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Sem citar o presidenciável do PL, senadora criticou declarações de Paulo Figueiredo e afirmou que há “gente que não suporta” mulheres em espaços de poder

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou nesta quarta-feira que homens que já estão “em cima de palanques” e em pré-campanha eleitoral são “coniventes” com a violência política contra mulheres caso permaneçam em silêncio diante dos ataques. A declaração foi feita durante reunião da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, presidida pela própria parlamentar, um dia depois de Michelle Bolsonaro anunciar que deixará a presidência do PL Mulher em meio à crise com o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Sem citar nominalmente Flávio, Damares direcionou um recado aos homens que já participam da disputa eleitoral.
— Agora é para todos os homens que estão em cima de palanques, em palcos, já fazendo pré-campanha. Se vocês não nos defendem, o silêncio de vocês é conivência.
Em seguida, reforçou a cobrança.
— Há os homens que estão no processo político eleitoral. Se vocês se silenciam diante do ataque e da violência política contra a mulher, vocês são coniventes com o ataque, vocês são cúmplices dos ataques. Venham, colegas. Venham para essa luta. Venham conosco, não deixem apenas mulher defender mulher.
Interlocutores de Damares afirmam que o recado não foi direcionado apenas a Flávio Bolsonaro, mas a todos os homens que disputam cargos eletivos e permaneceram em silêncio diante de episódios recentes de violência política contra mulheres, inclusive o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo pessoas próximas à senadora, os ataques se agravaram nos últimos dias após Michelle divulgar um vídeo com críticas públicas ao enteado, episódio que mobilizou a base bolsonarista nas redes sociais e desencadeou uma série de ataques contra mulheres ligadas ao grupo político, dentre elas a própria ex-primeira-dama e a própria Damares.
Ao longo do discurso, a senadora afirmou que mulheres de diferentes espectros políticos têm sido alvo de violência política de gênero e incentivou novas candidaturas femininas, apesar dos ataques.
— Não recue. Não tenha medo. Venha para a política. Participe, se engaje. Vão tentar te desanimar? Vão. Mas você precisa ser forte.
Damares também criticou declarações feitas pelo influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo e afirmou que os ataques recentes colocaram até mesmo em dúvida a capacidade das mulheres de participar da vida política.
— Chegaram ao absurdo, essa semana, de colocar em dúvida se a mulher tem capacidade de votar. Se a gente sabe escolher ou se merece ser escolhida.
A senadora não citou Figueiredo nominalmente, mas a fala foi uma clara referência às declarações do aliado de Eduardo Bolsonaro, que disse em live esta semana que “estatisticamente mulheres votam mal”.
Na sequência, afirmou que o crescimento da participação feminina na política tem provocado reações de setores que resistem à presença das mulheres em espaços de decisão.
— Nunca tivemos tantas mulheres candidatas como agora. Nós estamos chegando ao poder e tem gente que não suporta isto.
Sem mencionar diretamente a crise interna do PL, Damares saiu em defesa de Michelle Bolsonaro e afirmou que a ex-primeira-dama também foi alvo de uma campanha de ataques após o embate público com Flávio.
— Eu vou fazer referência a uma mulher de direita que eu sou amiga, irmã, uma espécie de mãe conselheira, que é a Michelle Bolsonaro. Vocês não têm ideia do que fizeram com a Michelle Bolsonaro nesses últimos dias. As imagens, inteligência artificial, a manipulação de imagens… atacaram a filha dela também. Duvidam, inclusive, que a menina seja filha do ex-presidente da República.
Segundo a senadora, a violência política contra mulheres ultrapassa diferenças ideológicas e atinge parlamentares de diversos partidos.
— São mulheres de direita e mulheres de esquerda atacadas o tempo todo. Nessa legislatura, uma senadora do PT foi atacada de forma vil. Eu fui uma das primeiras a defendê-la. Mas essa semana são as mulheres de direita que estão sendo atacadas.
Na semana passada, Michelle divulgou um vídeo de 26 minutos no qual acusou Flávio Bolsonaro de tratá-la com desrespeito e afirmou que Eduardo e Carlos Bolsonaro fizeram ataques “coordenados” contra ela nas redes sociais. A crise teve início após divergências sobre a articulação do PL para a disputa ao Senado no Ceará e levou o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, a atuar para tentar pacificar a relação entre madrasta e enteado.
Na terça-feira, Michelle anunciou que deixará a presidência do PL Mulher. Em nota, afirmou que a decisão foi tomada após conversar com o ex-presidente Jair Bolsonaro e informou que pretende dedicar-se integralmente aos cuidados com o marido e com a filha do casal. A ex-primeira-dama não mencionou a crise com Flávio no comunicado, atribuindo a decisão exclusivamente ao momento vivido pela família.
Também nesta quarta-feira, Flávio reuniu deputadas e outras lideranças conservadoras, em Brasília, para apresentar os três eixos da agenda voltada ao eleitorado feminino de sua pré-campanha. Damares, no entanto, não participou do encontro. Segundo aliados da senadora, ela decidiu não comparecer por ter ficado chateada com a ausência de uma manifestação pública de Flávio em defesa dela e de Michelle diante dos ataques sofridos nos últimos dias. Para interlocutores da parlamentar, foi justamente essa insatisfação que motivou o recado dado durante a reunião da Comissão de Direitos Humanos.
BS20260701170704.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/01/apos-crise-entre-michelle-e-flavio-damares-diz-que-silencio-de-pre-candidatos-diante-de-ataques-a-mulheres-e-conivencia.ghtml

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