
Novo Desenrola: bancos precisam mandar até dia 30 as dívidas a serem compradas pelo governo
As instituições que não manifestarem interesse no prazo não poderão participar do leilão

Derivativo de câmbio aponta para cotação do dólar a R$ 5,55. Papéis de XP e Itaú negociados no exterior desabam

Os investidores se preparam para um dia de fortes oscilações nos preços dos ativos brasileiros nesta segunda-feira após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter vencido a eleição contra Flávio Bolsonaro, o candidato de direita preferido pela maior parte do mercado financeiro.
As primeiras indicações apontavam para uma forte derrocada: um ETF (fundo de investimentos atrelado a algum índice) que acompanha ações brasileiras negociadas em Nova York despencou 27% no pré-mercado. No Japão, um ETF de ações brasileiras recuou 15% nesta madrugada, registrando a maior perda em um único dia desde 2008.
Um contrato de derivativos cambiais na bolsa CME indicava o real cotado a R$ 5,55 por dólar. Na sexta-feira, o dólar comercial fechou a R$ 4,99 no Brasil. Embora não seja uma indicação direta da cotação, esse movimento dos derivativos cambiais sugere uma queda de mais de 10% do real em relação ao fechamento de sexta-feira.
As ações negociadas nos Estados Unidos e na Europa de empresas com operações no Brasil registraram fortes quedas. A XP e o Itaú Unibanco recuaram pelo menos 26% no início das negociações nos Estados Unidos, enquanto o Banco Santander e a Telefónica caíram mais de 5%.
Mesas de operações em São Paulo disseram esperar que as vendas sejam tão intensas na manhã de segunda-feira, e as quedas tão acentuadas, que ‘circuit breakers’ possam ser acionados.
Um mecanismo de circuit breaker é acionado quando o Ibovespa cai 10% ou mais, interrompendo as negociações por 30 minutos. Se as perdas chegarem a 15% após a retomada das operações, o mercado é suspenso por mais uma hora. Uma queda de 20% permite que a operadora da Bolsa, a B3, determine por quanto tempo as negociações devem permanecer suspensas.
A corretora Monte Bravo havia estimado que o Ibovespa poderia despencar 11% na primeira hora de negociação em caso de vitória de Lula. Em uma pesquisa do Citigroup com 73 investidores, publicada na sexta-feira, a maioria esperava que esse resultado levasse a uma queda de pelo menos 5% do real, com as taxas de swap subindo mais de 1 ponto percentual, à medida que operadores desmontassem as apostas em cortes de juros que haviam acumulado após Flávio Bolsonaro superar Lula no primeiro turno, no início deste mês.
— Vai ser um dia duro. O mercado vai reprecificar tudo o que foi prometido — disse Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset Management, que administra R$ 1,1 trilhão em ativos. — Todo mundo foi pego de surpresa. Todo mundo está tentando entender.
Lula, que na visão dos mercados dificilmente promoverá a austeridade fiscal de que o Brasil precisa para reduzir os juros, obteve 51,79% dos votos no segundo turno. Flávio teve 48,21%.
Com a vitória de Lula, “espera-se que todos deem um passo atrás”, disse Cathy Hepworth, que chefia a equipe de dívida de mercados emergentes da gestora de ativos PGIM, da gigante americana Prudential, com US$ 1,5 trilhão em ativos sob gestão.
— Haverá uma reprecificação muitos significativa, talvez por um tempo. — Mas ainda é o Brasil, e Lula é um animal político, então as coisas acabarão se estabilizando — disse ela.
Guilherme Abbud, CEO da Persevera Asset Management, diz que movimentos de queda tendem a envolver “mais pânico e ordens motivadas por emoções”, disse Abbud.
— Lula poderia eventualmente adotar uma abordagem mais cautelosa em relação aos gastos públicos, mas é improvável que o mercado lhe dê o benefício da dúvida.
Os investidores, em grande parte, estavam posicionados para uma vitória de Flávio depois que sua surpreendente liderança no primeiro turno das eleições, no início deste mês, desencadeou uma forte alta, atraindo bilhões em fluxos estrangeiros na expectativa de um aperto fiscal que permitiria a redução da dívida pública brasileira e das taxas de juros no futuro.
Empresas como UBS Global Wealth Management, Morgan Stanley, JPMorgan e Citigroup correram para emitir recomendações otimistas para os ativos brasileiros após a dianteira de Flávio no primeiro turno
À medida que as pesquisas continuavam a apontar para um segundo turno apertado, com Lula implementando uma série de medidas favoráveis aos eleitores e Flávio Bolsonaro anunciando medidas econômicas incongruentes, muitos começaram a reforçar suas estratégias de proteção para resguardar seus portfólios. Mas uma vitória de Flávio ainda era vista como o cenário mais provável.
— Os mercados não estavam posicionados para esse resultado — disse Anna Wu, estrategista de investimentos e fundadora da Floodlines Research. — Na minha avaliação, trata-se de algo que vai além de uma reação impulsiva, pois o mercado local agora enfrenta riscos concretos relacionados à dívida pública e à desvalorização da moeda.
Desde que retornou ao poder em janeiro de 2023, Lula tem adotado políticas que impulsionam o consumo e expandiu a oferta de crédito. A taxa de desemprego caiu a níveis inéditos e a renda médias dos trabalhadores cresceu. Mas ele fez pouco para lidar com o crescente déficit do país, que, segundo a maioria dos economistas, é a razão pela qual o país tem algumas das taxas de juros reais mais altas do mundo.
Os problemas fiscais do Brasil são profundos, e seus efeitos já se fazem sentir em toda a economia. A inadimplência das famílias está em nível recorde, milhões de empresas estão com pagamentos em atraso e os produtores rurais estão deixando de honrar suas dívidas em um ritmo sem precedentes. O próprio governo tem pouca margem de manobra, com a dívida pública acima de 80% do PIB e um orçamento amplamente comprometido com despesas obrigatórias.
Ainda assim, os mercados brasileiros seguiram, em última análise, um cenário positivo durante seu terceiro mandato.
As altas taxas de juros, embora restritivas para a economia, tornam a moeda atraente para investidores que buscam manter suas posições em um cenário de dólar mais fraco e afastamento dos mercados americanos, o que contribuiu para impulsionar os mercados emergentes de forma mais ampla.
Nesta madrugada, os títulos da dívida brasileira denominados em dólares caíram em todos os contratos, de diferentes prazos, com alguns papéis perdendo mais de 1,5 centavo de dólar, liderando as perdas entre os mercados emergentes.
O estrategista do Wells Fargo Alvaro Vivanco escreveu, antes do segundo turno de domingo, que, em caso de uma vitória surpreendente de Lula, esperava que o real se desvalorizasse para R$ 5,30 por dólar assim que os mercados reabrissem na segunda-feira.
BS20261026102956.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/10/26/dolar-e-bolsa-hoje.ghtml

As instituições que não manifestarem interesse no prazo não poderão participar do leilão

Micro e pequenas empresas recorrem ao modelo para garantir benefícios em saúde, e empresas de maior porte tentam conter ocusto do plano de saúde

No campo fiscal, também são esperadas iniciativas para conter a trajetória de crescimento de despesas

Banco Central injeta US$ 3,75 bi no câmbio futuro e Tesouro recompra R$ 7 bilhões em títulos. A médio prazo, dizem analistas, anúncios sobre política fiscal e escolha de ministério devem influenciar nas cotações
