POLÍTICA

Comprador do imóvel de Sóstenes com dinheiro em espécie não fez saque em data próxima à compra, aponta PF

1 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Após ser alvo da PF, parlamentar alegou que dinheiro apreendido R$ 468,7 mil eram referentes a venda de imóvel. Nova fase da operação investiga origem do recurso

Líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante — Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

A Polícia Federal não identificou saques bancários realizados em data próxima à compra do imóvel que o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirma ter vendido em troca dos R$ 468,7 mil apreendidos com ele durante uma operação realizada em dezembro do ano passado. A informação consta da investigação que embasou a nova fase da Operação Rent a Car, realizada nesta quarta-feira, para aprofundar a apuração sobre a origem do dinheiro encontrado com o parlamentar.

Segundo a escritura pública analisada pela PF, o advogado Thiago Ferreira de Paula, comprador do imóvel, e Sóstenes declararam que o pagamento de R$ 500 mil foi realizado em dinheiro vivo em 24 de novembro de 2025. A investigação, porém, afirma que o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) não identificou que Thiago tenha sacado valores em data próximo à compra.

Para os investigadores, embora a escritura declare que o pagamento em dinheiro ocorreu em 24 de novembro de 2025, “a análise financeira não localizou, no acervo examinado, saque contemporâneo identificável por parte do suposto comprador que desse suporte objetivo à narrativa cartorária”.

A linha de investigação sobre Thiago Ferreira de Paula foi aberta após a apreensão de R$ 468 mil em espécie durante a operação realizada contra Sóstenes em dezembro do ano passado. Na ocasião, o deputado afirmou que o dinheiro era proveniente da venda de um imóvel em Ituiutaba e que havia recebido o pagamento em espécie.

Segundo a Polícia Federal, a apuração relativa ao advogado “não surgiu de notícia autônoma, mas de versão apresentada pelo próprio parlamentar federal para explicar fato revelado no cumprimento da medida cautelar deferida por esta Suprema Corte”. A corporação destaca que a investigação busca verificar se a justificativa apresentada pelo deputado corresponde aos elementos objetivos obtidos durante as diligências.

Os investigadores chamam atenção para a cronologia da operação de compra e venda. A escritura foi registrada em cartório apenas em 30 de dezembro de 2025, 11 dias depois da operação que apreendeu o dinheiro com o parlamentar. Para a PF, os interessados “somente levaram a registro cartorário, após a apreensão do numerário, uma narrativa documental destinada a conferir lastro formal a uma alegada transação pretérita”.

Thiago Ferreira de Paula é advogado e proprietário da sociedade individual de advocacia que leva seu nome. Segundo a investigação, seu escritório funciona no mesmo endereço de sua residência, em Ituiutaba, e fica a cerca de 500 metros do imóvel adquirido.

“O pagamento de quinhentos mil reais, alegadamente realizado em 24.11.2025 pelo comprador Thiago Ferreira de Paula, carece de evidência que comprove a capacidade financeira do adquirente, cujo histórico financeiro apresenta transações atípicas e repasses de valores suspeitos”, frisou a PF.

Procurado, Sóstenes negou voltou a negar irregularidades:

— Uma dessas pessoas (alvos da operação) foi o comprador do imóvel (a que ele atribui o dinheiro em espécie). Nenhum dos alvos é meu advogado. Podem fazer operação a vontade, quem não deve não teme — afirmou o parlamentar.


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