ECONOMIA

Ajuste fiscal precisa ser feito com respeito democrático e não olhando planilhas, diz ministro da Fazenda

31 de agosto, 2026 | Por: Agência O Globo

Dario Durigan afirmou que articulação política e diálogo para cortas gastos são indispensáveis

Secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan — Foto: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda

O ministro da Fazenda , Dario Durigan, disse que o trabalho de melhoria da situação fiscal do país deve ser feito diariamente e com respeito democrático. Ele ponderou que, embora o governo sempre tenha buscado realizar um ajuste fiscal mais rápido e forte, o diálogo e a articulação política são indispensáveis.

— Eu não vou olhar para uma planilha e dizer que vou buscar isso aqui a todo custo, independentemente do diálogo — disse o ministro durante sua participação no evento Macro Day 2026, realizado pelo banco BTG Pactual, em São Paulo, com autoridades, políticos e economistas para discutir a situação econômica de política do país. A conversa com Durigan foi conduzida pelo economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida.

Durigan afirmou que o debate sobre a necessidade de programas sociais em um país com histórico de desigualdade, violência e desrespeito às minorias e mulheres foi vencido e consolidado.

Para o ministro, a discussão atual não é mais sobre a existência dessas políticas sociais, mas sim sobre consolidá-las e definir o quanto de recurso público e de energia da agenda política deve ser gasto com isso.

— Mas é inviável fazer política social sem eficiência, revisão de gastos, controle nos critérios de concessão e acompanhamento dos beneficiários. Em 2025, por exemplo, 90% das pessoas que conseguiram emprego no mercado de trabalho formal saíram do programa Bolsa Família — afirmou o ministro, defendendo que devem ser criadas “portas de saída” que estimulem as pessoas a retornar ao mercado de trabalho formal.

Em relação às regras fiscais, Durigan defendeu que não se deve trocar a regra, mas sim reforçá-la e aprimorá-la. Ele aponta que o Brasil tem um histórico de substituições constantes de regras e propõe o fortalecimento do arcabouço atual por meio de três caminhos: dar maior racionalidade, logicidade e coerência interna ao mecanismo; controlar as despesas obrigatórias para que cresçam abaixo do limite geral de gastos; e dar continuidade à revisão dos benefícios tributários.

Ele argumentou que o superávit primário alcançado a ‘duras penas’ pelo atual governo precisa servir depatamar para superávits ainda maiores nos anos seguintes. O ministro afirma que o governo Lula melhorou as contas públicas, o que resultou em um ajuste de dois pontos porcentuais do Produto Interno Bruto (PIB) no déficit primário.

Mesmo assim, o mercado aponta que as contas públicas estão em situação ruim, com a dívida relação dívida/PIB crescendo de forma acelarada, com aumento de gastos e uso de artifícios para driblar o arcabouço fiscal.

O ministro afirmou que o compromisso do governo é entregar um orçamento realista, “sem armadilha” e “sem esconder despesa”, garantindo que tudo o que foi anunciado e planejado esteja devidamente previsto. Ele projeta que, de 2027 em diante, o Brasil passará a registrar resultados positivos crescentes e recorrentes.

Sobre os juros altos, Durigan afirmou que esse patamar elevado “machuca muito” e gera grande preocupação, já que o impacto é sentido diretamente pelo Tesouro Nacional, pelas famílias, agricultores e por empresas de todos os portes. O juro alto é uma barreira para impulsionar os investimentos privados, disse o ministro.

— O país necessita impulsionar investimentos, mas não vamos conseguir fazer investimento privado com uma taxa de juros nesse patamar. Reduzir os juros para um patamar civilizado é crucial para destravar a escala de investimentos que a iniciativa privada pode trazer — disse ele, que disse que este é o primeiro e principal passo da agenda econômica e fiscal do governo.

Além da queda de juros, Durigan elencou outras medidas para a agenda fiscal. Entre elas, está o cumprimento das metas de resultado primário, reforçar e aprimorar a regra fiscal, abrir espaço para despesas discricionárias e investimentos públicos, com o ajuste fiscal consolidado, aumentar a eficiência dos gastos sociais, construir um Estado digital e eficiente e avançar na agenda microeconômica.

Não se pode cortar gastos de forma cega

O vice-presidente, Geraldo Alckmin, quie também participou do Macro Day, defendeu que a questão central para o país é melhorar a relação dívida sobre o PIB. Ele argumentou que uma política focada apenas em cortar gastos de ‘forma cega’ não resolve o problema, pois pode fazer o PIB desabar, gerando recessão e desemprego.

— O caminho ideal é uma fórmula combinada: segurar as despesas e, ao mesmo tempo, investir no crescimento do PIB. O presidente Lula adotou essa estratégia com sucesso no período de 2002 a 2010 — disse Alckmin.

Alckmin destacou o esforço fiscal do governo, afirmando que a meta para este ano é de déficit zero, com a projeção de entregar um superávit primário de 0,5% no ano que vem, contrastando com o ano de 2020, quando o Brasil registrou um déficit primário de 9,7%.

— A intenção do governo é buscar superávits primários crescentes e um déficit decrescente, tentando, se possível, superar a meta de superávit primário 0,5% estipulada para o próximo ano — disse Alckmin.

BS20260831141700.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/08/31/ajuste-fiscal-precisa-ser-feito-com-respeito-democratico-e-nao-olhando-planilhas-diz-ministro-da-fazenda.ghtml

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