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Durante Fiec Summit, insumo é apontado como “combustível do futuro” O potencial do Brasil para a produção e exportação do combustível hidrogênio verde é cada vez mais reconhecido internacionalmente, o que pode representar, para o país, a possibilidade de obter grandes lucros a partir desta commodity que é apontada como o combustível do futuro.Hidrogênio Verde utiliza fontes […]
Durante Fiec Summit, insumo é apontado como “combustível do futuro”
O potencial do Brasil para a produção e exportação do combustível hidrogênio verde é cada vez mais reconhecido internacionalmente, o que pode representar, para o país, a possibilidade de obter grandes lucros a partir desta commodity que é apontada como o combustível do futuro.
Hidrogênio Verde utiliza fontes renováveis de energia na sua produção -Foto: Divulgação
“O potencial do Brasil já foi identificado internacionalmente. Sabemos que todos países que têm sol de dia e vento à noite serão países ricos [caso venham a explorar esse potencial para a geração de energia limpa]”, disse nesta quarta-feira (3) a diretora de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Hidrogênio Verde (ABH2), Mônica Saraiva Panik, durante o FIEC Summit, seminário organizado pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) que tem, na edição 2022, o hidrogênio verde como tema.
Para ser chancelado como “verde”, o hidrogênio precisa ser obtido em um processo que não envolva o uso de combustíveis prejudiciais ao meio ambiente, tanto na produção como no seu transporte. Nesse sentido, o uso de energia eólica e solar para a sua produção é algo visto como muito promissor.
Assim sendo, o Nordeste brasileiro, “com o sol de dia e vento à noite”, é uma região que apresenta ótimas condições para a produção dessa commodity , disse Panik. Nesse sentido, o Ceará é tido como “possível grande hub” para a produção desta versão ambientalmente adequada do gás que, segundo especialistas, poderá substituir combustíveis danosos ao meio ambiente.
Panik destacou também as parcerias já firmadas entre Brasil e o Porto de Roterdã, na Holanda. Como porto mais ativo do mundo, ele pode ser a grande porta de entrada desta commodity no mercado europeu.
“O hidrogênio pode ser a commodity energética que, futuramente, vai substituir o petróleo”, disse Ricardo Cavalcante, presidente da Fiec, ao complementar: “Nossa intenção é formar um hub de hidrogênio no Ceará”.
O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, e a governadora do Ceará, Izolda Cela, também participaram do seminário. “Esta é uma solução climática lucrativa”, disse Leite.
“O caminho é esse: trazer solução, gerar emprego e industrializar o nordeste, que terá energia verde, renovável e limpa. Vamos ajudar a criar essa nova economia verde”, disse o ministro.
A governadora Izolda Cela lembrou que a luta em questão “é pela preservação do planeta e em defesa da vida”, e que, nesse sentido, o Ceará se posiciona nessa estratégia climática global, com o sonho de ser a “casa do hidrogênio verde”, aproveitando as características climáticas do estado.
A expectativa é de que muitas das empresas – boa parte multinacionais – interessadas em investir no hidrogênio verde brasileiro se instalem no Complexo Industrial e Portuário Pacem, no Ceará.
“Temos todas as condições de produzir hidrogênio verde em condições internacionalmente competitivas”, disse a diretora executiva e comercial do complexo, Duna Uribe. Ela cita as possibilidades de extração de hidrogênio a partir de hidrólise da água do mar dessalinizada, em processos que fazem uso de energia eólicas offshore (em instalações marítimas) e onshore (em terra firme).
A diretora lembra, no entanto, a necessidade de se desenvolver um marco regulatório sobre toda a cadeia produtiva do combustível, incluindo as formas de transporte, por exemplo, já que trata-se de um gás extremamente explosivo.
Economista Sênior de Energia do Banco Mundial, Carlos Costa citou alguns desafios que podem vir a dificultar investimentos. O primeiro é o alto custo dos hidroeletrizadores, mecanismos que extraem hidrogênio da água.
Outro aspecto seria a incerteza sobre a performance técnica do combustível, uma vez que os projetos implementados até o momento envolvem apenas “escalas menores” de produção, “havendo portanto risco ao se passar para grandes escalas”.
O marco regulatório sobre o setor também foi citado: “Há também outros desafios por envolver um novo modelo de negócio, mas do mesmo jeito que a Petrobras criou um centro [petrolífero] no Rio de Janeiro, há possibilidades de se fazer algo similar no Ceará”, acrescentou.
“Este não é um projeto do Ceará, mas da nação brasileira, tendo o Ceará como leme. Visitei o complexo Pacem e fiquei impressionado com esse projeto que é a semente da transição energética do país. O Banco Mundial é, sim, o parceiro ideal para este desafio”, completou.
Segundo a Fiec, o hidrogênio verde vem se configurando como uma resposta às emissões do dióxido de carbono (CO2), que tem provocado consequências drásticas ao meio ambiente.
“Com as transformações, a substância vai ser produzida a partir de fontes renováveis de energia. Por isso, é considerado o combustível do futuro, já que é produzido por meio de um processo chamado eletrólise, no qual as moléculas de oxigênio e hidrogênio da água são separadas”, informou a organizadora do evento que termina nesta quinta-feira (4).
O Fiec Summit teve 1.587 inscritos de 20 países: Angola, Alemanha, Austrália, Canadá, Chile, Colômbia, Emirados Árabes, Espanha, Estados Unidos, Índia, Itália, Panamá, Portugal, Holanda, Reino Unido, Tanzânia e Paraguai, além do Brasil.
Edição: Denise Griesinger
Fonte: Agência Brasil

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