Aécio descarta candidatura ao Planalto e diz que PSDB tende a permanecer neutro em disputa entre Lula e Flávio
9 de julho, 2026
| Por: Agência O Globo
Deputado federal também criticou disputa ‘fratricida’ entre os principais candidatos e afirmou que ainda não decidiu se concorrerá ou não ao Senado por Minas
O deputado federal tucano Aécio Neves — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
O deputado federal e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG), descartou a possibilidade de voltar a concorrer à Presidência neste ano ao considerar que a eleição será marcada pela “armadilha da radicalização política”. A declaração foi proferida em entrevista ao Estadão publicada nesta quarta-feira. Na ocasião, o parlamentar também frisou que a tendência é que o partido não apoie o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem o senador Flávio Bolsonaro (PL).
— Depois de muitas conversas internas, tenho que afirmar, em primeiro lugar, que o PSDB caminha para não ter candidatura própria nesta eleição. Isso foi cogitado há pouco tempo. Eu próprio, você se lembra, sugeri o nome do governador Ciro Gomes como a nossa alternativa. Logo depois ele próprio, lideranças como Tasso Jereissati, Roberto Freire, dentre outras, sugeriram meu nome como esse candidato. Mas nós chegamos à conclusão de que nós temos que ter os pés no chão e sim iniciar a construção de um projeto vigoroso para 2030 — disse Aécio ao Estadão.
Como mostrou o GLOBO, a hipótese do PSDB ter Aécio como candidato próprio ganhou força em meio ao início da crise da candidatura de Flávio provocada pela descoberta da relação entre o filho do ex-presidente e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. À época, o dirigente nacional tucano chegou a receber o apoio dos presidentes do Solidariedade, Paulinho da Força (SP), e do Cidadania, Alex Manente, para o voo nacional.
O plano, no entanto, não saiu do papel, e Aécio admite agora que também ainda não tomou uma decisão se irá disputar o Senado por Minas Gerais. Durante a entrevista, o deputado afirmou que terá como prioridade reestruturar o PSDB, partido cuja bancada na Câmara e a presença nos estados desidratou ao longo dos últimos anos.
Em paralelo, Aécio também previu que a eleição deste ano será “a mais fratricida da história recente do Brasil” em função das tentativas de “‘ideologizar o debate” e afirmou que o partido tende a permanecer neutro.
— Nós vamos ter uma reunião da federação PSDB-Cidadania em breve, talvez nessas próximas duas semanas. O caminho natural hoje, depois de discutirmos até as possibilidades de uma candidatura, é o apoio a uma candidatura no centro. Mas o que nós percebemos é que, a três meses das eleições, ficou muito difícil furar essa bolha. Então, vamos dar um passo atrás para dar vários na frente e construir um projeto de Brasil a partir de agora já destas eleições — afirmou ao Estadão.