
Senado inicia semana de esforço concentrado para votar pautas urgentes
Senadores terão sessões deliberativas e especiais no Plenário, além de reuniões e audiências públicas nas comissões

Futuro integrante da coordenação da campanha, ministro do Desenvolvimento Social diz que erro do primeiro mandato foi não consolidar maioria no Congresso e prevê aproximação de partidos a partir de alianças aos governos locais

O ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social) afirma que a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá ser acompanhada por uma articulação voltada ao centro político. Em entrevista ao GLOBO, o ministro avalia que o principal erro do terceiro mandato foi não consolidar uma maioria simples na Câmara e no Senado, diz que faltou cuidado e atenção na relação com os aliados, e defende a construção de palanques estaduais capazes de assegurar governabilidade em um eventual novo mandato.
Dias atuará na coordenação de campanha da reeleição ao petista, com foco na região Nordeste. Ex-governador do Piauí e senador licenciado, o ministro afirma que é preciso retomar o diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), defende a prerrogativa de Lula em reenviar o nome de Jorge Messias a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) e diz que a atuação de Flávio Bolsonaro (PL) junto ao governo Donald Trump que resultou na classificação do PCC e do CV como organizações terroristas é para “abafar o escândalo do Master”.
É possível reenviar o nome e um direito do presidente da República. Precisamos alcançar os votos que faltaram para ter a maioria, por meio de diálogo com Alcolumbre e senadores e senadoras.
Sim. Davi Alcolumbre é, em primeiro lugar, do estado do Amapá, e lá ele é parte do campo político que apoia o presidente Lula. Além de tudo, é um líder que tem compromisso com o Brasil. De 2023 para cá, nós tivemos vários momentos de tensão gerados por vários fatores. E reabrimos, através do diálogo, boas relações que resultaram em mudanças profundas e projetos que fizeram o Brasil avançar. São dois líderes que têm seus sentimentos, suas emoções, mas são dois Poderes.
Não é fácil conduzir uma orquestra de comunicação governamental sem ter uma orquestra afinada, que chegue em cada canto. A eleição agora vai dizer qual é o time do governo. Hoje não está claro, tem gente que é governo em Brasília e oposição no estado, ou o contrário. Hoje, temos palanques nos estados muito melhores do que tínhamos em 2022.
Você tem que compor com quem tem compromisso com o projeto. Os que se diziam governo, mas não atuavam assim, precisarão tomar a decisão. E isso está acontecendo. Estamos trabalhando com mais de um palanque em vários estados: Maranhão, Paraíba, Pernambuco…
Sim. Lá temos o João Campos e a Raquel Lyra. Vamos lembrar que ela se colocou primeiro como oposição (em 2022) e no segundo turno teve uma posição mais de neutralidade, mas uma parte considerável do nosso time ficou com ela.
Não. Pelo modelo partidário brasileiro, a organização tem que ser pelos estados. Esse foi um erro que cometemos em querer resolver por cima. Devemos organizar estado por estado, porque é lá que sabemos quem é governo e quem é oposição. É lá que estão colados com o eleitor.
Temos que cuidar das duas Casas e ter uma maioria simples nelas. Qual foi o erro político desse terceiro mandato do presidente Lula? A obsessão de ter dois terços na Câmara e no Senado, que era impossível, fez com que a gente não valorizasse a chance que tínhamos de ter acima de 257 votos na Câmara e acima de 41 no Senado. A gente saiu do resultado da eleição de 2022 com 39 senadores. Bastava que a gente cuidasse bem deles, buscasse dialogar com mais parlamentares e teríamos uma maioria simples que é o que um governo precisa para 95% das matérias que chegam ao Parlamento. Na Câmara, saímos com 242 deputados eleitos que, de alguma forma, no primeiro ou segundo turno, participaram da eleição apoiando o presidente Lula. E a gente não cuidou de conseguir mais 30 parlamentares. Um líder do tamanho do presidente Lula não pode, num segundo mandato, não ter isso. E se tiver matéria que precisa de mais votos, resolvemos no diálogo.
