Após bate-bocas no STF, Nunes Marques diz no TSE que ‘não é preciso aumentar o tom para ser ouvido’
17 de setembro, 2026
| Por: Agência O Globo
Presidente do TSE fez declaração durante homenagem a ministro da Corte Eleitoral; fala ocorre dois dias depois de sessão do Supremo marcada por embates entre ministros
O ministro Kássio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral em 2026 — Foto: Luiz Roberto/TSE
Dois dias depois de uma sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) marcada por bate-bocas e trocas de acusações entre ministros, Kassio Nunes Marques afirmou nesta quinta-feira que “não é preciso aumentar o tom para ser ouvido” e que “a delicadeza e a gentileza também têm força”.
A declaração foi feita durante sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido por Kassio, em um discurso de despedida ao ministro Antônio Carlos Ferreira, que participa de sua última sessão na Corte Eleitoral. Embora não tenha mencionado diretamente os episódios ocorridos no Supremo, a fala ocorre em meio à crise interna que expôs divergências entre integrantes da Corte.
Ao homenagear Antônio Carlos Ferreira, Kassio associou o perfil do colega à bossa nova e destacou características como elegância, delicadeza e gentileza.
— A bossa nova nos ensina que a elegância é avessa ao excesso, que não é preciso aumentar o tom para ser ouvido e que a delicadeza e a gentileza também têm força — afirmou.
A manifestação ocorre dois dias depois da sessão do STF que evidenciou a escalada das divergências entre ministros em torno dos desdobramentos do caso Master. O julgamento foi marcado por momentos de tensão e terminou com um bate-boca entre Gilmar Mendes e André Mendonça, com direito a dedo em riste no plenário, antes de ser interrompido por um pedido de vista de Flávio Dino.
Kassio tem adotado posições convergentes com as de Mendonça em episódios recentes da crise. Na sessão de terça-feira, sua participação no julgamento sobre as mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e envolvendo Alexandre de Moraes também era cercada de dúvidas diante da possibilidade de o ministro se declarar impedido.
A discussão no Supremo ocorre em meio a uma disputa sobre a condução das investigações relacionadas ao Banco Master e aos limites da atuação dos ministros nos diferentes procedimentos abertos a partir do caso.
A fala desta quinta-feira é a primeira manifestação pública de Kassio desde a sessão marcada pelos embates no Supremo.