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Publicações antigas também criticavam beneficiários do programa e foram excluídas do perfil do senador no X

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) apagou de sua conta no X publicações em que criticava o Bolsa Família e chamava o benefício de “bolsa-farelo”. Nesta terça-feira (dia 20), o Globo/EXTRA apurou que, entre as mensagens excluídas, estão posts de 2011, quando ele era deputado estadual no Rio, e de 2013 e 2014, nos quais associava o programa à manutenção da pobreza e acusava o PT de usar o benefício com fins eleitorais.
Os posts compuseram em junho reportagem do Estadão, com base num levantamento da AP Exata Inteligência. As mensagens já não constam do perfil do candidato à Presidência, que nos últimos anos adotou discurso favorável ao auxílio. O vereador paulista Nabil Bonduki (PT-SP) deu destaque ao “sumiço” das publicações e reproduziu parte deles em seu próprio perfil, num post que já obteve mais de 600 mil visualizações até a manhã desta terça-feira.
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Flávio Bolsonaro foi procurado por O Globo/EXTRA para comentar a mudança de posição e a exclusão das mensagens, mas ainda não houve resposta.
Em 24 de novembro de 2011, Flávio escreveu, em resposta ao colunista do GLOBO Ancelmo Gois, que havia sido o único deputado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) a votar contra o projeto que criou o Renda Melhor, iniciativa do governo de Sérgio Cabral para complementar a renda de famílias que já recebiam o Bolsa Família. O programa previa pagamentos adicionais de até R$ 300 e tinha como objetivo combater a extrema pobreza.
Na ocasião, o então deputado afirmou: “Fui o único voto contra na @alerj ao projeto ‘Renda Melhor’, q chamei de ‘bolsa-farelo’, pelo seu caráter clientelista eleitoral”. Flávio também disse ter apresentado emendas para limitar a dois anos o período de recebimento do benefício estadual e questionou se, com essa restrição, poderia apoiar a proposta.
Em junho de 2013, o senador publicou outra crítica ao programa federal, afirmando que o PT “perpetua a pobreza com o bolsa-farelo, mantendo as pessoas nessa dependência para não perder seus votos”. No ano seguinte, ironizou a Comissão Nacional da Verdade ao escrever: “#ComissãoDaVerdadeDescobre que dinheiro cai do céu e ninguém precisa trabalhar dobrado para manter quem vive de bolsa família”.
Em outra mensagem de 2014, Flávio questionou os critérios usados para calcular o desemprego no país: “Os milhões que recebem bolsa-família ou auxílio-desemprego, não procuram emprego. Para o PT, estão empregados”, afirmou. Em 2011, ele também havia criticado um acordo entre governo e oposição para reajustar o auxílio, classificando a iniciativa como “financiamento público de campanha do PT”.
O prazo de dois anos voltou ao debate na campanha de Flávio Bolsonaro, mas em um contexto diferente. Em 2011, quando era deputado estadual, o senador defendia limitar a esse período o recebimento do Renda Melhor, programa estadual que complementava o Bolsa Família para famílias em situação de extrema pobreza.
Nesta segunda-feira, Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio, apresentou uma proposta que também prevê um período de dois anos, desta vez para a transição de beneficiários do Bolsa Família que consigam emprego com carteira assinada ou abram um negócio. A ideia é permitir que essas pessoas continuem recebendo o auxílio durante esse período, com retorno automático ao programa caso percam a fonte de renda.
— As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família; aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada, e todo mundo merece sonhar com mais oportunidade, mais dignidade. É justamente nisso que a gente quer focar, esse é o coração do plano do Flávio — afirmou Daniella em entrevista à CBN Bahia.
Após a entrevista, perfis do PT e de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a divulgar nas redes sociais que Flávio pretendia desligar beneficiários do Bolsa Família depois de dois anos. Daniella gravou um vídeo para esclarecer a proposta, enquanto o senador acusou a esquerda de disseminar informações falsas.
As publicações antigas contrastam com o discurso adotado por Flávio nos últimos anos. Em 2019, já durante o governo do pai, Jair Bolsonaro (PL), o senador passou a publicar mensagens favoráveis ao programa, incluindo manifestações sobre o pagamento do 13º aos beneficiários.
Em junho deste ano, Flávio defendeu ampliar o período em que famílias podem continuar recebendo o auxílio após conseguir emprego formal ou abrir um negócio. Na ocasião, negou ter mudado de posição e afirmou que o Bolsa Família é um direito conquistado pela população. Também disse que o governo Bolsonaro havia triplicado o valor pago às famílias e defendeu medidas para estimular a autonomia financeira dos beneficiários.
BS20261020154955.1 – https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/10/flavio-bolsonaro-apaga-posts-em-que-chamava-bolsa-familia-de-bolsa-farelo.ghtml

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