Nós já estamos organizando os palanques. Temos lugares em que é um líder da esquerda apoiado pelo centro, como na Bahia, no Piauí, no Ceará. Mas a maior parte dos palanques é o centro apoiado pela esquerda. Rio de Janeiro, Amazonas, Pará por exemplo. Isso reflete esse momento do Brasil.
Isso, exatamente. É no estado e em cada município que as coisas acontecem. Se a gente tem esse compromisso e valoriza esse parlamentar para ser a referência do que o governo faz ali, eles passam a ser protagonistas, representando e com apoio governamental para as políticas. A população valoriza e daí nasce a fidelidade.
Flávio Bolsonaro aparecia tecnicamente empatado com o presidente Lula nas pesquisas de intenção de voto. Com a revelação do áudio dele cobrando dinheiro de Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro houve uma mudança de cenário. Como a campanha vai explorar isso? A campanha teme a possibilidade de Flávio ser substituído por outro nome, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro?
Aprendemos a não buscar nem ter qualquer iniciativa ou desejo sobre organização de chapa adversária. Nós temos a firmeza de uma chapa com dois líderes muito experientes, o presidente Lula e Alckmin. Nessa eleição também teremos um peso muito grande para essa separação da política do crime organizado. Como uma autoridade do Senado ou da Câmara ou governador se mete com o PCC, com lavagem de dinheiro, com Vorcaro? Como é que se envolve com tantas linhas criminosas? O Vorcaro é como um posto Ipiranga do crime no Brasil. Precisa de uma mesada? Fala com o Vorcaro. Precisa fazer um filme de papai? Fala com o Vorcaro.
Nada mais claro entre tantos passos do pré-candidato Flávio Bolsonaro como esse de abafar o escândalo do Master. Uma medida irresponsável, antipatriota, que coloca o interesse individual, familiar, de pequenos grupos acima do interesse maior do povo brasileiro. Veja que o presidente do Brasil, legitimamente, esteve com o presidente dos EUA, e acertaram trabalhar juntos sobre esse tema. Estamos falando de um momento em que, seguindo o caminho do dinheiro, mais se atingiu o PCC e o Comando Vermelho. Qual o interesse de chegar de forma tão subalterna perante o presidente dos EUA para fazer um pedido? Tem um risco real de prejuízo econômico para o país. Há que se avaliar do ponto de vista até do crime de lesa-pátria.
A gente continua acreditando nos tratados internacionais. Nós não somos um país qualquer. Somos um país com soberania, democracia e laços com outros países do mundo.
Quem mais atingiu o coração do crime foi o governo Bolsonaro ou foi o governo Lula? Quem mais prendeu criminosos? Quem mais teve a coragem de alcançar os grandões do crime? Foi o governo do presidente Lula. Acho que aqui se tenta abafar, esconder o elo entre criminosos do Master com o PCC. Quem tem que se explicar são eles.
É uma decisão que não será para este ano de 2026. Vamos tratar quando o governo for falar do Orçamento de 2027, que é a hora que podemos avaliar que mudanças podemos fazer. A princípio não há razão para alteração neste momento. Essa discussão acontece em outubro, em novembro, depois das eleições e fora de qualquer discussão política, é uma discussão mais técnica. Será uma decisão do presidente Lula.
BS20260608060040.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/08/entrevista-lula-vai-ter-mais-de-um-palanque-em-varios-estados-para-aproximar-o-centro-diz-wellington-dias.ghtml

Senadores terão sessões deliberativas e especiais no Plenário, além de reuniões e audiências públicas nas comissões

Responsáveis por elucidar causas de mortes e produzir conhecimento técnico-científico, profissionais serão homenageados na segunda (10), a partir das 19h

Pedido deve ser feito na página do TSE na internet

Também alvo de críticas, Ruas tentou se desvencilhar de Castro e Bacellar
