ECONOMIA

Juro de 14% é ‘hostil’ para a atividade econômica, inclusive para os bancos, diz André Esteves

31 de agosto, 2026 | Por: Agência O Globo

CEO do BTG Pactual afirmou que país tem ambiente econômico muito favorável para baixar Selic, mas precisa estancar crescimento da dívida pública

André Esteves afirmou que reduzir juros equivale a ’30 programas sociais’ — Foto: Fórum Esfera/Reprodução

O banqueiro André esteves, CEO do BTG Pactual, dise que reduzir a taxa de juros dos atuais 14% ao ano para 7% “equivale a 30 vezes qualquer programa social” devido à relevância e ao alcance do seu impacto econômico na sociedade. Ele classificou o patamar de juros de 14% como um ambiente extremamente “hostil” para a atividade econômica, prejudicial para empresas de todos os setores, para a indústria, o varejo, o empreendedorismo e inclusive para os bancos, rebatendo a crença comum de que juros altos seriam benéficos para as instituições financeiras

— Levar as taxas de juros para um dígito beneficiaria diretamente a base da pirâmide, que é a parcela da população que mais sofre com as taxas elevadas — disse Esteves durante a abertura do BTG Pactual Macro Day 2026, que acontece nesta manhã em São Paulo, onde economistas, políticos e autoridades discutem o cenário político e econômico do país.

Segundo o executivo, a economia brasileira está atualmente organizada sob critérios muito favoráveis que não eram vistos nos últimos 30 anos — e o Brasil tem oportunidade de ouro para ter juros civilizados. Ele afirmou que o déficit em conta corrente é menor do que o investimento direto externo que entra no país. Destacou que o Brasil possui US$ 370 bilhões em reservas cambiais, que expectativa é de uma inflação situada entre 4% e 4,5% e o desemprego no país está próximo de zero

— O país conta com um mercado de capitais emergente e um sistema financeiro sólido. Esse cenário positivo é fruto do trabalho acumulado de vários governos e da própria sociedade. No entanto, para que a queda de juros aconteça, ainda há um item fora do lugar que precisa ser resolvido: o crescimento muito forte e rápido da dívida pública — afirmou.

Patamar de um dígito

Esteves afirmou que resolver a questão fiscal é o passo necessário para viabilizar a redução sustentável dos juros para patamares de um dígito.

— Alcançar esse objetivo é perfeitamente possível e relativamente simples — afirmou.

Esteves afirmou que o Brasil tem a oportunidade de atingir dois legados: da institucionalidade e o econômico.

Ele lembrou que, nos últimos 12 meses, o Brasil enfrentou batalhas importantes contra a não institucionalidade

— A sociedade brasileira demonstrou ter “anticorpos” que funcionaram, garantindo que as instituições prevalecessem e dessem passos importantes rumo ao fortalecimento institucional. Embora essa batalha recente tenha sido vencida, a guerra ainda continua.

Ele considerou como fatores altamente preocupantes a velocidade com que o crime organizado se infiltra nas instituições e o crescimento de empresas informais, atuando em mercados regulados.

— O legado de um futuro governo será ver as instituições agindo firmemente e defendendo o que promove o desenvolvimento, que é justamente a força das próprias instituições. E a grande meta econômica é retirar o Brasil de um patamar hostil de juros.

BS20260831124445.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/08/31/taxa-de-juros-de-14percent-e-hostil-para-a-atividade-economica-inclusive-para-os-bancos-diz-andre-esteves.ghtml

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