Assédio eleitoral soma 7 mil denúncias, e ministro faz apelo a empresários: ‘Peçam desculpas nas redes’
5 de novembro, 2026
| Por: Agência O Globo
Titular da pasta de Emprego pediu que patrões desistam de demitir funcionários por razões políticas e disse que governo quer proteger trabalhadores, não punir empregadores preventivamente
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, participa nesta quarta-feira de audiência pública na comissão especial do fim da escala 6×1 para tratar de diagnósticos sobre o uso do tempo para o trabalho — Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Com mais de sete mil denúncias por assédio eleitoral no trabalho já registradas no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o titular da pasta, Luiz Marinho, fez um apelo a empresários nesta quarta-feira que tenham ameaçado ou demitido funcionários por razões políticas.
— Aproveito para me dirigir a todos que ainda pensam em fazer este tipo de bobagem: recuem.
Marinho reiterou que a intenção do governo não é punir preventivamente os empresários, mas garantir que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados. Para aqueles que cogitaram demitir funcionários em razão do resultado eleitoral, recomendou uma retratação:
— Para quem eventualmente pensou em demitir alguém por causa do resultado eleitoral, faça o seu recuo tático e se desculpe nas redes. Está tudo certo. Não precisaremos punir ninguém por isso. Mas a punição será: demitiu por questões políticas, será severamente punido — declarou.
Assédio eleitoral dispara pós-eleições
O número de denúncias por assédio eleitoral quase dobrou em uma semana após o segundo turno das eleições presidenciais. Após o resultado das urnas, circularam nas redes sociais listas de boicote a estabelecimentos comerciais e publicações que incentivam a demissão de trabalhadores por suas preferências políticas.
Até 31 de outubro, haviam 4.305 denúncias formalizadas no MTE. Nesta quarta-feira, o ministro do Trabalho disse que já foram registradas mais de 7 mil, embora nem todas as notificações necessariamente correspondem a casos concretos:
— Evidentemente, tem que separar o que é denúncia e o que é encher linguiça. É quase como chamar o bombeiro quando não se tem incêndio. Das 7 mil, não sei qual é a proporção de denúncias que são reais e concretas — disse.
Os casos são analisados pela Auditoria Fiscal do Trabalho, e os números não significam que todas as situações relatadas tenham sido comprovadas.
Consequências para o empregador
A legislação brasileira proíbe a discriminação de trabalhadores por suas convicções políticas. A prática pode resultar em diversas medidas de responsabilização dos empregadores. O Ministério Público do Trabalho (MPT) pode, por exemplo, recomendar que o responsável se retrate publicamente em até 24 horas e interrompa a prática ilícita, ou então exigir que o empregador pague indenizações por danos morais individuais e coletivos.
No caso de demissão discriminatória, o trabalhador também poderá optar pela reintegração ao emprego, com pagamento dos salários do período de afastamento, ou pelo recebimento em dobro da remuneração correspondente ao intervalo.
Já a empresa fica sujeita a multa equivalente a dez vezes o maior salário pago, valor que aumenta 50% em caso de reincidência, além da proibição de obter empréstimos e financiamentos em instituições financeiras oficiais.