesquisados.

Ao examinar o formulário usado pela Atlas, contudo, o presidente do TSE apontou que há uma sequência de perguntas que, à primeira vista, aparenta “extrapolar a simples aferição neutra da opinião pública para introduzir estímulos possivelmente aptos a influenciar as respostas relativas à intenção de voto, à rejeição e à avaliação de imagem do pré-candidato”.

O movimento de desgaste eleitoral de Flávio foi identificado também por outras pesquisas, como Quaest e Datafolha.

“A permanência de circulação de levantamento cuja higidez metodológica se encontra sob questionamento pode potencializar efeitos de difícil reversão no contexto do processo eleitoral, especialmente diante da elevada capacidade de difusão e replicação do conteúdo em meios digitais e veículos de comunicação”, escreveu o ministro ao acolher parcialmente o pedido do PL.

Em nota, a Atlas afirmou que a pesquisa foi realizada sem que o áudio de Flávio fosse reproduzido aos entrevistados antes da aplicação do questionário. A empresa afirmou que “não houve qualquer tipo de indução aos entrevistados” e que pesquisas posteriormente feitas por outros institutos identificaram o mesmo padrão de impacto sobre as intenções de voto do candidato do PL.


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