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Adversários elevam tom após lançamento de candidatura do PL; disputa deve se concentrar na relação com o STF, no controle da pauta e na busca por votos do Centrão

A disputa pela presidência do Senado começou a ganhar contornos de confronto direto entre Davi Alcolumbre (União-AP) e Rogério Marinho (PL-RN), que devem intensificar as articulações nas próximas semanas para conquistar votos entre parlamentares de centro e da oposição.
Nesta quarta-feira, horas depois de o PL oficializar a candidatura do líder da oposição, Alcolumbre fez um discurso no plenário em que reagiu a ataques de adversários e ironizou os questionamentos ao resultado da eleição presidencial feitos por aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Mais cedo, Marinho havia elevado o tom contra a condução da Casa e criticado a suposta influência de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o Congresso.
O embate antecipa uma disputa que deve colocar em lados opostos duas visões sobre a atuação do Senado. Marinho pretende explorar a insatisfação de parlamentares com o que considera uma postura de submissão da Casa ao Executivo e ao Judiciário, enquanto Alcolumbre busca preservar sua base de apoio e responder às críticas de setores da direita que cobram uma atuação mais dura contra ministros do Supremo.
Durante entrevista coletiva após o lançamento de sua candidatura, Marinho afirmou que o Senado perdeu protagonismo e passou a atuar de forma subordinada a outros Poderes.
— O Senado sempre foi a Casa da moderação, sempre foi a Casa revisora, sempre foi a Casa da ponderação e hoje é uma carimbadora de projetos e, infelizmente, nos últimos tempos, uma espécie de continuidade do Poder Executivo — afirmou.
O senador afirmou ainda que não pretende transformar o impeachment de ministros do STF em bandeira de sua candidatura, mas indicou que não deixaria de analisar eventuais pedidos caso fosse eleito presidente da Casa. A posição busca responder a uma das principais cobranças de setores da oposição, que criticam Alcolumbre por não dar andamento a processos contra integrantes da Corte.
À tarde, Alcolumbre fez um discurso de aproximadamente oito minutos no plenário, em meio a reclamações de parlamentares da oposição após sua decisão de adiar a votação da redução da maioridade penal. O presidente do Senado reclamou do ambiente de polarização política, de ataques pessoais e de pressões para que autorize processos de impeachment contra ministros do STF. Segundo aliados ouvidos pelo GLOBO, a manifestação foi uma resposta direta às críticas feitas por Marinho horas antes.
Alcolumbre ironizou o fato de o PL ter comemorado a eleição de deputados e senadores no primeiro turno, mas passado a questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas após a derrota de Flávio Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
— O pior de tudo isso é que, no primeiro turno, a urna prestou. Abriu a urna eletrônica e ela serviu para eleger 120 candidatos a deputados federais do partido do candidato que perdeu a eleição e serviu para eleger 20 e tantos senadores. Serviu para comemorar no primeiro turno uma eleição vitoriosa do adversário ao presidente Lula. Mas, quando abriu no segundo turno, não prestou mais a urna — afirmou.
Alcolumbre também reclamou de lideranças políticas que, segundo ele, chegam a ir ao Amapá, seu estado, para atacá-lo, em referência a críticas feitas pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) durante o período eleitoral.
— Não achei um para dizer que estava errado desde o primeiro turno. Foi a mesma urna eletrônica. Eu estou pedindo a vossas excelências para que nós possamos pensar o que vamos fazer para melhorar a vida dos brasileiros — declarou.
O discurso ocorreu após Alcolumbre retirar da pauta a proposta de redução da maioridade penal. O presidente do Senado justificou a decisão com um pedido do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para aguardar a conclusão da análise do tema pelos deputados.
A mudança provocou reclamações de senadores da oposição. O líder do PL, Carlos Portinho (RJ), acusou Alcolumbre de descumprir um entendimento construído para viabilizar a votação e afirmou que não faria novos acordos com o presidente da Casa. O episódio acrescentou um novo foco de desgaste à relação entre a atual direção do Senado e o grupo que apoia Marinho.
A eleição para a Mesa Diretora ocorrerá em fevereiro de 2027, mas as negociações já começaram. Nesta quarta-feira, Marinho reuniu 31 senadores da próxima legislatura para oficializar sua candidatura e demonstrar capacidade de mobilização. O PL aposta no crescimento de sua bancada e no apoio de parlamentares de outros partidos para ampliar o alcance da candidatura.
Um dos desafios será a definição de um nome único da oposição. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também mantém a intenção de disputar o cargo e busca apoio entre integrantes do Centrão. Marinho afirma que os dois têm um entendimento para evitar um confronto direto, mas ambos pretendem testar a viabilidade de suas candidaturas antes de uma decisão.
Alcolumbre, por sua vez, trabalha para consolidar o apoio de partidos governistas e do Centrão e atrair votos de parlamentares que integram as bancadas de seus adversários. A escolha do presidente do Senado ocorrerá por voto secreto, o que amplia a importância das negociações individuais e permite que senadores contrariem as orientações de suas legendas.
A disputa também deve envolver a tentativa de tornar públicos os compromissos de voto. Marinho defendeu nesta quarta-feira o voto aberto. Caso não consigam aprovar a medida à tempo da eleição, o PL defende que os senadores revelem suas escolhas, sob o argumento de que os eleitores precisam saber como seus representantes se posicionam. A proposta representa uma forma de pressionar integrantes da direita que, apesar de terem sido eleitos com apoio do campo bolsonarista, mantêm proximidade política com Alcolumbre.
BS20261105030001.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/11/05/alcolumbre-e-marinho-intensificam-campanha-a-presidencia-do-senado-com-indiretas-e-troca-de-farpas.ghtml

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