ECONOMIA

UE fala em ‘surpresa negativa’ a tarifaço; países taxados não preveem retaliação

24 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Novas alíquotas de 10% e 12,5% substituem taxa temporária de 10% que chegou ao fim e geram críticas contidas em parceiros comerciais afetados

Presidente Trump – Foto: Alan Santos /PR

A nova rodada de tarifas anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou críticas entre parceiros comerciais do país, mas reações contidas na maior parte das economias atingidas. Como as alíquotas de 10% e 12,5% substituem uma taxa global temporária de 10% que chegou ao fim ontem, autoridades como as de União Europeia, Canadá, México e Austrália não indicaram, até o momento, intenção de retaliar.

As novas tarifas recaem sobre produtos de 60 parceiros comerciais. O governo americano justificou a medida alegando falhas no combate ao trabalho forçado, argumento contestado por várias nações incluídas na lista.

A União Europeia foi a que teve a reação mais enfática. Classificou o anúncio como uma “surpresa negativa” e afirmou que pedirá esclarecimentos a Washington. A chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, disse que as acusações não encontram respaldo nas leis e nas condições de trabalho europeias.

— Se compararmos nossas leis trabalhistas com as dos Estados Unidos, temos férias remuneradas e condições de trabalho muito boas para nossos funcionários. Portanto, isso realmente não tem fundamento” — afirmou Kallas à Reuters em um encontro da Asean, em Manila, nas Filipinas.

Segundo ela, o bloco cumpriu sua parte no acordo comercial transatlântico firmado no ano passado e não esperava ser incluído na nova medida.

No Canadá, preocupação com outra tarifa

No Canadá, a resposta à nova rodada também foi moderada. A Câmara de Comércio do país afirmou que “não deveria ser alvo” e lembrou que o país lidera esforços contra a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

“Se a intenção é realmente combater o trabalho forçado, o foco deve ser uma abordagem coordenada por meio de um mecanismo multilateral”, afirmou, em comunicado, Matthew Holmes, vice-presidente executivo da entidade, segundo o jornal britânico The Guardian. “O momento escolhido para essa medida é um tanto suspeito, visto que as rodadas anteriores de tarifas estão expirando”, disse ele.

O governo canadense está mais preocupado com as tarifas de 50% sobre cerca de 20 bilhões de dólares canadenses em importações anunciadas por Trump na segunda-feira. A medida, específica para o país, foi proposta com base na Seção 338 da legislação comercial americana, um instrumento que nunca havia sido utilizado.

Essas tarifas atingirão cerca de 5% das importações americanas provenientes do Canadá e entrarão em vigor em 19 de agosto. Após se reunir com autoridades locais, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou à BBC que “tudo está em aberto, dependendo do resultado das negociações”.

México diz que nada muda

Apesar das críticas, a reação dos parceiros comerciais atingidos tem sido contida. A Noruega informou que não planeja impor tarifas em resposta aos Estados Unidos, enquanto o México afirmou que a mudança não altera, na prática, a carga incidente sobre seus produtos.

“Não vemos nenhuma mudança na tarifa efetiva que o México paga atualmente”, disse o ministro da Economia mexicano, em um vídeo publicado nas redes sociais, segundo a CNN.

A Suíça também contestou a justificativa americana, mas não anunciou contramedidas. Por outro lado, a Austrália, sujeita à alíquota de 12,5%, teve uma reação mais dura. O ministro do Comércio, Don Farrell, classificou a decisão como “completamente injustificada” e afirmou que o governo continuará pressionando Washington pela retirada de todas as tarifas sobre produtos australianos, segundo a CNN.


BS20260724132509.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/07/24/ue-fala-em-surpresa-negativa-a-tarifaco-paises-taxados-nao-preveem-retaliacao.ghtml

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