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Clubes do Rio de Janeiro e São Paulo reagiram após fala do presidente Lula sobre bets

Após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falar que pode tomar novas medidas na regulação do mercado de apostas, clubes de futebol publicaram uma nota em conjunto criticando as possíveis mudanças. No comunicado, os times citaram a possibilidade de insolvência, insegurança jurídica e até falaram em “fim do futebol brasileiro”.
A reação dos clubes veio após informações indicarem que o governo federal está editando uma Medida Provisória para modificar a regulamentação das casas de apostas. De acordo com o Estadão, o foco seriam os “cassinos online” e não as apostas esportivas. Mas, como muitas plataformas atuam nas duas frentes, o mercado do futebol também pode ser atingido. A MP pode ser publicada ainda antes da próxima eleição, marcada para 4 de outubro, mas o texto final ainda depende de decisão do presidente Lula.
“Os rumores sobre mudanças abruptas na regulamentação do mercado de apostas têm gerado enorme preocupação em todos os clubes, federações e entidades de administração do esporte. Uma mudança abrupta nas regras reduziria a capacidade de investimento dos clubes e criaria desequilíbrios dentro e fora do país. Contratos regularmente firmados, planejamentos plurianuais e compromissos financeiros foram estabelecidos sob um marco regulatório construído pelo próprio Estado”, diz um trecho da nota.
A nota foi assinada por Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco (RJ); Palmeiras, Santos e São Paulo (SP); Grêmio (RS); Atlético-MG e Cruzeiro (MG); pelo Sindicato dos Atletas; pela Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol; e pelas federações de Rio e São Paulo.
Na última terça-feira, em reunião com representantes de entidades da saúde, da economia, da sociedade civil, do setor cultural e de organizações religiosas para discutir os impactos das apostas on-line no país, o presidente Lula falou que gostaria de “acabar” com as bets
— Eu, pessoalmente, acabo com as bets. Eu acho que ela é o mal da sociedade. Agora, como presidente da República, eu tenho que saber que tem outras coisas que eu tenho que compartilhar decisões para que a gente possa fazer da forma mais correta possível, sem que a gente possa comprometer a estabilidade política, social e econômica — disse Lula na reunião.
— Então, eu acho, companheiros, que nós temos que tomar uma decisão mais drástica (…) Porque hoje vocês deram o norte para que a gente possa tomar a decisão. Já tem dois terços da decisão tomada — completou o presidente.
Lula tem criticado reiteradamente as apostas on-line por avaliar que elas contribuem para o endividamento das famílias. Desde a regulamentação do setor, o governo já restringiu a publicidade das casas de apostas e bloqueou o acesso de beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) às plataformas.
O futebol acompanha com atenção as discussões sobre o mercado de apostas no Brasil e reconhece os desafios que sua expansão traz. Os impactos sociais, especialmente sobre as pessoas mais vulneráveis, exigem atenção permanente do Poder Público, das empresas e de todos os setores envolvidos.
Por isso, é fundamental aprimorar as medidas de proteção, fiscalização, educação e prevenção, para reduzir riscos e garantir um mercado responsável.
O Brasil escolheu enfrentar esse desafio pela regulamentação. A regulamentação estabeleceu regras rígidas para as empresas autorizadas a atuar no país, com regras claras que permitem ao Estado fiscalizar o mercado, responsabilizar quem descumpre a lei e combater a atuação de plataformas clandestinas.
Importante ressaltar que, nos últimos anos, o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte. Este investimento impulsionou o futebol brasileiro de tal forma a dominar o cenário sul-americano em competições como a CONMEBOL Libertadores e a CONMEBOL Sul Americana e a colocar clubes brasileiros em posição de protagonismo.
Essa presença não se limita aos maiores clubes. Os recursos também alcançam equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial. Para muitos destas agremiações, especialmente aquelas localizadas no interior do país, não existe hoje outro segmento econômico capaz de substituir imediatamente esse investimento.
Essas receitas são fundamentais para manter estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais, projetos sociais e departamentos que não gerem recursos suficientes para se sustentar de maneira independente, como parte do futebol feminino e a formação de futuros talentos, os primeiros investimentos ameaçados quando a receita cai de forma abrupta.
Assim, os rumores sobre mudanças abruptas na regulamentação do mercado de apostas têm gerado enorme preocupação em todos os clubes, federações e entidades de administração do esporte. Uma mudança abrupta nas regras reduziria a capacidade de investimento dos clubes e criaria desequilíbrios dentro e fora do país. Contratos regularmente firmados, planejamentos plurianuais e compromissos financeiros foram estabelecidos sob um marco regulatório construído pelo próprio Estado.
Para responder a um mercado que já existia e movimentava ilegalmente bilhões de reais, o país instituiu um ambiente regulado. Empresas foram autorizadas, passaram a recolher impostos e assumiram obrigações relacionadas à proteção do consumidor, ao bloqueio de menores, à prevenção de práticas abusivas e ao combate à lavagem de dinheiro e à manipulação de competições. Foi justamente a regulamentação do mercado que retirou o Brasil da liderança do ranking mundial de casos de manipulação.
Inviabilizar esse modelo não fará com que as apostas deixem de existir. Apenas abrirá o caminho para que os consumidores migrem integralmente para plataformas clandestinas, que não pagam impostos, não respeitam limites, não oferecem instrumentos de proteção e não colaboram com as autoridades.
A consequência não será apenas uma porta escancarada para as apostas clandestinas, mas um golpe fatal para o futebol brasileiro, levando muitos clubes à insolvência. Isso, sem falar na insegurança jurídica e profissional que a medida acarretaria, especialmente para contratos regularmente firmados e planejamentos construídos sob o marco regulatório aprovado pelo Congresso Nacional e estabelecido pelo próprio Estado.
O que o futebol entende que deve ser feito, com o máximo rigor, é combater a ilegalidade, fortalecer a fiscalização e aperfeiçoar os mecanismos de proteção, sem colocar em risco um mercado que foi regulamentado pelo próprio Estado.
O futebol se coloca à disposição do Governo Federal, do Congresso Nacional, das Autoridades Estaduais e Municipais para colaborar em mecanismos mais eficientes de educação e conscientização.
O futebol está mobilizado, reconhece suas responsabilidades e quer participar da solução, de uma forma racional e consciente.
O TORCEDOR NÃO PODE PAGAR ESSA CONTA.
SE ACABAR COM O MERCADO REGULADO, AS APOSTAS NÃO ACABAM.
O FUTEBOL É QUE ACABA.
BS20260917222245.1 – https://oglobo.globo.com/esportes/noticia/2026/09/17/clubes-publicam-nota-contra-mudancas-na-regulacao-do-mercado-de-aposta-e-citam-fim-do-futebol-brasileiro.ghtml

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