POLÍTICA

Voto distrital misto: entenda proposta que pode frear ‘puxadores’ de votos, como Nikolas, Pavanato e Erika Hilton

3 de novembro, 2026 | Por: Agência O Globo

Modelo proposto por Hugo Motta divide a escolha entre candidatos do distrito e legendas. Se aprovada, a medida começará a valer em 2034

Hugo Motta diz que decisão sobre voto distrital atende apelo dos líderes — Foto: TV CâmaraAgência Câmara de Notícias

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), pretende votar, ainda neste ano, a adoção do modelo distrital misto para as eleições proporcionais para deputados federais, estaduais e vereadores. O sistema atual combina o voto em candidatos que representam distritos eleitorais com o voto em partidos ou listas partidárias, assim, candidatos com grandes quantidades de votos “puxam” outros. Já no distrital misto, o eleitor vota duas vezes: parte dos deputados é eleita pelo distrito e parte em um segundo voto, feito no partido. Se aprovada, a implementação da proposta entrará em vigor em 2034, com transição prevista para 2030, segundo a Câmara.

Nesse ano, 33 candidatos dos 513 tiveram uma votação suficiente para, além de se eleger, contribuir para que os partidos conquistassem outras cadeiras, ajudando o partido a conquistar mais três vagas no estado. Nikolas Ferreira (PL), com 3,1 milhões de votos; Lucas Pavanato (PL), com 3 milhões de votos; e Erika Hilton (PSOL), com 1,5 milhão de votos, contribuíram para a eleição de outros correligionários.

Motta afirmou, em entrevista coletiva na última quarta-feira, que as articulações sobre o tema foram concluídas com os partidos de centro e a próxima etapa é buscar o diálogo com as outras siglas representadas na Casa, incluindo os partidos da federação formada por PT, PV e PCdoB, PL e Novo.

Na ocasião, o presidente da Câmara destacou que estava feliz em “reabrir esse debate e encontrar uma janela ainda neste ano para fazer essa mudança”. Segundo ele, a decisão atendia a um apelo dos líderes e esse era um “momento de enfrentar esse tema”.

Motta também afirmou que pretende encontrar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), para tratar das mudanças e destacou que as mudanças em discussão se limitam às eleições para o Legislativo, não incluindo o sistema de escolha para os cargos disputados pelo sistema majoritário.

Deputados do PT e do PL se colocam contra essa proposta, no entanto Motta e aliados tentam atrair nomes que já foram favoráveis à ideia no passado e que poderiam ser beneficiados pelo novo modelo.

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