SAÚDE

Férias de julho: como manter uma alimentação saudável sem perder a rotina com as crianças

1 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Manter organização, oferecer opções saudáveis e aprender a diferenciar fome de tédio são a chave para aproveitar o inverno sem que a alimentação se torne a principal forma de entretenimento

Férias de julho mudam a rotina e podem fazer com que as crianças peçam comida com mais frequência — Foto: Magnific

“O que tem para comer?”, “Estou com fome”, “Quero um doce”. Essas frases costumam se repetir várias vezes ao dia assim que começam as férias de julho. Sem a rotina da escola, os horários mudam, passa-se mais tempo em casa e é comum que as crianças peçam comida com mais frequência do que o habitual. Mas será que elas realmente estão com mais fome ou, muitas vezes, estão apenas procurando uma forma de se distrair?

As férias representam um descanso necessário, tanto para as crianças quanto para as famílias. No entanto, também alteram hábitos que, ao longo do ano, costumam ser bem organizados.

As pessoas acordam mais tarde, o café da manhã é adiado, o almoço muda de horário e as tardes, especialmente quando faz frio, são passadas dentro de casa. Nesse contexto, a cozinha se torna um dos lugares mais frequentados da casa.

A boa notícia é que não é preciso controlar constantemente o que as crianças comem nem proibir determinados alimentos. Com algumas estratégias simples, é possível aproveitar as férias sem que a comida se torne a resposta automática ao tédio.

Quando a rotina muda, o apetite também muda

Nosso corpo funciona, em grande parte, por hábitos. Durante o período escolar, os horários ajudam naturalmente a organizar as refeições. Nas férias, essa estrutura desaparece e, embora isso não tenha nada de errado, pode fazer com que os intervalos entre as refeições se tornem irregulares.

A isso se soma outro fator importante: o tédio. Quando as crianças têm menos atividades programadas, passam mais tempo diante das telas ou simplesmente procuram algo para fazer, muitas vezes interpretam essa necessidade como vontade de comer.

É claro que o frio também influencia. No inverno, tendemos a escolher preparações mais quentes e reconfortantes, que proporcionam sensação de bem-estar. No entanto, o aumento do apetite provocado pelas baixas temperaturas costuma ser muito menor do que imaginamos. Na maioria dos casos, a mudança na rotina pesa muito mais do que o clima.

Fome ou vontade de comer: aprender a diferenciar

Nem sempre que uma criança diz “estou com fome” seu corpo realmente precisa de energia. Às vezes, o que ela precisa é mudar de atividade, se movimentar, brincar ou simplesmente compartilhar um momento com alguém.

Antes de oferecer um alimento, vale a pena fazer algumas perguntas: faz pouco tempo que ela terminou de comer? Está entediada ou sem nenhuma atividade? Aceitaria uma fruta ou só quer biscoitos, doces ou guloseimas? Está há muito tempo diante de uma tela?

Não se trata de desconfiar do que a criança sente, mas de ajudá-la a reconhecer os diferentes sinais do próprio corpo. Aprender a identificar a fome real também é uma habilidade que pode ser desenvolvida.

Manter alguma estrutura ajuda

As férias não precisam ter horários rígidos, mas alguma organização faz diferença. Manter quatro ou cinco refeições por dia permite que as crianças cheguem a cada refeição com um nível adequado de fome e reduz o hábito de beliscar constantemente.

Se, em um dia, o café da manhã aconteceu mais tarde porque todos acordaram às dez da manhã, provavelmente o almoço também será adiado. Isso é completamente normal. O importante é evitar pequenas refeições a cada meia hora durante toda a manhã, pois, no fim, a criança acaba comendo sem perceber quanto ou por quê.

O planejamento também facilita a vida dos adultos. Saber aproximadamente o que será servido em cada momento evita improvisações e o recurso frequente a alimentos ultraprocessados.

Que a primeira opção disponível seja uma escolha saudável

Durante as férias, as crianças abrem a geladeira e os armários da cozinha muito mais vezes do que durante o ano letivo. Por isso, o ambiente exerce um papel fundamental.

Se, ao abrir a geladeira, elas encontrarem frutas lavadas e prontas para o consumo, iogurte natural, queijo, ovos cozidos ou palitos de cenoura, é muito mais provável que essas sejam as escolhas.

O mesmo vale para a despensa. Ter à mão castanhas e outras oleaginosas (quando apropriadas para a idade), pipoca caseira, aveia, pães integrais ou biscoitos caseiros facilita a inclusão de opções saudáveis na rotina.

Não é necessário eliminar completamente biscoitos, chocolates ou bolinhos. A chave é que eles não se tornem o recurso permanente para aliviar o tédio.

O lanche da tarde também aquece

No inverno, o lanche da tarde ganha um papel especial. Além de fornecer energia, pode se transformar em um momento de pausa e convivência em família.

Uma xícara de leite ou chocolate quente preparado com leite e cacau em pó sem açúcar, acompanhada de pão integral com queijo, bolo caseiro com frutas, biscoitos caseiros de aveia ou uma torrada com geleia são opções nutritivas e bastante adequadas para essa época do ano.

Também é a temporada das frutas cítricas. Tangerinas e laranjas não apenas fornecem vitamina C, como também são uma alternativa prática para manter sempre disponível em casa.

Cozinhar juntos também alimenta

As férias oferecem algo que costuma faltar durante o ano: tempo.

Envolver as crianças no preparo das refeições pode ser uma excelente forma de ocupar uma tarde fria. Preparar pão, fazer muffins caseiros, granola ou cortar frutas para uma salada colorida são atividades que, além de entreter, contribuem para uma relação mais saudável com a alimentação.

Diversos estudos mostram que crianças que participam da cozinha costumam estar mais dispostas a experimentar novos alimentos e desenvolvem maior autonomia para fazer escolhas saudáveis.

Aproveitar sem culpa

As férias também são feitas para compartilhar um chocolate quente, uma torta frita preparada em casa ou alguns biscoitos com os avós. Buscar uma alimentação perfeita durante duas semanas não é apenas irreal, mas também desnecessário.

O objetivo não é controlar cada mordida, e sim preservar hábitos que permitam manter uma alimentação equilibrada, mesmo quando a rotina muda.

Afinal, as melhores lembranças das férias raramente têm relação com calorias. Elas costumam ser construídas em torno de uma mesa compartilhada, de uma receita preparada em família ou de um lanche da tarde enquanto faz frio lá fora. E esses também são hábitos saudáveis que vale a pena cultivar.


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