Fachin afirma que Brasil é soberano e não crê em ação americana no país após classificação de CV e PCC como grupos terroristas
8 de julho, 2026
| Por: Agência O Globo
Em evento em SP, o presidente do STF demonstrou preocupação com a atuação do crime organizado nas eleições
Edson Fachin, na Segunda Turma do STF — Foto: Andressa Anholete/STF/11-06-2024
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (8), em São Paulo, que não acredita em intervenção americana no Brasil, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificar o Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas.
— O Brasil é um Estado soberano e a soberania se exerce com firmeza e serenidade. E nós temos certeza de que isto há de prevalecer, quer aqui na região, quer no concerto global das nações — afirmou o ministro.
A fala de Fachin ocorreu durante o evento de criação de três varas especializadas em lavagem de dinheiro e em combate ao crime organizado, do Tribunal de Justiça paulista. Ao ser questionado se as novas estruturas foram criadas devido à tipificação de CV e PCC nos Estados Unidos, o magistrado afirmou que não há relação.
— Não se instalam três varas de combate ao crime organizado num período de tempo curto. Isso requer um planejamento, requer um planejamento das designações dos magistrados, dos servidores que vão operar, da definição da redistribuição de afazeres e, portanto, isso já vinha, de algum tempo, nos preocupando. Eu, pessoalmente, estou ligado a essa temática desde que comecei a relatar a DPF 635, que tratou de uma temática conexa a essa no Estado do Rio de Janeiro. Depois, durante a COP 30, nós tratamos em Belém da macro criminalidade e toda a questão ambiental. Portanto, não é um tema recente, é um tema que já tem uma grande preocupação — disse Fachin.
O presidente também respondeu sobre a atuação do crime organizado no setor público e demonstrou preocupação com o período eleitoral.
— A questão da violência política é uma grande preocupação. O Tribunal Superior Eleitoral tem tomado, já na gestão da ministra Carmen Lúcia, um conjunto de providências foram anunciadas nessa área. E agora, na gestão do ministro Cássio Nunes Marques, isto está recebendo o devido apoio e o estímulo — afirmou. — E todo o sistema de justiça vai estar atento para que o crime organizado não se infiltre no procedimento eleitoral e para que o exercício do voto seja um exercício verdadeiro de soberania popular. Porque uma eleição há de ser sempre realizada com tranquilidade, sem violência, sem cooptação eleitoral, sem extorsão do consentimento eleitoral. E para isso a Justiça Eleitoral está preparada, como já esteve nos outros procedimentos eleitorais, para dar uma boa resposta.