
Senado aprova política nacional para minerais críticos e estratégicos
O texto segue para sanção.
Estabelecimento é citado em áudio, enviado ao ex-dono do Banco Master, que indica que ministro faria um conjunto no local: ‘trabalhando por você’

Localizada num ponto de fluxo no bairro Jardim América, próximo a duas avenidas movimentadas de São Paulo, a alfaiataria de alto padrão visitada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), junto com o advogado Ciro Soares, que prestou serviços a Daniel Vorcaro, tem fachada pouco chamativa, a não ser pelos carros de luxo dos clientes estacionados à frente e os seguranças tomando conta do espaço.
O GLOBO foi até o local pedir acesso à lista de ternos encomendados e os recibos de compra no dia 8 de fevereiro de 2025, quando Soares enviou uma fotografia com o juiz, de dentro da loja, ao dono do Banco Master, mas saiu com as mãos abanando. Funcionários, já cientes da repercussão do caso, evitaram relatar o que aconteceu naquele dia e, o mais importante, quem pagou e pelo quê. O jurídico foi chamado, prometeu entrar em contato, e depois nada feito.
O ateliê é de propriedade de Vasco Vasconcellos e trabalha apenas com trajes masculinos. Um conjunto formado por calça, paletó e colete, em fio italiano e sob medida, custa R$ 21,9 mil e leva cerca de 60 dias para ficar pronto. Já as peças a pronta-entrega, exibidas na loja, saem a partir de R$ 5,9 mil. O atendimento é individualizado e o espaço conta com um bar e um jardim ao fundo, estilizado com uma marca de whisky.
A alfaiataria é citada num áudio obtido pelo portal ICL Notícias, nesta quarta-feira (2). “Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno”, disse o advogado. Uma fotografia acompanhava a mensagem. Ela foi feita na parte esquerda da loja, em direção à parede que dá para a rua, e mostrada à equipe de Vasconcellos, que não quis esclarecer se Mendonça e Soares eram clientes regulares.
O ministro do STF divulgou nota em que confirmou ter se encontrado “uma única vez” com Vorcaro, em março de 2025, “por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo”. Disse ainda que, no mesmo mês, atendeu também o advogado do ex-banqueiro. Ao colunista do GLOBO Lauro Jardim, Mendonça negou que a peça tenha sido dada por Vorcaro ou algum de seus auxiliares, e tampouco demonstrou comprovantes.
O vazamento do material ocorreu no dia seguinte à revelação das conversas entre Daniel Vorcaro e outro ministro da Corte, Alexandre de Moraes, dentro do inquérito relatado por Mendonça. A existência do material foi antecipada pelo jornal O Estado de S. Paulo, antes de o sigilo ser derrubado. A Polícia Federal atribui a Moraes diálogos extraídos do celular do banqueiro em que ele pede interferência em órgãos federais e questiona quando deveria deixar o país para não ser preso.

O texto segue para sanção.

Mineiro com atuação na Bahia integrou a defesa do fundador do Banco Master e construiu uma rede de relações nos meios político e jurídico

Gabinete do ministro diz que saída ocorre sem 'qualquer contrapartida financeira'

Dono do Banco Master prestou esclarecimentos o gabinete do ministro André Mendonça