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Governador da Bahia tentou nacionalizar questão que acomete seu estado, mas terminou ironizado pelo chefe do Executivo goiano
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), usou suas redes sociais neste sábado para rebater uma declaração do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT). Na semana passada, ao ser questionado sobre a segurança de seu estado, Jerônimo tentou nacionalizar o problema e citou outros lugares que enfrentavam a questão. Entre as unidades federativas, citou Goiás, o que não agradou Caiado.
— Não dá para dizer que nossa polícia não está fazendo nada. Estamos acompanhando também cenários no Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Minas Gerais e outros estados. É [um problema] nacional — disse o governador baiano à imprensa.
Diante da fala de Jerônimo Rodrigues, Caiado respondeu o petista e se ofereceu, em tom de ironia, para resolver a crise na Bahia:
— Aqui não, Jerônimo, aqui bandido não se cria. Aqui em Goiás a segurança é plena. Vou lhe dar duas sugestões: primeiro, deixa a polícia trabalhar e, segundo, se tiver difícil chama o Caiado, me dá o comando por seis meses que eu vou devolver a Bahia aos baianos — rebateu Caiado.
Como o GLOBO mostrou, a segurança pública é a pauta que alavanca a popularidade de Ronaldo Caiado no estado. Desde que assumiu a gestão, o estado sofreu uma queda nos crimes, acompanhada também de uma alta letalidade policial, o que gera críticas a sua gestão.
À frente do governo desde 2019, o político do União adotou slogans como “em Goiás, bandido grã-fino não se cria”. Durante seu primeiro mandato, um banner com a frase “Em Goiás, ou o bandido muda de profissão, ou muda de estado” chegou a cobrir durante meses a fachada do Palácio das Esmeraldas, sede do governo.
Nos pronunciamentos do governador, dados de segurança pública são com frequência destacados. Estatísticas oficiais do estado apontam que os homicídios dolosos, por exemplo, caíram pela metade entre 2018 e 2023 — de 2.117 para 1.046. A comparação é com o último ano da gestão de Marconi Perillo (PSDB), hoje opositor de Caiado.
Ao mesmo tempo, o governador enfrenta críticas de opositores e defensores da agenda de direitos humanos pela alta letalidade policial sob sua gestão. Dados do Observatório de Segurança Pública apontam a polícia de Goiás mata duas vezes mais que a média nacional. Em 2022, 7,6 mortes em decorrência de intervenções policiais foram registradas a cada 100 mil habitantes. É o terceiro maior índice do Brasil, atrás apenas dos alcançados pelos estados do Rio e da Bahia.

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