POLÍTICA

Operações contra Castro e Canella ampliam indefinição na direita do Rio; veja os nomes de cotados para vagas ao Senado na chapa

9 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Nome considerado mais forte para ocupar o lugar caso a saída seja confirmada é o de Felipe Curi (PP), ex-secretário de Polícia Civil

Canella, Castro, Flávio Bolsonaro, Douglas Ruas e Lisboa — Foto: Divulgação PL

A pouco mais de um mês do início da campanha, o noticiário policial tem deixado a direita do Rio sem saber quem representará o palanque do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) no berço do bolsonarismo. Ambas as vagas ao Senado, que tinham como postulantes o ex-governador Cláudio Castro (PL) e o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União), passaram a ficar em jogo depois de operações da Polícia Federal. O último problema a acometer a aliança foi a incursão de terça-feira contra Canella, preso por ter no carro, de forma ilegal, um fuzil.

Se o PL depende da família Bolsonaro para definir o substituto de Castro, na federação composta por União Brasil e PP ainda há cautela em fazer movimentos para trocar Canella, que teve a prisão mantida nesta quarta-feira e será transferido para Bangu 8. Entre quadros dos partidos que compõem a chapa, entretanto, a avaliação é que a detenção, mais do que a investigação em si — concentrada na lavagem de dinheiro por meio de postos de gasolina — tornou a candidatura insustentável.

O baque sofrido pelo ex-prefeito virou um novo problema para o bolsonarismo, e com um elo direto com a família do presidenciável: Flávio colocou a mãe, Rogéria, como primeira suplente de Canella.

Ex-chefe da Civil favorito

O nome considerado mais forte para ocupar o lugar caso a saída seja confirmada é o de Felipe Curi (PP), ex-secretário de Polícia Civil. A ideia, no entanto, enfrenta resistência no próprio PP, que conta com ele como puxador de votos para a Câmara. O remanejamento exigiria uma nova estratégia para a bancada.

Além de Curi, outros pré-candidatos a deputado são mencionados. Um deles é o principal aliado partidário de Canella, Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil. Com domicílio eleitoral transferido para o Rio, o pernambucano, contudo, teve vínculos com o Master.

Um terceiro nome lembrado é o do vereador carioca Leniel Borel (PP), pai de Henry Borel, criança morta em 2021 pelo então padrasto, o ex-vereador Dr. Jairinho. Integrantes da federação avaliam que ele tem projeção pública, mas ponderam que ainda precisaria ampliar o grau de articulação política para viabilizar uma campanha majoritária.

Há uma hipótese, mais remota, que passaria por tirar da federação o posto. Nessa projeção, o deputado federal e ex-prefeito Marcelo Crivella, do Republicanos, despontaria como o candidato e levaria o partido para a aliança. O principal ativo seria a entrada no meio evangélico, já que a sigla é ligada à Igreja Universal, da qual Crivella é bispo licenciado.

O PL encabeça a chapa no Rio com o presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas, que concorrerá ao governo. Quem ocupa a vice também é da federação União-PP, o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP). Na configuração para o Senado, a cota do PL ficou com Castro, mas os problemas com a Justiça o tiraram do jogo.

Além do status de inelegível por causa da condenação no caso Ceperj, Castro foi alvo de duas operações da PF em menos de um mês. A primeira tinha relação com a Refit, a antiga Refinaria de Manguinhos, e seus tentáculos no governo do Rio; a segunda, com o Master, que recebeu aportes de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência.

No partido, a crítica unânime é de que o atraso na definição do substituto favorece o crescimento da candidata Benedita da Silva, do PT, e de Pedro Paulo, do PSD, ambos da chapa do pré-candidato ao governo Eduardo Paes (PSD).

O senador Carlos Portinho, eleito suplente em 2018 de Arolde de Oliveira, que morreu na pandemia, virou o favorito no PL. A disputa é contra o deputado Carlos Jordy, da ala mais “raiz” e sem tanta entrada na política estadual.

Dezenas de prefeitos da sigla manifestaram apoio a Portinho, que, além de herdar os votos mais ideológicos do bolsonarismo, ganharia o engajamento desses mandatários em seus respectivos territórios.

O próprio Jordy entrou na mira da PF, em dezembro do ano passado, por suspeitas de desvio da cota parlamentar. Contratos de aluguel de veículos seriam usados para maquiar a prática, o que ele nega.

Um componente que passou a ser ventilado é a possibilidade de Flávio estar adiando a escolha para o Senado porque ele próprio poderia assumir a vaga e tentar a reeleição, caso desista de disputar o Planalto. Como noticiou a colunista Bela Megale, aliados desconfiam que esse é o plano B do presidenciável, que enfrenta crises como a do Master e a que envolve o atrito com Michelle Bolsonaro. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, está convicto de que não há chance de Flávio renunciar à missão, mas correligionários têm dúvidas.

Sucessão travada

Todo esse cenário se junta ao fracasso do plano do PL para a sucessão imediata de Castro. A ideia era conseguir colocar Douglas Ruas como governador interino antes da campanha, via presidência da Alerj. A Justiça entendeu, no entanto, que o desembargador Ricardo Couto, presidente do TJ-RJ, era o primeiro da linha sucessória quando o governador renunciou e o cargo ficou vago. Ruas só foi eleito depois para presidir a Casa.

Embora seja a direita a principal atingida pelas operações, a chapa de Eduardo Paes também sofreu um baque na semana passada, quando a PF cumpriu mandados para apurar suposto esquema de desvios da família Reis, do MDB, que governa Duque de Caxias.

A irmã do ex-prefeito Washington Reis, Jane Reis, administra a WR Participações e Empreendimentos Imobiliários, um dos supostos braços do esquema, mas não chegou a ser alvo de buscas. Poucos dias depois, Paes publicou imagens ao lado dela e reiterou a parceria: “Uma honra tê-la comigo nessa caminhada!”, escreveu.


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